ghard point of view
av antônio saraiva
— bom dia, as mais lindas chegaram.
— queridinha, entra na fila – g.a brincou — entra logo aí, 'tô ansioso pra chegar na praia.
— parece criança – iara ri — já entrei, falta a maria julia.
— bom dia gatona – thiago diz e da um selinho em iara — dormiu bem?
— não muito, sem você fica foda.
— 'tava com saudade – veigh volta a dizer e a ruiva ri, sentando na poltrona ao lado dele — 'cê 'tá cheirosa.
— vai começar a melação logo cedo? – koda se pronuncia do fundo da van e eu ri — tomar no cu viu, se eu soubesse...
— liga não, koda – maju diz entrando na van — isso é só o começo.
— e se 'nóis deixar eles aí? – g.a sugere — melhor né.
— também acho.
digo e maju me encara e da um sorriso largo, fazendo com que aparecessem as covinhas que ela tinha na bochecha. essa mina era atraente demais, 'namoral 'memo. vejo ela entregar a sua mala pro motorista da van, que foi guardar tudo lá atrás pra podermos ir. tinham uns lugares vagos lá no fundo e eu pensei que ela iria pra lá ou sentar com o g.a, mas fui surpreendido quando ela se sentou ao meu lado. então 'tá né.
— tem problema eu ir aqui?
— óbvio que não – dei de ombros — mas 'iai, 'tá animada?
— muito!
— eu não 'tô nada animado – shandin diz do banco de trás, e eu e maju rimos — os cara tudo de casal, mano.
— uai, e 'nóis aqui? – g.a pergunta — 'tô de carreira solo também.
— não sei aonde – shandin volta a dizer — você de casal com o koda aí.
— vou te dizer com quem 'cê vai fazer casal já já, shandin – koda diz — cala a boca não pra 'vê.
— que isso vida, 'tô brincando só – ele se justifica e eu ri mais — alguém tem comida aí? 'mó fome.
— eu tenho – maju diz — quer o que?
— não dá não, maju – g.a diz — esse morto de fome já tomou café.
— o tanto que ele comeu, vale por café, almoço e janta – veigh diz — três pão e uma tapioca.
— sem contar a jarra de suco de laranja – g.a diz — sei nem pra onde vai toda essa comida.
— eu 'tô em fase de crescimento, lindos – shandin se justifica — tenho que comer muito.
— crescimento 'pros lados né – koda diz — só se for.
o motorista finalmente deu partida e um puta arrependimento bateu no meu peito, só de pensar que vou ter que passar duas horas dentro de um carro com esses cara falando bosta já me dá desespero. bem que a viagem poderia ser a noite, aí geral ia dormindo 'memo e ia ser 'mec demais. coloquei meu 'fonezinho de ouvido afim de ouvir uma música e capotar, já que 'tava 'mortão ainda. dormir tarde e acordar cedo não é uma combinação legal, ainda mais quando se tem compromisso importante no outro dia. mas vou reclamar não, 'tava fazendo o que eu gosto 'memo. pouco tempo depois, senti o corpo pesar e o sono bater, capotando rapidamente. acordei um tempo depois, cerca de nem uma hora, com uma tosse atrás de mim, provavelmente do shandin. abri um dos olhos xingando mentalmente o otário do meu amigo por ter me acordado e vi a maju, super concentrada em alguma coisa na qual eu não sabia o que era. ela me deu um 'sorrisinho sem jeito quando percebeu que eu a encarava.
— 'cê não vai dormir não, garota?
— quem me dera – fez careta — não consigo dormir em carro.
— por que tem medo?
— tenho muito – confessa e eu ri — não ri de mim.
— parei, parei – levantei as mãos em rendição — e o que 'cê 'tá fazendo aí?
— lendo, ó – mostra a tela de uma espécie de tablet — quer ler também?
— eu passo – fiz careta e ela ri — coisa da faculdade?
— poderia ser facilmente – ri — mas não, é um livro de romance que 'tô tentando terminar a um 'tempão e nunca consigo por falta de tempo.
— 'tendeu, parceirinha.
— e você não vai voltar a dormir? – pergunta concentrada no tablet — parecia estar em um 'soninho 'tão bom.
— agora perdi o sono – fiz careta — valeu ae, shandin.
— coitado – ri — mas tenta.
— consigo não.
— consegue sim, vem cá – ela larga o treco que segurava e se ajeita na cadeira, chegando mais perto e indicando que eu deitasse em seu peito, fiz careta relutando e ela reprimiu os lábios — vem logo, ghard.
— não precisa pedir duas vezes.
me ajeitei e deitei, sendo surpreendido pelo ato de carinho da menina, que levou uma das mãos até meu cabelo e começou a fazer cafuné. com a outra, ela me cobriu com a manta cor de rosa que tinha em seu colo. eu pensei em levantar, era estranho, mas 'tava surpreendentemente confortável. eu não era acostumado com essa parada de receber e muito menos demonstrar afeto pra ficante, ainda mais pra ficantes com ela. e eu já tinha sacado de que ela era uma pessoa carente de natureza. gostava de receber gente em casa e estar acompanhada sempre, gostava de atenção e ficava super feliz quando era elogiada. ela era nitidamente uma mina ingênua que não vê maldade nos outros e que cai facilmente no papo de qualquer um, isso você percebe só de conversar minimamente com ela. era até engraçado, já que todas as minas que eu fico são o oposto disso. e por mais maluco que seja, acho que é esse um dos motivos que eu tenho vontade de pegar ela. óbvio, sem contar a parte de que ela era gostosa pra 'caralho.
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝐋𝐈𝐁𝐄𝐑𝐓𝐈𝐍𝐀, 𝗀𝗁𝖺𝗋𝖽.
Romance❝𝗌𝖾 𝖾𝗅𝖺 𝗌𝗈𝗎𝖻𝖾𝗌𝗌𝖾 𝖼𝗈𝗆𝗈 𝖾𝗎 𝖿𝗂𝖼𝗈 𝗊𝗎𝖺𝗇𝖽𝗈 𝗏𝖾𝗃𝗈 𝖾𝗅𝖺 𝗌𝗈́ 𝖽𝖾 𝗉𝗋𝖺𝖽𝖺 𝖼𝗈𝗆 𝖺𝗊𝗎𝖾𝗅𝖾 𝗏𝖾𝗌𝗍𝗂𝖽𝗈 𝖼𝗎𝗋𝗍𝗈, b𝗈𝗅𝗌𝖺 𝗇𝗈 𝗈𝗆𝖻𝗋𝗈, 𝖼𝗁𝖾𝗂𝖺 𝖽𝖾 𝗆𝖺𝗋𝗋𝖺 𝗊𝗎𝖺𝗇𝖽𝗈 𝗈 𝗊𝗎𝖾𝖻𝗋𝖺𝖽𝖺 𝖼𝗁𝖾...
