43. Delirios

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Desde que a febre de Jimin havia começado, os delírios começaram e se tornaram cada vez mais vívidos e imersivos. Ao cair doente, o corpo debilitado não resistia, e sua mente começou a criar cenários alguns impossíveis, onde ele estava em um lugar distante da sua realidade. O primeiro desses delírios foi tão surreal quanto desconcertante. Ele e Taehyung estavam juntos, governando os reinos de forma compartilhada, e passavam noites em um local mágico, na divisa da terra com o mar. Um lugar que, em qualquer momento, ele sabia que não poderia existir, e mais, que jamais seria possível. Mas, naquele delírio, ele sentia como se fosse a coisa mais natural do mundo, um mundo onde eles reinavam lado a lado em perfeita harmonia.

Quando despertou pela primeira vez, a transição entre o sonho e a realidade o deixou confuso e deslocado. Ele estava deitado em sua cama, o quarto de sua primeira infância, mas havia algo diferente no ar, algo que o fez sentir uma sensação estranha e desconfortável. Ao seu lado rei, o observava atentamente, com um olhar que parecia misturar preocupação e um toque de posse. Jimin, ainda exausto, mal teve forças para rejeitar a comida que seu pai lhe oferecia com aparente zelo e sua mão tremia levemente ao pegar a taça que o homem lhe estendia. Sua mente ainda flutuava entre os delírios e a realidade, e logo, sem forças para resistir, ele caiu novamente em um sono profundo, entregando-se ao próximo delírio.

Neste segundo sonho, ele se viu como um tritão, imerso no oceano, onde era um rei consorte ao lado de Taehyung. O cenário era de uma beleza estonteante, e tudo parecia tão real. Eles governavam juntos, em um reino subaquático, onde os peixes nadavam tranquilamente e a luz do sol filtrava pelas águas, criando um ambiente mágico e sereno. Jimin podia sentir o peso das responsabilidades, mas também uma paz profunda ao estar ao lado de Taehyung. A conexão entre eles, mesmo nesse mundo submerso, parecia inquebrável. Mas, quando ele começou a perceber os detalhes do sonho, algo o incomodou. A realidade desse mundo não fazia sentido. Ele sabia que isso não poderia ser real, e a tristeza que tomou conta dele foi imediata, uma sensação de perda irreparável. Logo, a sensação de estar acordando o envolveu, e ele se sentiu arrastado de volta para a escuridão.

Ao abrir os olhos novamente, ainda imerso na neblina da confusão, Jimin viu algo que fez seu coração disparar. Havia um tritão à sua frente, um dos candidatos ao casamento de Taehyung. Ele mal conseguiu murmurar uma única palavra, "tritão", antes de perder os sentidos mais uma vez. O mundo ao seu redor desapareceu, e ele foi arrastado para um sono profundo, onde as fronteiras entre o real e o imaginário se tornaram ainda mais tênues.

O terceiro delírio surgiu com a mesma intensidade que os anteriores e novamente o cenário era diferente dos anteriores. Ele se via em um mosteiro, grande e imponente, que havia visitado na infância. Taehyung estava ao seu lado, e ambos pareciam viver em uma realidade que não conheciam, mas que de alguma forma lhes parecia confortável e certa. Eram padres, dedicados ao cuidado do local e das pessoas ao redor. Passavam os dias juntos, ajudando nas tarefas e nos serviços do mosteiro, e as noites eram reservadas para os dois, buscando refúgio na companhia um do outro. Mesmo sem luxos, sem o conforto do palácio ou dos reinos, estavam felizes, simplesmente por estarem juntos. A serenidade daquele lugar parecia ter o poder de curar as angústias que Jimin sentia em seu peito.

No entanto, a felicidade logo se desfez, como sempre acontecia. Quando a clareza do sonho começou a se dissipar, Jimin percebeu, mais uma vez, que tudo aquilo não passava de uma fantasia. Era um sonho, mais um delírio de sua mente enfraquecida pela febre. A tristeza o invadiu ao perceber que, como nos outros delírios, ele jamais poderia viver aquela realidade. Quase no momento em que acordava, um sentimento estranho surgiu. Ele sentiu-se mais forte, mais disposto, como se algo tivesse mudado, algo dentro dele, algo real. Com isso, conseguiu engolir a comida que Miguel lhe oferecia com tanto carinho, uma tentativa de reabastecer seu corpo debilitado. Porém, ao olhar para o lado e ver o tritão de antes. Jimin se perguntou, perplexo, se ainda estava no meio de um sonho. O delírio parecia se entrelaçar com a realidade de uma forma desconcertante, e ele não sabia mais o que era real. E apesar da melhora evidente, seu corpo ainda estava fraco e, antes que pudesse entender completamente o que estava acontecendo, perdeu a consciência novamente, sendo levado para um quarto delírio.

Dessa vez, ele se viu como o rei, morando em um castelo imponente próximo ao mar. Taehyung era o membro mais importante da corte real e, embora os dois passassem algum tempo juntos, o relacionamento deles era repleto de desafios e limitações. O tempo juntos era raro, pois Taehyung tinha suas viagens para as terras do clã, onde resolvia pendências importantes, e Jimin, como rei, tinha seus próprios deveres. Mesmo assim, estavam felizes, ou pelo menos, o quanto poderiam ser dentro dos limites daquele relacionamento escondido. A última coisa que Jimin se lembrava do sonho, antes de acordar, foi de abraçar Taehyung e prometer-lhe seu coração, uma promessa silenciosa de amor eterno.

Quando Jimin acordou, a luz da lua invadia o quarto vazio. Ele se sentiu mais forte do que antes, mas ainda assim não completamente curado. Levantou-se da cama com esforço, percebendo que seu corpo estava rígido, como se tivesse permanecido inativo por dias. Não sabia exatamente quanto tempo tinha se passado desde que desmaiara, mas sentiu que o desgaste físico era evidente. Silencioso, ele saiu do quarto e caminhou pelos corredores do palácio, tomando cuidado para não fazer barulho. Quando ouviu vozes ao longe, parou imediatamente, instintivamente se escondendo nas sombras, tentando não ser notado.

Destiny - Vmin MinvHistórias para pegar e não largar. Descubra agora