Visita •04

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As últimas horas na escola passaram tão rápido que quase nem ouvi o sinal tocar, me despedir de Alex sentindo o ar fresco fora dos portões daquela escola, era tão leve que me perguntei como poderia o mesmo oxigênio fazer tanto efeito em ambos os lugares, abri a porta do meu carro, vendo como o estacionamento estava mais vago só tinha o carro da diretora e alguns professores igualmente dos alunos. O carro do Sr Miller não estava, então concluí que ele já tinha ido para casa, liguei o ar passando os dedos na janela trincada. Só agora olhei para meu cotovelo que tinha forçado contra o vidro e cortado um pouco que estava como se nada tivesse acontecido. Respirei aliviado por ter sobrevivido, mas um dia, aquela sensação era tão boa que eu poderia flutuar. Ops não era um boa ideia já que poderia sem querer abri minhas asas, um belo par de asas que ganhei aos quinze foi o único dom que eu realmente amei ter em meu corpo, eu poderia voar para onde eu quisesse mas mesmo assim eu não consegui fugir do meu destino e muita menos encontrar a garota que sempre sonhava. Maldição.

Fiquei no carro esperando Ariel já que Klaus iriam com a irmã e Daniel foi embora com Max, não sei o que tanto Ariel conversava com Chloé por demorar uma eternidade.
Debrucei minha cabeça sobre o volante tentando focar em alguma coisa que não fosse o que aconteceu hoje, mas tudo que eu vi era o demônio e a maluca da minha professora Laila, levei um susto quando alguém bateu na porta e sorriu um sorriso de criança que ecoou pelo estacionamento, mais não havia ninguém só o sorriso que ainda fazia eco.
—Tem alguém aí? — Senti minha espinha gelar e os pêlos da minha nuca e braços ficarem em pé. — Não tem graça, apareça. - Exigir, mais tudo que ouvi foi mas uma onda de risos dessa vez mais alto, tentei sair do carro mas a porta não abriu.

"Estranho eu estava dentro do carro e não tinha trancado a porta".

—Encontre ela, ela é sua alma gêmea, a moça dos seus sonhos. — A voz doce e suave de criança falou atrás do carro e deu uma última gargalhada e desapareceu.
A porta abriu do lado do passageiro, não me contive e gritei. Sentir mãos bater nos meus ombros e costas.
— Sou eu — Gritou. —Não me mata do coração. — Ariel me bateu forte procurando fôlego. — O que ouve está com palpitações muito alteradas, mas um pouco sai pela sua boca.

Olhei pros lados na procura de alguma criança mas não vi ninguém. Por um instante pensei que fosse alguma criança querendo zuar com a minha cara, mas como ela saberia da garota que eu sonho? Que criança saberia desse segredo que só compartilho com Daniel! Não, tem algo aí que eu preciso saber. Eu precisava saber, se ela sabe dos meus sonhos ela deve saber onde eu devo encontrá-la. Só assim para meu coração parar com essa aflição.
—Nada, eu só me assustei mesmo com você. — Mentir. — Eu estava distraído.
— Você é um péssimo mentiroso, mas não vou forçar você a dizer a verdade. Sou seu anjo da guarda, mas se for algo que te coloque em perigo é melhor falar, agora. — Ariel me fuzilou com os olhos e cruzou os braços.
—Não se preocupe, não é nada que me coloque em risco e se falando em risco, obrigada por hoje de manhã. — Abracei minha prima forte sentindo o perfume de seus cabelos.
— É meu trabalho, e outra, eu já tenho um carinho muito grande por você desde bebezinho — Ariel pegou meu queixo apertando fazendo biquinho-, mas sei que nos últimos anos você está diferente, meio aéreo como se estivesse com os pensamentos longe coração aflito. O que passar?
—Nem eu sei Ariel, é tudo tão confuso que não consigo entender — Suspirei—,é como se eu vivesse entre dois mundos e esse aqui, eu não quero viver. — Meus olhos ficaram marejados e a dor voltou em meu peito.
— Ainda sobre querer ter a vida que humanos tem? — Ariel ficou preocupada, com razão.
Neguei com a cabeça prendendo a respiração, ouvi o eco da voz da criança que dizia "ela é sua alma gêmea, a moça dos seus sonhos." Me sentia tão inútil, impotente era assim que ela me deixava, rendida aos seus pés como um cordeiro aos pés de um leão. Que eu amava aquela garota como um louco, isso era certo e pior que eu a amava sem nunca tê-la visto. Detestava me sentir tão rendido a ela daquela forma, se fosse pelo menos por uma garota que eu já conhecesse, mas em meu sonhos! Sonho esse que não me permitia ver seus olhos, seu rosto, era uma tortura pra mim, mesmo assim eu viveria uma vida interia ao seu lado sem olhar em seu olhos ou admirar sua beleza, só seus beijos seu toque sua voz suave era tudo que eu precisava para sobreviver.

Confronto Imortal Vol:01Onde histórias criam vida. Descubra agora