Capítulo 74: Por que você me odeia?

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Por que você me odeia?

Aquelas palavras pegaram o demônio desprevenido. — Eu não sinto as minhas pernas. — O anão murmurou. Fazendo o jovem abismal cambalear vagarosamente para trás, batendo suas costas contra as paredes preenchidas pelo musgo.

Anatema: Ai, mer-... — correndo até o pequeno homem, revistando seus pontos vitais. — Sua coluna não está saltada. Deve ter sido na queda, quando caiu no buraco, suas pernas bateram com muita força no chão. Imagino que tenha as fraturado. Saco! Olha, fique paradinho aí, vou tentar abrir a passag-... — Levando um forte tapa na cara. — Hã?!

Olavo: É impressionante como essa sua racinha só traz desgraças para nós. Aposto que deve ser algo inato de vocês, ciganos do abismo! — vociferou.

O demônio absorveu as palavras em silêncio, fitando o anão; que via as feridas no rosto de Anatema serem gradativamente curadas. O loiro então, sentou-se diante dele, fitando-o ininterruptamente. Ambos conseguiam escutar os estrondos vindo do outro lado da entrada; vagarosamente, escutando os gritos de Polo, abafados pelas quedas.

Anatema: Olha, se quisermos sair daqui vivos, e com os nossos amigos, precisamos cooperar.

Olavo: E com que autoridade acha que possui para dizer algo assim? Nenhum de nós três, e nem mesmo o comandante... te vê como um membro do nosso time. — Apesar da dor latente, mantinha seu tom de voz e feição carrancuda inalteráveis. — Não passa de um estorvo, um maldito parasita que se alojou em nossas carnes. É isso, e apenas isso, que tua sua raça é, não?

Anatema: Hum... Parece que está bastante preso nesse seu mundinho retrógrado, né não? Sendo assim, então tentarei acompanhá-lo.

Olavo: Uhm? — sendo pego pelos braços, fora colocado sobre os ombros do demônio. — Criatura vil, tire-me daqui!

Anatema: Mais cedo, disse que minha raça é nojenta por se achar superior às outras, algo como... celestes? Se essa for sua realidade, então, a tomarei comigo também. Eu tenho autoridade para te comandar, e tu, de me obedecer, homenzinho. Então trata de fechar o biquinho cabeludo, hihi.

Olavo: Desgraçado. Não ouse tirar palavras da minha boca!

Anatema: Se não negou, então significa que concordou, hihi. Anda-... Ah, esquece, essa palavra não é muito adequada pra sua situação atual. Nesse caso, para de reclamar, e vamos logo achar uma passagem. — Passando por uma fresta, por pouco não caiu rumo a morte certa para outro desfiladeiro.

Olavo: Ou morrer antes disso.

Correndo e saltitando pelos túneis de lama e musgo, acabando por diversas vezes escorregar em certas e cair em cima do anão, que descontava a dor em socos na nuca e puxões de bochechas no demônio.

Uma voz rouca ecoou pelos túneis. Aqueles que a escutavam, sentiam-se tocados por uma doce mão, mas que rapidamente cravava suas unhas dentro da carne. A mesma sensação de medo e desespero era exalada pelo ambiente, tão nauseantes que nem mesmo o demônio conseguia negar sua presença.

Anatema: Isso tá ficando cada vez mais forte.

Olavo: Ora pois, estou apenas pegando leve com você fracote.

Anatema: Não você, ô, estrela menor! Tô falando dessa sensação desoladora, a concentração de emoções por aqui também está altíssima. Sem contar essa voz que não para de falar "Devolva". Vem cá, o que 'cês roubaram dela?

Olavo: Nada que mude na sua vida infeliz. Agora, anda logo, voa ou sei lá mais o que vocês fazem!

Anatema: Tsk, bem que me disseram que os baixinhos tem humor curto.

Banimento Final - DESCONTINUADOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora