10.

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JAMES GRIFFIN

EU TIVE UM PÉSSIMO RESTANTE DE DIA.

E o problema era que eu nem poderia culpar Emma pela maldita praga que jogou em mim quando nos vimos mais cedo, pois tudo o que aconteceu comigo em seguida, infelizmente não tinha nada a ver com ela.

Começou quando eu tinha acabado de entrar no vestiário quando Marcos surgiu de repente.

— Está indo pro centro cirúrgico? — perguntei com a testa franzida ao vê-lo já com um scrub azul claro.

Puxou a touca da cabeça e a balançou em negativa.
— Não. Na verdade, acabei de sair. Teve uma pequena hemorragia no local de corte onde foi colocado o marcapasso do senhor Hudson e tive que fazer uma cirurgia de emergência. Agora ele está em observação no CTI.

George Hudson era um senhor de setenta e dois anos que foi diagnosticado com Cardiomiopatia Hipertrófica, não era uma doença muito diagnosticada, pois não apresentava sintomas nem problemas significativos, até que um dia o senhorzinho resolveu começar a fazer caminhadas longas e perceber que ficava facilmente com falta de ar e dor no peito.

Inicialmente, ele achava que poderia estar com algum início de infarto, palavras deles, mas depois de alguns exames, a CMH foi descoberta.

— Houve mais alguma complicação ou ficou tudo certo com ele? — A pergunta saiu dos meus lábios e meu amigo se virou para mim com aquela expressão de ofendido que eu sabia ser mais uma das suas atuações ridículas.

Colocou a mão no peito, dramático.
— Assim você me magoa, James, está subestimando o melhor cirurgião cardíaco desse lugar? 

— Com certeza há controvérsias nessa sua frase. Posso afirmar que minha filha de quatro anos consegue ser muito melhor do que você, e ela mal sabe pegar num lápis quem dirá em um bisturi — o provoquei enquanto começamos a caminhar juntos.

Ele soltou uma risada sarcástica.

— Não posso nem reclamar. Aquela garotinha é muito esperta — sorriu ao falar da minha garotinha. — Aliás, estou morrendo de saudades dela, quando é que eu posso ir até lá na sua casa visitá-la?

— Hum, não sei. Quando está livre? — inquiri.

— Final de semana. Que tal marcarmos algo com o pessoal? — Deu a ideia.

— Pode ser uma boa. Mel vive perguntando sobre vocês — contei, lembrando de todas as vezes em que minha filha perguntou sobre os meus amigos aos quais ela denominava como “os tios legais”.

— Irei mandar mensagem no nosso grupo. Aproveitar que você não está sendo um chato carrancudo e prestes a roubar o posto de Carter como poço de negatividade.

Um riso frouxo me escapou.
— Ninguém consegue superar o Meyer.

— E ele ainda é músico. Como aquele cara consegue ser tão rabugento e escrever músicas tão boas sobre amor, amizade e afins? Não faz sentido nenhum — Marcos resmungou, franzindo a testa.

— Ele sempre foi muito bom escrevendo, desde a época da faculdade. Carter tem dom pra música — comentei.

— É verdade. E o cara está mesmo precisando de uma distração depois de tudo o que está acontecendo com ele e a mulher, vai ser uma boa juntar a turma novamente — falou vagamente enquanto mexia no seu celular.

Escolha Certa - CONCLUÍDOOnde histórias criam vida. Descubra agora