09.

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EMMA CONWAY

Minha mão estava latejando, e tive a leve impressão de que os meus dedos estavam um pouco inchados. E isso era tudo culpa de James Idiota Griffin.

O desalmado tinha me feito avaliar cinquenta e dois pacientes.

CINQUENTA E DOIS.
Cinquenta. E. Dois.
CINQUENTA.
E.
DOIS.

E eu não estava nem na metade do serviço e já estava no horário de almoço enquanto os meus outros colegas tinham ido ver uma cirurgia de retirada do apêndice e outros ido para o pronto socorro.

E sendo sincera, eu não ligava de ir para o PS, tinha feito aquela provocação com o carro exatamente por conta da sua ameaça de ficar lá e para mim, estava tudo bem. Mas o desgraçado foi esperto, me mandando diretamente para o CTI e ficar lá, olhando paciente por paciente, durante o dia inteiro.

Claro que estava fazendo tudo com excelência, deixando tudo anotado certinho e analisando cada detalhe dos pacientes com precisão, afinal, ainda era o meu trabalho e eu valorizava tudo o que o envolvia.

Só que isso não me deixava menos puta. Óbvio que não.

Eu era uma pessoa que sempre via o lado bom das coisas, que sempre olhava pelo lado positivo, no entanto, hoje eu só queria socar a cara de alguém, mais especificamente de James Pau No Cu Griffin.

Ele não me deixou ver uma cirurgia apenas por vingança e eu estava possessa com isso.

— Você parece prestes a assassinar alguém — Jessie se colocou ao meu lado, entregando alguma coisa para Rose Porter, a recepcionista desse andar.

— É porque eu estou mesmo cogitando fazer isso — respondi, fazendo massagem na minha mão, que tinha dado até calo por conta da caneta.

O que seria da minha mão no final do plantão?

— Você é médica, isso seria totalmente hipócrita e controverso — Christian Verlag falou, soltando uma risada ao se colocar ao nosso lado de repente.

Jessie e eu também rimos da sua fala.

— Ah, Dr. Verlag, acho que podemos abrir uma pequena exceção por uma boa causa — falei, sorrindo e olhei na direção onde eu podia ver James conversando com a irmã de uma das suas pacientes.

— Eu também acho — minha amiga concordou ao meu lado. — Tem algumas pessoas que estariam fazendo um favor pro mundo ao sumirem de uma hora para outra.

— Isso foi muito específico — o homem abriu um sorriso. — Devo ficar preocupado?

— Foi específico, mas pode ficar tranquilo, doutor, não foi pra você, afinal, esse mundo seria muito ruim sem essas suas mãos — Jessie falou, dando um sorriso muito safado na direção do médico.

— Isso eu tenho que concordar, minhas mãos fazem muitas maravilhas — Christian rebateu. Era nítido que estavam flertando na cara dura.

O sorriso da cacheada abriu ainda mais.
— Bom, eu ainda não as vi em ação, mas espero vê-las em breve. — o duplo sentido naquela frase fez minhas bochechas ficarem coradas; eu estava morrendo de vergonha por estar presenciando aqueles flertes descarados.

Escolha Certa - CONCLUÍDOOnde histórias criam vida. Descubra agora