Pov Carol
-EVA, algum compromisso para hoje? - Perguntei enquanto colocava o café na minha xícara amarela.
Uma semana havia se passado desde que cheguei no Brasil e tirei essa semana para organizar as coisas que faltavam no apartamento e também para instalar a EVA, minha assistente virtual. E minha única amiga por alguns anos.
-Nenhum programado, Carol. - A voz robotizada soou no ambiente.
O semestre na faculdade iria começar daqui alguns dias, então pensei em finalizar a arrumação hoje e me livrar disso. Faltava só um movinho que ficava perto da minha estante, então tiraria algum tempo para mexer nisso.
Acabei de tomar meu bom café enquanto lia o jornal on-line, uma mania que adquiri toda manhã, e quando finalizei, fui em direção a minha tarefa do dia.
-EVA, coloca a playlist de mpb antigo para tocar. - Pedi indo em direção ao local.
Segundos depois, ouço as primeiras notas de "sangue latino" tocarem no ambiente. Dei um sorriso involuntário, lembrando da Natália, é claro.
Ela amava essa música e em qualquer oportunidade colocava para tocar. Natália tinha uma vitrola bem antiga, que herdara de sua avó, lembro bem dela colocar o disco para rodar e ficar em sua varanda apreciando a paisagem com sua câmera nas mãos, óbvio. Aquilo era Arte pura.
A fotógrafa dizia que acendia uma coisa dentro dela inexplicável, e pelos seus olhos eu entendia isso.
Assim que abri a primeira gaveta, vi uma caixa quase que do tamanho dela lá dentro. A caixa era de cor marrom, e tinha um cadeado aberto, enlaçado a fechadura.
Peguei a caixa com certa curiosidade e fui até o sofá me sentando com ela no colo.
Tirei o cadeado e percebi que era a caixa que eu guardava as cartas que minha mãe me mandava todos os anos que estava fora.
Não lembrava que tinha tanta carta assim. Comecei a mexer mais nas cartas e percebi que por debaixo delas tinha uma bolsinha com alguma coisa dentro.
Era uma câmera verde pequena. Paralisei com o objeto em minhas mãos.
Por que tinha uma câmera ali?
Assim que voltei para a realidade, tentei liga-lá, mas obviamente pelo tempo que está parada, a bateria deve ter zerado por completo.
Olhando melhor o objeto, percebi que eu conhecia aquela câmera de algum lugar...
Flashback On -
-Vai, amor, dá um sorriso! - Natália apontava a câmera para mim.
Estávamos fazendo um piquenique ao ar livre e o sol estava começando a se pôr.
-Não, amor... estou horrível. - Tapei o rosto.
-Não está nada! - Se aproximou mais tirando minhas mãos no rosto. - Está linda como sempre. - Deixou um selinho nos meus lábios, como confirmação do que acabou de falar. - Vai! - Apontou a câmera para mim de novo.
Sorri um pouco tímida olhando para ela. Mesmo Natália fotografando cada passo que eu dou, nunca consigo me acostumar com alguém me achando bonita o suficiente para ficar tirando fotos.
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Reconquistar - Narol
FanfictionCarol volta ao Brasil depois de dez anos longe, e precisa reconquistar sua primeira namorada da adolescência, quem ela nunca esqueceu mas precisou se afastar. Será que Natália caíra novamente em seus encantos e perdoará as mágoas do passado?
