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maria point of view
honey boate club

— esse show começa nunca, iara?
— calma cara, sem estresse – diz me dando um copo — toma isso aí, fica bêbada e relaxa!
— ficar bêbada? – ri — onde 'cê já me viu bêbada na sua vida?
— nos tempos de escola você era menos careta, já te falei isso?
— já perdi as contas de quantas vezes só hoje – dei um gole da taça, e o líquido era gostoso mesmo — o que tem aqui?
— gin de tangerina.
— delicinha, gostei – rimos — mas falando sério agora, ele não vai entrar no palco nunca?
— não sei ué – diz impaciente — quer que eu entre no camarim e pergunte?
— oi meninas – leticia, nossa amiga, diz após se aproximar — demorei mas cheguei, perdi algo?
— perdeu nada – iara diz, abraçando ela — só eu brigando com a chata da maria julia.
— mas isso é normal – leticia diz e ri — como vai as coisas?
— tudo ótimo, amiga – falo oferecendo pra ela o meu drink, mas ela recusa — achei que não viria mais.
— acha que eu perderia esse show? jamais amiga – rimos — viram o kevin? ele disse que já chegou, achei que estaria por cá.
— já chegou sim, deve ter ido no banheiro ou sei lá – dou de ombros — 'tava enchendo meu saco, dei graças a deus que ele sumiu.
— enchendo seu saco?
— sim.
— nossa, entendi – ri sem jeito — pensei que não estivessem se falando mais.
— e eu não 'tô falando com ele mesmo não – digo — mas ele pelo visto 'tá falando comigo. inclusive, por que você chamou ele? 'cê sabe de tudo que rolou e...
— amiga não me leve a mal, mas ele nunca fez nada pra mim – leti diz na lata e eu encaro iara, que já fechou o semblante na hora — e cara, quatro meses atrás né, 'tá na hora de superar isso.
— no caso, acho que quem não superou foi o kevin – iara diz — porque ele corre atrás da maria até hoje.
— jura? – leticia pergunta sem graça, dando um sorriso falso — dessa eu não sabia.
— te juro. e o pior, 'cê tinha que ver ele falando o quanto ela 'ta linda hoje – iara diz com certo sarcasmo — você fica com ele?
— as vezes só, não temos nada sério não.
— entendi, e ainda bem – ri sutilmente — porquê se ficasse, eu ia te aconselhar a ficar esperta.
— é né.

leticia diz por fim, sem saber onde enfiar a cara. e eu não precisei falar mais nada, iara disse por mim e por ela. pisquei disfarçadamente pra mesma como se quisesse agradecer e ela mandou beijo no ar pra mim. escuto o pessoal começar a gritar e deduzo ser os meninos entrando, então viro meu corpo pro lado do palco. começaram cantando “vida chique” e era bonito de ver a empolgação de todos, não sabia cantar essa música direito então nem me arrisquei pra não passar vergonha, ficava mais observando e bebendo do que qualquer coisa, enquanto a iara cantava com todo pulmão do mundo.

— amiga, posso falar com você? – leti diz me cutucando e falando mais alto por conta da música — 'rapidinho.
— pode falar.
— é que eu quero te perguntar umas coisas.
— precisa ser agora mesmo? – encaro o palco — o show acabou de começar.
— não vou conseguir curtir o show se não tivermos essa conversa antes – diz e eu paro pra pensar por alguns segundos — por favor, amiga.
— tudo bem, mas não quero demorar.
— bora lá pro banheiro!
— amiga, vou no banheiro com a leti, já volto – falo no ouvido de iara — você vai ficar bem?
— fico sim – iara diz — mas não demorem.
— não vou! bora 'leti – digo e ela sai andando na frente, segui ela passando pela multidão indo até o banheiro, que 'tava vazio e tocava som abafado do show lá fora — o que era, amiga?
— sobre o kevin...
— leti sinceramente, eu não tenho nada pra falar sobre ele – digo direta, lavando as mãos na pia — você tinha razão, já se passaram meses, esse papo fica no passado mesmo.
— sim, eu sei, mas é que sei lá – brinca com as pulseiras no braço — não quero que você tenha uma visão ruim sobre mim, saca?
— por você estar pegando meu ex abusivo? – falo de repente e me arrependo no mesmo instante — amiga, desculpa! eu não quis dizer isso, eu não ligo mesmo por você estar ficando com ele.
— você jura?
— juro.
— não queria que você ficasse magoada comigo, rolou naturalmente e como você sempre evita ele, imaginei que não ia se importar.
— e não me importo – sorri secando as mãos — fica de boa.
— muito obrigada amiga – diz e me abraça — de verdade mesmo.
— não tem que agradecer, não fiz nada – retribuo o abraço — mas podemos voltar pro show? acho que ele vai cantar novo balanço, é minha favorita.
— vamos!

