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JAMES GRIFFIN

EU NÃO SABIA O QUE ou quem eu estava esperando, mas nada me preparou para encontrar Emma Conway vindo na minha direção com uma calça jeans wide leg e uma camisa rosa de mangas longas. Os cabelos loiros, agora soltos com ondas naturais, quase chegando na sua cintura.

Ela ainda não tinha me notado parado aqui, estava caminhando com os pés arrastados, com uma mão na nuca e movimentando o pescoço de um lado para o outro, provavelmente por senti-lo doer.

E sim, eu tinha decorado o nome da loira, pois assim que a vi, parada entre os vários residentes, senti que o mundo tinha paralisado. Seus olhos azuis claros, quase transparentes me fisgaram de uma maneira tão absurda e inesperada que foi como se eu tivesse recebido um empurrão e estivesse caindo em um penhasco.

Ela era bonita, linda, isso era óbvio, tão nítido quanto o ar que respiramos. E gostosa. Muito. Mas nada disso justificava o aumento dos meus batimentos cardíacos apenas ao vê-la.

Não pensei muito quando peguei a ficha dela, e não posso dizer que não fiquei bastante impressionado ao ver o currículo impecável.

Emma Conway foi a melhor aluna no ensino médio em uma das melhores escolas no Reino Unido, além da melhor universitária no curso de medicina em Oxford e foi considerada a melhor cirurgiã interna ao fazer Cirurgia Geral no Saint Thomas.

Um gênio.
Um gênio lindo.
E gostoso.
Sem dúvidas.

Só que nada disso importava quando eu ainda estava puto pela minha vaga roubada.

Podem me chamar de mimado, idiota, dramático ou exagerado. Eu era isso tudo mesmo e foda-se, não me importava. E agora, sabendo que a pequena mulher tinha sido a responsável por quase bater no meu carro e de me sentir minimamente balanceado pela sua beleza, me deixava ainda mais irritado.

Ela parou quando me viu encostado no veículo, franzindo levemente a testa, não entendo a minha presença repentina.

Pude notá-la respirar fundo e ajustar a alça da sua bolsa em um dos ombros antes de voltar a dar alguns passos, se aproximando de mim.

— Dr. Griffin? — sua voz era doce, suave, como uma brisa.

— Dra. Conway. — Me desencostei do carro, o que me deixou mais alguns centímetros mais alto que ela. Ela deveria ter no máximo um e sessenta, nada mais do que isso. — Então foi você quem quase bateu em mim.

O vinco aprofundou ainda mais na sua testa e estranhamente tive vontade de levar o meu dedão até lá para desfazê-lo; não fiz, obviamente, pois era uma loucura. Uma insanidade.

— O quê...?

— Não se faça de sonsa, Conway — travei a mandíbula. — Mais cedo, antes do plantão, você teve a coragem de colocar a porra do seu carro na frente do meu e quase batê-los.

Um reconhecimento rapidamente passou pelas suas íris, lembrando do ocorrido.

— Ah — coçou a testa com a ponta dos dedos, antes de resmungar: — Então foi o senhor…

— É, foi eu, sim. Não sabe que existe uma vaga para cada funcionário, caralho? Essa é minha — apontei na direção do carro dela.

Escolha Certa - CONCLUÍDOOnde histórias criam vida. Descubra agora