11.

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EMMA CONWAY

EU NUNCA HAVIA ME SENTIDO tão péssima por algo que eu tinha falado quanto naquele momento.

Merda.

Senti meu chão se abrir quando o ouvi dizer que estava mal por conta da perda de um paciente, afinal, sabia, muito bem, o quanto era ruim quando isso acontecia. Já tinha perdido alguns durante a minha vida e a sensação de impotência e culpa que nos atravessava era devastador. E a possibilidade de eu parecer feliz com um acontecimento desse tipo me fazia sentir um lixo não reciclável.

Era certo que eu não sabia o motivo do seu dia ter sido ruim quando falei aquilo, mas nada disso justifica o fato de que eu estava minimamente contente ao vê-lo mal.

Mesmo que fosse o James Idiota e Pai No Cu Griffin.

O problema era que eu não era assim. Eu nunca tinha desejado para uma pessoa um péssimo dia, muito menos me sentia feliz quando isso acontecia, até por que nunca me sentia bem quando via alguém mal e sempre tentava ser o tipo de pessoa que acalentava para dar às pessoas pelo menos um pinguinho de felicidade num momento de caos.

“Nunca imaginei que veria uma médica feliz por alguém perder um paciente, mas existe uma primeira vez para tudo, não é?”

Aquela frase ficou se repetindo na minha cabeça até depois que eu cheguei em casa, me deixando cada vez mais péssima.

Eu andava de um lado para o outro na sala de estar sob o olhar confuso de Amora, passando a mão pelos cabelos tentando pensar em alguma coisa que pudesse consertar aquela situação.

Queria muito ir até sua casa pedir desculpas pela impressão que passei. Só que essa ideia parecia ainda mais absurda, afinal, eu não poderia ir até lá do dizer um “sinto muito pelo o que eu disse” e depois virar as costas e ir embora.

Joguei-me no sofá, impotência tomando o meu corpo, minha cachorra rapidamente veio se juntar a mim, colocando a cabeça no meu colo, mas eu nem conseguia dar a atenção que ela merecia quando eu me sentia daquele jeito. E pensar em perda me fazia lembrar no mesmo instante do meu irmão.

Levantei e peguei o pequeno porta-retrato com uma foto minha, muito pequena, com Ethan no meu colo quando tinha uns sete ou oito meses na época que estava na minha estante.

Meus dedos foram até o seu rostinho rechonchudo, seus olhos azuis, iguais aos meus, estavam fixos no meu rosto, um sorriso babado e sem dentes na boca e tinha uma pequena penugem loira no topo da cabeça.

Meus olhos se encheram e a saudade apertou o meu peito. Passei para a próxima, nessa ele estava com um ano e dois meses, e eu segurava suas mãozinhas para que tentasse andar.

Na do lado, ele estava com quatro anos, estávamos pintando algumas folhas com tintas coloridas e nossos rostos estavam sujos por todos os lados.

Fiquei vendo uma por uma, meu coração dolorido de tanta falta que se tinha do meu garotinho, até chegar na última em que tirei com ele.

Estávamos deitados na cama do hospital e meu irmão fazia uma careta engraçada porque não queria comer a comida meio pastosa que tinham levado para ele comer enquanto eu ria da sua expressão.

Foi a última vez em que me senti genuinamente feliz, não que eu não me sentisse bem agora, mas nunca mais me senti contente daquele jeito. Quando ainda o tinha ao meu lado.

— Acho que fiz uma burrada, Ethan — resmunguei para a imagem congelada e coloquei a foto no lugar.

Respirando fundo, pensando no que faria para consertar o que tinha feito.

Escolha Certa - CONCLUÍDOOnde histórias criam vida. Descubra agora