Deselegante.

341 36 35
                                    

Eu chegava a engolir a seco ali, eu estava no carro com os meninos, o Uber dirigindo, Tristan no banco da frente, Miguel no banco da esquerda, eu no meio e Mason no banco da direita, e estaria sendo uma viagem normal, se eu não estivesse entre dois grandes filhos da mae que adoram me tirar do sério, mas eu não vou dar esse gostinho a nenhum dos dois.

Mason: Desconfortável, linda ?

- Nem um pouco, porque eu estaria desconfortável? - Óbvio que era uma mentira, eu estava quase tendo um treco ali.

Tristan: Porque você tá entre o Mason e o Miguel.

- Engraçado, você deveria ter me cedido o acento da frente.

Tristan: Eu deveria, mas...sabe, eu tô ensaiando pra ser político. - Ele ri e me mostra uma quantidade de dinheiro entre os dedos.

- Suborno, boa, assim você vai ser um político de qualidade. - Falo irônica.

Miguel: Em defesa dele, ele iria te dar o lugar da frente, mas o dinheiro fez o olho dele brilhar mais forte. - Ele ri.

"Ah, mas porque você tá tão desconfortável?" Talvez porque Miguel está com a mão em uma das minhas coxas, e Mason está com a mão em outra, ambos apertando tão forte que com certeza vai ficar a marca, no entanto, eu me recuso a soltar qualquer barulho ou fazer qualquer expressão.

Miguel: Não adianta pagar de durona. - Ele sussurra próximo ao meu ouvido.

Mason: Suas bochechas te entregam, você tá mais rosa que a cabeça do meu... - Tristan o corta.

Tristan: Ei!

Mason: O que foi ? Eu dizer que ela tá mais rosa que a cabeça dos meus dedos.

Reviro os olhos dando o dedo do meio pros dois que apenas riem até chegarmos em um lugar específico. Era uma casa enorme, Mason que conhecia esses caras, eram detetives particulares e iam cuidar do nosso caso.

Mason: Perfeito, agora é só a gente tentar não morrer pelos próximos dias, os caras são bons, não vão demorar muito pra achar seja lá quem esteja tentando matar a gente.

- Olha, eu nem ia achar tão ruim assim se me matassem.

Miguel: Vê se cala essa boca.

   Tinha um parque aqui perto e resolvemos ir até lá a pé, estávamos andando enquanto Tristan dava notas as coisas que seu pai já tinha feito com ele.

Tristan: Ter engravidado minha mãe de mim, 10/10, eu sou uma delícia, nisso ele arrasou. - Ele ri. - Me jogar dentro de um rio cheio de correnteza pra mim aprender a nadar e quase me matou, -0/10 achei deselegante, não precisava me jogar, era só ter pedido pra mim me jogar.

Mason: Minha vez.

- Vai.

Mason: Quando meu pai raspou minha cabeça porque eu tava cheio de piolho, 2/10, não precisava ter deixado careca. - Começo a rir. - Quando ele zebrou minhas costas com 10 metros de fio, 0/10, achei meio sei lá, não precisava de 10 metros de fio não.

- Desnecessário.

Miguel: Deselegante né ?

Tristan: Sua vez, Miguel.

Miguel: Quando meu pai me botou com 2 anos em cima de um cavalo e deu um tapa na bunda do cavalo que pulou e me derrubou no chão, 1/10, achei desrespeitoso, não precisava bater na bunda do cavalo, assediou o coitado.

- Minha vez.

Tristan: Vai diva.

- Quando meu pai me fez, 9/10, não precisava, mas também não foi a pior coisa do mundo, quando ele morreu 0/10, achei muito sem criatividade, paia demais.

Mason: Superou todos nós.

   Ficamos rindo com essas gracinhas até a hora de voltar pra faculdade.

Miguel: Acho melhor vocês dormirem no meu dormitório hoje, porque nós três estamos sendo perseguidos, melhor que a gente fique todo mundo junto, né ?

Mason: Boa ideia.

Miguel: Venham pro meu dormitório. É mais espaçoso.

  Assim fizemos, Mason e eu nos deslocamos para o dormitório do Miguel, eu estava sentada na cama mexendo no celular.

- Porque não chamamos o Tristan pra dormir aqui também ? - Falo sem tirar os olhos do celular.

Mason: Brooke buscou ele, e agora ele vai dormir na minha casa.

- Ah sim... - Quando levantei o olhar vi Mason e Miguel se deitando um de cada lado meu, ambos sem camisa, eu não sei como estava meu rosto naquele momento, mas estava queimando. - Por que vocês não vestem uma camisa ?

Mason: Preferimos dormir sem. - Ele diz com um sorriso cafajeste no rosto enquanto se deitava tranquilamente na cama.

Miguel: Relaxa aí, vamos dormir. - Ele fala e eu me ajeito, Miguel por sua vez apaga as luzes deixando somente a do abaju ligada.

  Fecho meus olhos pra dormir, viro pro lado vejo Miguel, e estava muito perto, fico nervosa e viro pro outro lado dando de cara com o Mason.

- Eu...vou pra outra cama.

Mason: Fica aqui, deixa de ser fresca.

  Me viro ficando reta encarando o teto, eu definitivamente não sentia nada pelo Mase, além de muito amor e afeto de amigos, mas não posso negar que aquela situação me deixava incrivelmente nervosa.

Miguel: Boa noite.

Mason: Boa noite.

   Assim que fecho os olhos sinto as mãos fortes do Mason na minha cintura, apertando com força que me arrancou um grunhido, e logo em seguida sinto uma mão em minha coxa e beijos molhados em meu ombro, mas fico imóvel, por algum motivo. Mason começou a dar beijos em minhas costas subindo pra nuca me fazendo arrepiar, eram muitas mãos, muitas bocas, e aquilo estava me deixando sem jeito.

Mason: A gente adora ver você assim, toda marrento mas fica igual um filhote de cachorro quando tá com nós dois.

Miguel: Não que ver você ficando desse jeito seja o único lucro, poder te apertar inteirinha também é ótimo.

- Parem de me alisar e vão dormir.

  Miguel põe a mão em meu pescoço dando uma leve apertada e beija meu maxilar.

Miguel: Não vai nem nos dar beijinho de boa noite ?
Que deselegante em, gatinha.

Mason: Antes você me dava um beijinho de boa noite, nem que fosse na bochecha.

- Porque não se beijam entre si ?

Miguel: Porque o beijo que eu quero, é o seu.

Longe de mim - Miguel MoraOnde histórias criam vida. Descubra agora