Taehyung, a essa altura, já havia explorado tudo o que desejava nas terras de sua família. Conhecera cada canto delas, cavalgara pelos campos, participara de passeios e encontros, encontrara diversos primos e aprendera mais sobre sua mãe e os negócios da família. Este último ponto era especialmente importante, pois, se quisesse permanecer na superfície próximo à família e a Jimin, ele precisaria ser o elo entre o clã e a realeza. Por isso, dedicava-se a entender sobre os mantimentos que aquelas terras forneciam ao reino para cumprir bem esse papel.
Mas, no fundo, Taehyung achava aquilo entediante, tinha que aprender coisas humanas chatas e complexas para entender os negocios da familia e ser util. Enquanto tudo que ele ansiava era algo muito mais simples: estar perto de Jimin e passar os dias ao lado dele, em paz. Não conseguia tirá-lo da cabeça, pensava constantemente em seus lábios cheios e macios, no jeito como sua franja caía suavemente sobre a testa, em cada pequeno detalhe que tornava Jimin tão único.
Os pensamentos de Taehyung voltavam frequentemente para as mãos do rapaz, o dedinho pequeno que ele achava inexplicavelmente adorável, suas provocações que sempre vinham acompanhadas de um sorriso travesso. Até mesmo a máscara de perfeição que Jimin usava em eventos importantes da realeza — aquela postura impecável e controlada que Taehyung sabia ser apenas uma fachada — era algo de que sentia falta. Ele ansiava por tudo isso, cada parte verdadeira ou construída de Jimin, como se a ausência dele deixasse um vazio impossível de preencher.
Esse pensamento tornou-se mais sombrio ao lembrar que quase perdera Jimin duas vezes. A simples ideia de não ter conseguido salvá-lo causava-lhe uma dor quase física, uma pontada no peito que o fez fazer uma careta involuntária. Seu priminho, que viera chamá-lo para o almoço, notou a expressão estranha e não conseguiu conter a curiosidade.
— Por que tá fazendo careta? — perguntou o garoto, com olhos atentos.
— [Ah, só estava pensando em uma possibilidade ruim] — sinalizou Taehyung com um pequeno sorriso, tentando disfarçar a tensão.
— Vem! Tá na hora do almoço! Sua noiva ajudou a fazer a comida. Ela tá se adaptando bem aos nossos costumes — disse o menino, correndo à frente com entusiasmo.
Taehyung suspirou e o seguiu. A família dele era diferente de outras famílias nobres. Embora tivessem empregados, mantinham o hábito de realizar tarefas domésticas, principalmente enquanto estavam em suas terras, longe dos olhares e fofocas da nobreza tradicional. Homens e mulheres eram ensinados a fazer de tudo: cozinhar, limpar e administrar. Era uma tradição de autonomia e atividade, mesmo com a educação refinada e adequada ao seu status.
Esse estilo de vida, embora eficiente, alimentava rumores entre as outras famílias nobres. Diziam que os homens da família raramente casavam com mulheres de outros clãs aristocráticos, preferindo esposas que compreendessem e compartilhassem seus costumes. Claro, havia exceções — como a mãe do menino que Taehyung seguia, que viera de uma família nobre tradicional e se adaptara bem ao estilo de vida mais ativo daquela casa.
Assim que chegaram à sala de jantar, Sungjae correu para se sentar ao lado de Mikha. Ele adorava a moça, vendo nela uma espécie de irmã mais velha. Embora soubesse das fofocas sobre ela e Taehyung serem um casal apaixonado, o menino tinha outra percepção. Ele notava a forma neutra com que seu primo olhava para Mikha — sem o brilho de quem nutre sentimentos românticos. Pior ainda, Sungjae sabia exatamente para quem Taehyung reservava esse olhar especial. E apesar de sua pouca idade, o garoto compreendia o perigo que esse segredo poderia trazer para Taehyung e, por isso, jamais revelava o que sabia a ninguém nem mesmo ao primo. Em vez disso, tentava compensar a aparente indiferença de Taehyung com gestos afetuosos e brincadeiras para Mikha, na esperança de que ela não se sentisse completamente negligenciada.
