16.

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JAMES GRIFFIN


— VOCÊ É UM PAU NO CU, MARCOS — Davis xingou e eu beberiquei a minha cerveja, balançando a cabeça em negação.

Spencer fez sua melhor cara de ofendido, colocando a mão no peito, fazendo drama. Esse desgraçado nem parecia o mesmo cirurgião que trabalhava em um hospital renomado quando era desse jeito fora dele.

— Cadê o respeito com o seu amigo, Robinson? — olhou para Meyer. — Carter, vai deixar ele falar assim comigo?

— E o que eu tenho a ver com isso? — Estava com os braços cruzados, a testa enrugada.

— Deveria me defender, seu arrombado. Achei que fosse meu amigo.

— Achou mesmo? — Carter provocou, com uma sobrancelha arqueada.

Marcos lhe deu um dedo do meio quando percebeu que as crianças não estavam olhando.

— Enfim — voltou a fitar Davis. — Não deveria me tratar assim quando eu sou o melhor tio para o seu filho.

Nicolli cuspiu um pouco da cerveja que estava bebendo.
— É sério isso? — limpou o canto da boca.

— Você? Melhor tio? — Beatriz se intrometeu na conversa, vindo até mim e pegando um pedaço de carne que eu havia acabado de cortar. Fingi que cortaria o seu dedo e ela me deu uma ombreada antes de focar em Marcos outra vez. — Davis nem gosta que você chegue perto do filho dele.

— Ei! Isso não é verdade! — olhou para Davis. — Isso é verdade?

Deu de ombros.
— Você é uma péssima influência, Marquinhos, além de falar muitos palavrões.

Todos riram, mas a única que me chamou atenção foi a de Emma, que apenas nos observava como se estivesse em um show, achando graça de tudo.

— Péssima influência é um elogio para esse idiota — resmunguei, dando um gole na minha cerveja.

— Vão se foder, ok? Eu faço a vida dos filhos de vocês muito mais feliz, podem acreditar.

— E você tirou isso dessa sua cabecinha de vento? — Nicolli perguntou, rindo.

— Isso é óbvio, porra! Eu com certeza sou o mais engraçado e mais legal daqui. A prova disso é exatamente esse momento. Vocês são uns resmungões. Não param de reclamar nunca? — disse, revirando os olhos e nos fazendo rir. — Imagina ter pais como vocês? Seria uma desgraça sem fim. Tenho pena dessas crianças.

Olhei para as duas crianças que brincavam de alguma coisa com Amora.

— Para de se doer. — Carter voltou a falar. — E todos sabem que eu sou o melhor tio para aqueles pestinhas.

— Qual é? Me fala aí quando foi a última vez que deu um brinquedo tão irado para os seus sobrinhos? — inquiriu, Marcos.

— Eu dei um carrinho elétrico para o Daniel e uma casa gigante da Barbie para a Mel — Carter retrucou, cruzando os braços.

— Eu dei um tablet para cada um, Carter, isso nem se compara — rebateu, cheio de si.

— Que aliás foi um presente bem merda, né porra? — o músico questionou. — Tablet para crianças? O que você tem na cabeça?

Escolha Certa - CONCLUÍDOOnde histórias criam vida. Descubra agora