17.

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JAMES GRIFFIN


COMECEI A COLOCAR AS COISAS na parte bagageira da lancha com a ajuda dos meus amigos enquanto via minha irmã terminar de ajudar Nicolli a colocar as cervejas, os refrigerantes e os sucos nos cullers que levaríamos para a ilha.

Peguei mais um cobertor e o coloquei ali dentro sob os olhares dos três caras que eu chamava de amigos, que pareciam me julgar nitidamente em suas mentes. Apesar de estarmos no verão, lá na ilha Monji, fazia mais frio na parte da noite, então não gostaria que ninguém tivesse esse problema.

— Qual a necessidade dele colocar tantas cobertas? — Davis perguntou, ao lado do Marcos, apoiando as mãos na cintura, uma ruga pequena no meio das sobrancelhas.

— Ele realmente não quer que ninguém passe frio na ilha — Spencer respondeu com aquele tom debochado que irritava a qualquer um, e um sorriso na ponta da boca.

Carter estava mais afastado, apoiado com as costas numa parte alta da lancha, os braços cruzados e ele me olhava como se soubesse exatamente o que eu estava fazendo.

— Estamos em pleno verão, James! — Robinson retrucou, olhando para todas as cobertas que eu tinha posto ali dentro  exageradamente. 

— Lá faz frio, seus idiotas — relembrei, ajeitando mais uma vez as cobertas para caber todas certinho. — Pode estar calor agora, mas ninguém sabe durante a noite.

Carter soltou uma risada nasalada e balançou a cabeça em negativa indo arrumar alguma coisa dentro da cabine.

— O que foi? — Marcos perguntou ao olhar para o músico.

— Vocês não perceberam? — falou com aquela cara insuportável de quem sabe tudo. — Ele realmente não quer que ninguém passe frio na ilha.

Os outros dois caras levantaram as suas próprias sobrancelhas em uma expressão de surpresa como se estivessem entendido seja lá o que o idiota do Meyer tenha insinuando nas entrelinhas.

Quis socá-lo.

— O que foi, hum, Carter? — inquiri, de braços cruzados. — Diz logo o que tem pra dizer.

— O quê? — sorriu de lado. — Vai me dizer que não está fazendo isso porque uma certa mulher de cabelos loiros e longos, que mora a poucos metros da sua casa, irá conosco?

Revirei os olhos.
— Larguem de ser idiotas. É apenas por precaução.

— Precaução? — Spencer soltou uma risada debochada. — Fala sério!

— Você tá levando doze cobertores, James. DOZE!! — Davis exasperou abrindo os braços para dar ênfase no que dizia. — Quem leva isso tudo para uma praia, porra? Está fazendo 29ºC!

— Vai é fritar a coitada com isso tudo de cobertas — Marcos acrescentou, rindo ainda mais.

— Vão se foder, ok? — mandei, afastando-me deles para ir até a minha casa, porém, enquanto saía da lancha, pude ouvir o momento em que começaram a gargalhar, rindo de mim como se eu fosse a porra de um palhaço.

Davis deu um grito no meu nome, quando comecei a caminhar pelo píer. Virei-me, cheio de raiva, para olhá-lo.

— O que é?

Escolha Certa - CONCLUÍDOOnde histórias criam vida. Descubra agora