EMMA CONWAY
EU NÃO SABIA QUAIS ERAM os sonhos das pessoas da minha idade, mas eu sabia plenamente e com convicção qual era o meu. Soube dele desde o momento em que vi o meu irmão morrer bem diante dos meus olhos quando eu tinha apenas quinze anos.
A medicina.
Não importava qual fosse o obstáculo que surgiria no meu caminho, eu chegaria no fim dele.
E teve muitos. Nossa, como teve.
Assim que contei aos meus pais que cursaria medicina, eles me olharam como se eu estivesse falando em outra língua. Como se eu fosse uma adolescente que não tinha discernimento ainda e estava dizendo uma bobagem gigantesca.
Minha família desacreditou. Os professores da minha escola pública achavam que eu não tinha capacidade o suficiente para tal profissão. Os outros alunos achavam que eu estava fantasiando com uma vida da qual eu nunca teria.
Mas eu não desisti. Estudava dia e noite sem parar. Lia dezenas de livros que eu pegava da biblioteca. Fiz provas de vestibular mesmo sendo apenas para praticar e saber o que me esperava, e quando não conseguia fazer alguma das questões, mergulhava nelas até que eu fosse capaz de fazer até mesmo de olhos fechados.
Consegui uma bolsa para cursar o ensino médio em uma das melhores escolas do Reino Unido, onde só aceitavam adolescentes com notas excelentes. E não pensei antes de sair dos Estados Unidos e ir para a Inglaterra.
Formei no colegial com honras. Ganhando o título de melhor aluna que eles tiveram em anos. Com uma grade curricular impecável e com a maior carga horária extra que era capaz de ter.
Me tornei um gênio. Tanto ao ponto de receber cartas de diversas universidades me oferecendo bolsas integrais sem nenhum custo adicional.
E hoje, depois de longos anos de abdicação e estudos intermináveis, eu estava prestes a segurar o meu diploma após me formar em Oxford, que era considerada a universidade com o melhor curso de medicina do mundo, após um internato intenso para especialização em Cirurgia Geral.
— Emma Marshall Conway.
Senti minha barriga revirar ao ouvir o homem chamar o meu nome, e minhas pernas trêmulas ao levantar da cadeira azul acolchoada e caminhar até o tablado do enorme salão. Subi as escadas tentando não tropeçar, esticando minhas mãos suadas e gélidas para cumprimentar a fileira de professores e superiores que ali estavam para prestigiar os formandos.
Eles disseram alguma coisa, provavelmente parabéns pela minha formação, mas meu coração batia tão forte dentro do meu peito e de maneira acelerada, zumbindo no meu ouvido que eu mal conseguia ouvi-los.
Peguei o cilindro esticado na minha direção pelo preletor, minhas mãos formigando ao tocar no objeto. Ele me lançou um sorriso, disse alguma coisa que não prestei atenção, pois a única coisa que importava naquele momento era o diploma que eu segurava.
Meus olhos encheram, uma emoção tão grande acarretou meu interior. Queria chorar, queria gritar, queria pular, tudo ao mesmo tempo com tamanha felicidade que eu sentia.
Virei-me para a plateia, centenas de pessoas sentadas com suas becas apenas esperando serem chamadas também. E por mais que eu tenha passado longos anos no mesmo ambiente que elas, não conhecia absolutamente ninguém. Nenhum rosto conhecido. Nenhum familiar.
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Escolha Certa - CONCLUÍDO
RomanceVIZINHOS - "ENEMIES TO LOVERS" - CONVIVÊNCIA FORÇADA - COLEGAS DE TRABALHO - PAI SOLO - CRIANÇA FOFA - HOT+18 - FOUND FAMILY James Griffin, um homem marcado pelos traumas do passado, vive uma vida extremamente controlada, segura e previsível, tenta...