eu já imaginava que a conversa poderia ser sobre isso mas sinceramente eu tava sem saco pra falar qualquer coisa ou discutir sobre esse assunto. era chato? era. eu faria esse tipo de coisa com alguma amiga minha? nunca na minha vida, mas suave, cada um com seus princípios e como ela disse, rolou naturalmente, são coisas que eu não posso e nem devo interferir. saímos do banheiro e passamos novamente por aquele tanto de gente, era cada empurrão que só jesus na causa. fitei o palco por uns segundos e jurei ter visto o ghard me encarando. ri sozinha de mim mesma e voltei a beber da minha bebida, deve que é ela fazendo efeito. e eu devo ter a boca santa, porque foi só falar que ia tocar novo balanço que ele começou a cantar. essa eu gostava demais, grudei o corpo com a iara e começamos a cantar a música, enquanto ela gravava um story. encarei o menino no palco novamente e aí sim eu tive certeza, ele tava me encarando, e o pior que me deixou envergonhada, então desviei o olhar pro chão, dando um riso fraco.

[...]

o show já tinha acabado e eu 'tava exausta, cantei demais, bebi mais do que deveria e ainda flertei com um dos cantores, pode isso? a casa de show já 'tava praticamente vazia, se tinha vinte e poucas pessoas naquele local era muito. iara me disse que ia no banheiro pela milésima vez e dessa vez leticia foi com ela, já que meu pé 'tava me matando. eu 'tava pegando nossas coisas pra irmos lá pra fora esperar o uber, até o kevin chegar por trás de mim e me dar um susto.

— meu deus kevin – coloco a mão no peito, sentindo ele bater forte — pra que chegar assim do nada?
— foi sem querer – ri — você 'tá linda hoje.
— de novo com esse papo?
— que foi? não posso nem elogiar minha namorada não?
— namorada? – ri — eu nunca namorei com você não, 'tá se passando aí.
— vai falar que você não sente saudade de nós?
— você quer mesmo que eu te responda?
— nao precisa mentir, maju. da pra ver que sente – diz com toda certeza do mundo, claramente bêbado e começando a me assustar — de tudo que vivemos, das viagens, das nossas tran...
— ai, cala a boca! pode parar de encher minha paciência? – digo já irritada, meu corpo formigava de agonia por estar perto dele — me respeita e respeita a menina que você 'tá ficando, isso é feio.
— a leticia? nem tenho nada sério com ela – deu de ombros, chegando mais perto — ficamos as vezes e só isso, um lance de fim de noite.
— você continua o mesmo babaca – digo me afastando — certas coisas nunca mudam.
— fala direito comigo, que eu não sou nenhum otário não – diz firme, aparentemente irritado — acho bom me respeitar.
— quer mesmo pedir respeito? se toca, não era nem pra você estar falando comigo depois de tudo que me fez – rebati irritada, confesso estar meio bêbada e nessa hora eu provavelmente já 'tava falando mais alto do que pensava — não enche a porra do meu saco.
— maria, é que...
— tchau kevin, já deu – não deixo ele terminar de falar e pego minhas coisas e da iara, desbloqueando a tela afim de pedir um uber e vejo ele tirar o celular da minha mão com certa força — você tem algum problema mental? me da meu celular!
— não vou dar nada!

[...]

𝐋𝐈𝐁𝐄𝐑𝐓𝐈𝐍𝐀, 𝗀𝗁𝖺𝗋𝖽.Onde histórias criam vida. Descubra agora