14.

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EMMA CONWAY

EU ESTAVA CHORANDO COPIOSAMENTE enquanto estava deitada na areia da praia e olhava os pontinhos brilhantes no céu e ouvia o som das ondas baterem.

Não fazia ideia de quanto tempo estava ali, se já tinha passado horas ou apenas alguns minutos, enquanto todas as memórias do meu irmão se passavam pela minha cabeça, me consumindo, deixando-me agoniada.

Era como se eu tivesse anestesiada, pois sentia meu corpo paralisado, mas ao mesmo tempo, como se estivesse passando por uma cirurgia consciente por tamanha dor que sentia.

Não saberia nem dizer ou explicar o que eu estava sentindo naquele momento, pois todas as emoções estavam em uma batalha árdua dentro de mim. Uma mistura de aflição com agonia e uma tristeza profunda acumulando no peito e me soterrado sem um pingo de piedade, assim como a saudade que me torturava dia após dia.

Tapei o rosto com as mãos, soluçando enquanto me sentia desmoronar. Eu sempre mostrava que estava bem, estava sempre feliz perto das pessoas, mas era impossível me sentir com um pouco de otimismo no dia de hoje.

Não quando era aniversário de Ethan. Aniversário do meu garotinho que hoje faria vinte anos se tivesse vivo. Infelizmente eu não poderia fazer um bolo para comemorar, ou cantar parabéns, dar para ele algo que goste muito.

Não tinha nada que eu pudesse fazer, porque ele não estava aqui e isso doía muito.

Mesmo que anos já tivessem passado, a falta que eu sentia dele ainda era arrebatadora. Com um tempo, tinha ficado mais fácil conviver com essa realidade que eu não o veria mais, só que em dias como o de hoje, era impossível tentar me conter.

...

JAMES GRIFFIN

— Já está indo? — Marcos perguntou, entrando na minha sala e me vendo com as roupas trocadas.

Olhei-o, o cara ainda estava de scrubs antes de fitar o relógio no meu pulso e ver que já era um pouco mais de dez horas.

— O plantão acabou já faz três horas.

Era para mim estar em casa há muito tempo, mas uma cirurgia acabou ficando um pouco mais complicada que o esperado e me prendendo no centro cirúrgico.

— E daí? — sentou-se muito à vontade na cadeira em frente a minha mesa. — Você costumava fazer plantões até quase meia noite. Isso quando você ia embora.

Comecei a guardar minha carteira, celular e chaves do carro no bolso da calça.

— É, mas os tempos estão mudando — falei, dobrando as mangas da minha camisa azul clara de botões até os cotovelos e saindo da sala, ouvindo seus passos ao sair junto comigo.

— Graças a Deus — levantou as mãos para o alto.

— Idiota — resmunguei.

Ele logo se distraiu com um dos funcionários do hospital e eu continuei seguindo o meu caminho, doido para chegar em casa, mas uma voz chamando o meu nome me fez estagnar no lugar.

— James — virei-me, encontrando Afonso Vesalius caminhando na minha direção.

Porra! Eu não queria vê-lo, muito menos falar com ele. Evitar esbarrar com ele diariamente não deixava isso claro? Acho que não, pois ele tinha que vir atrás de mim. E bem na hora que eu estava indo embora, caralho!

Escolha Certa - CONCLUÍDOOnde histórias criam vida. Descubra agora