A Justiça Tem Seu Preço • 28

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Caim tinha me jogado com força contra a parede em pedra batendo minhas costas e consequentemente minhas asas, doeu um pouco por causa da armadura, mas nada se comparava com a dor que eu faria ele sentir. O quarto em que estávamos era grande, porém pequeno para que três pudessem lutar. A decoração era estilo medieval coberta por tapetes vermelhos persa com listra que emoldurava em dourado, uma cômoda em marrom ao lado das janelas que mostrava o céu ainda em fúria. Era um quarto grande mas também servia como escritório já que uma cama de casal estava do outro lado de uma porta que deveria ser suite, espelho redondo emoldurando pregado na parede acima da cômoda.

     A torre era a mais alta e mais larga apesar que ali não era um lugar apropriado para uma luta, mas era o que tinha, era ali ou no lago com águas correntes a uns vinte ou trinta metros abaixo que eram tão fortes que faziam um redemoinho.

Daniel fez um círculo por cima da sua cabeça colidindo sua espada com a de Caim que era preto com listras vermelhas. Caim estava  de costa para mim, aproveitei a distração dele para cravar minha espada nas suas costas mas ele se virou rapidamente passando a lâmina no braço de Daniel que inclinou para o lado passando a mãos no local que se curou rapidamente.
— Covarde, atingindo seu oponente pelas costas! Seus anjos não te ensinaram nada?
—Ensinaram — fizemos um X com minha espada e espada de Caim, nos encarando nos olhos—mas tudo que se trata de você esses decoro não se encaixa, já que você estava tentando matar uma adolescente sem poderes algum. — Com a outra espada passei atrás de seu joelho, no mesmo instante Caim caiu de joelhos pressionado com a  mão livre.
Ele deu uma gargalhada que ecoou todo o ambiente sendo levado em forma de eco pelo vento que soprava pelas janelas estreitas em som de assobio.
—Engana-se você, ela é muito poderosa—falou entre dentes, ficando de pé bem a tempo de bloquear Daniel, com a perna ferida ele chutou o estômago de Daniel, ambos gemeram de dor. —Se ela não fosse tão poderosa, você acha que eu perderia meu tempo? Justo eu que tenho a eternidade a meu favor! Ah Jaziel, você não sabe de nada.
—Você matou seu irmão por inveja—berrei, avançando com minha duas espadas, mas Caim mesmo ferido era rápido e habilidoso.
—Inveja! É isso que falam de mim? Matei meu irmão porque o grande Criador de todas as coisas escolheu o meu irmão, assim como meus pais, sempre Abel, tudo para Abel. Eu sou o primogênito o primeiro a nascer — Caim levantou sua espada, usei as duas pra bloquear seu golpe, ele desviou a espada socando meu rosto com o pomo da espada — Mas não foi só por isso.

Recuperei o equilíbrio passando as mãos no rosto, olhei para minha mão, tinha um pouco de sangue, abri e fechei a boca para colocar meu queixo no lugar, mas não tinha quebrado nada.

— Soube de um história que seria meu querido irmão, Abel que daria a continuidade da raça humana, a raça que seria dos grandes homens, homens importantes como o grande patriarca da humanidade, Abraão.

— Você é louco — Falei horrorizado. Caim usou toda sua força que fez minha espada tremer com a colisão, perdermos o equilíbrio, Caim mais do que eu.
— Quando achei que estava livre, descobri que meu irmão tinha deixado uma filha, a esposa dele estava grávida daquela que acabaria comigo para sempre, meu irmão tinha deixado em seu sangue que eu derramei uma arma poderosa para acabar com minha vida. E agora está na sua preciosa Emmanuella.  —falou no tom sarcástico rindo da situação.

     Avancei pra cima dele, Caim pulou pela janela caindo em pé na torre ao lado que não era coberta sendo plano e até melhor para o combate, saltei atrás dele, Daniel me seguiu. Avistei no momento do salto que tinha uma viga, uma espécie de ponte que ligava uma torre a outra com proteção para o corpo.

Caim avançou para mim, bloqueie desferindo com a outra espada um fino corte na parte boa de seu rosto, Caim não se importou, era como se ele não sentisse dor, mas era raiva que estava estampado em seu olho bom. Daniel tentou me ajudar mas foi interceptado por um vassalo que estava fazendo a proteção daquela torre. Ele era alto, forte, corpulento, cabelos longos com as laterais rapadas.  Levantei as espadas formando um X no ar, mas Caim se abaixou passando a lâmina da espada negra na minha coxa que ardia como fogo, cai com o corpo por cima da mureta da ponte.
Olhei para baixo sentindo o frio percorrer meu corpo na altitude em que estávamos, o vento frio entregou pela brecha do elmo que permitia que eu visse melhor, sentir o suor se esvaí dos meus olhos, mas a dor da minha coxa não cessou, mesmos com a proteção da armadura, a espada de Caim conseguiu infringir. Peguei fôlego para voltar ao combate que não importava quanto tempo duraria, só me daria por vencido quando ele estivesse morto, do contrário lutaria até se esgotar minhas forças, forças essas que era restabelecida toda vez que imaginava Emma em cativeiro.

Confronto Imortal Vol:01Onde histórias criam vida. Descubra agora