Após o almoço, Mikha e Taehyung saíram para um passeio, algo que costumavam fazer para manter as aparências. Ela parecia especialmente animada naquele dia, quebrando o silêncio com um sorriso travesso.
— Eu tinha uma missão ao vir para cá — começou, olhando para ele. — É uma coisa boba que faço com meus irmãos sempre que viajamos, sabe? Só pra deixar a viagem divertida. A minha missão é um pouco mais abstrata do que a deles, mas ainda assim importante.
Taehyung, curioso, franziu o cenho e sinalizou para que ela continuasse.
— Primeiro, eu precisava checar se você realmente não tinha interesse no acordo de casamento. — Ela riu ao lembrar. — E isso foi fácil! Foi a primeira coisa que você deixou claro. Se eu fosse egocêntrica, me sentiria extremamente rejeitada.
Taehyung ficou ligeiramente envergonhado e sinalizou um pedido de desculpas, o que a fez rir ainda mais.
— Ah, não precisa se desculpar! — Mikha disse, balançando a cabeça. — Depois disso, minha missão era te ajudar. Sabe, eu vi você com aquele humano no oceano, não foi difícil deduzir que fugiu por causa dele. Então pensei em como poderia facilitar as coisas, minha ideia é fazer parecer que parti seu coração. Assim, você terá uma desculpa para continuar solteirão por anos sem levantar suspeitas depois de "perder seu primeiro amor".
Taehyung a olhou surpreso. A princípio, achou a abordagem dela quase infantil, como se tudo isso fosse apenas uma brincadeira para tornar as coisas mais leves. Ainda assim, ele reconheceu a ajuda que Mikha estava oferecendo. Não havia razão para se irritar com ela. Seria muito mais complicado se ela tentasse forçá-lo a cumprir o acordo de casamento.
No entanto, algo não saía de sua cabeça. Mikha sempre dava um jeito de olhar discretamente para seu tio durante os eventos e inventava desculpas para ir à paróquia confessar-se a cada dois dias. Havia algo ali, algo que ela ainda não tinha compartilhado.
— [Então você está aqui por curiosidade? Para viver um conto de fadas que ouviu nas histórias?] — ele sinalizou, arqueando uma sobrancelha.
— É, basicamente isso. — Mikha deu de ombros, rindo levemente. — Mas tem mais do que isso. A gente queria ver o mundo humano, sentir como é estar aqui. Não é só sobre romance ou histórias, é sobre liberdade, sobre explorar o que sempre nos foi negado. — Ela parou, pensativa, antes de continuar. — E eu confesso, é fascinante... e assustador ao mesmo tempo.
Taehyung franziu a testa, tentando processar as palavras dela. — [E por que essas escapadas para a paróquia, você nem acredita no deus deles porque precisaria de confersar tanto?]
Mikha corou levemente, mas riu de novo, desviando o olhar. — Ah, você percebeu? Seu tio é interessante... Não se preocupe, não é nada sério! Só... uma admiração passageira. Ele tem essa aura misteriosa, sabe? E eu gosto de desafios. — Ela piscou para ele, tentando amenizar a confissão. — Quanto a você, bem... é porque, apesar de tudo, acho que merecemos finais felizes. Eu posso não vou ter o meu, mas se eu puder ajudar você a conseguir o seu, por que não?
Taehyung suspirou e depois sorriu. Mikha era um mistério por si só, um quebra-cabeça de intenções e atitudes. No entanto, havia algo genuíno em suas palavras, mesmo que sua lógica fosse um pouco caótica. Era curioso como ela parecia à vontade para confessar algo que, para ele, soava como um segredo peculiar. Seu sorriso era sincero, mas a explicação só aumentava sua desconfiança e deixava um misto de admiração e incredulidade em sua expressão.
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Destiny - Vmin Minv
FanfictionNos confins do oceano e no coração de um reino terrestre, dois mundos colidem através de um amor proibido. Jimin, o príncipe herdeiro de um reino humano, luta contra a opressão de um rei cruel e os perigos de uma corte cheia de intrigas. Por outro l...
