22.

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EMMA CONWAY

TERMINEI DE COLOCAR A BLUSA de Mel em seu corpinho com o seu olhar atento no meu rosto e movimentos como se fosse a coisa mais importante da sua vida nesse momento. Sorri para ela, começando a arrumar o seu cabelo liso, com alguns cachinhos nas pontas, em um coque para não atrapalhá-la, e a pequena sorriu de volta, as mãozinhas juntas em cima do colo enquanto balançava as pernas.

— Você está linda — avisei assim que acabei de prender.

— Igual a você, titia Emy — passou a mão pelo cabelo devagarzinho.

Sim, estávamos parecidas. Quando fui à minha casa tomar banho, voltei com um short preto molinho, uma blusa florida rosa e o cabelo preso em um coque meio desleixado. Então, quando fui escolher a roupinha dessa criança fofa, Mel me pediu para colocar uma igual e foi isso que eu fiz.

— Banho tomado, pacotinho? — James entrou no quarto da sua filha, chamando a nossa atenção e fazendo a pequena levantar rápido e correr até ele.

Os olhos do homem percorreram a roupa da filha e depois a minha. Fez isso umas três vezes, parecendo querer realmente ter a certeza de que estávamos com a roupa combinando.

— Pelo visto o choro se foi, não é mesmo? — estreitou os olhos e a garotinha abaixou um pouquinho os olhos, envergonhada. — Depois iremos conversar sobre isso, ok, pacotinho?

Mel assentiu meio hesitante e James a pegou no colo.

Notei que Mel já não se importava de ser chamada pelo apelido na minha frente, como normalmente era antes de me conhecer mais e começar a passar um tempo comigo.

— Irei fazer o jantar agora — falou, olhando para mim com aqueles olhos azuis profundos e penetrantes. — Você vai ficar, certo?

— Claro que vai, não vai, titia Emy? — Melissa pediu, os olhos brilhando com a expectativa de me ter junto deles.

Como eu recusaria um pedido desses com ela me olhando com esses olhinhos azuis inocentes? Essa criança era simplesmente irresistível, igual ao pai.

— É claro que eu fico — ela sorriu e James fez o mesmo, parecendo contente também em ter a minha companhia.

Ótimo, pois eu também estava muito feliz em passar mais esse tempinho com eles.

— Quer ajuda? — perguntei, parando ao seu lado enquanto o via colocar Mel na banqueta depois de virmos para a cozinha grande, espaçosa e moderna que a casa deles tinha.

Ele negou com a cabeça.

— Não preciso, quero fazer o jantar hoje, tudo bem? — perguntou. — Acho que te devo isso para agradecer por me ajudar com a Mel.

— Não precisa agradecer — brinquei com um pano de prato que estava pendurado em um prendedor.

— Sei que não — rebateu, começando a pegar os ingredientes e colocando na ilha. — Por isso, irei retribuir com comida.

— Não foi nenhum favor — murmurei.

Prendeu seus olhos nos meus.
— Não disse que era.

Escolha Certa - CONCLUÍDOOnde histórias criam vida. Descubra agora