74. Ciumes e paciencia

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Taehyung estava animado ao retornar ao palácio. As aulas de cura com Pablo haviam sido incrivelmente produtivas, e, com o tratamento constante, em poucos dias Jimin estaria totalmente recuperado. Apesar disso, algo o deixava inquieto: a proximidade entre Miguel e Pablo quando se tratava da investigação. Taehyung percebia que os dois evitavam compartilhar detalhes com ele, especialmente sobre os suspeitos ou a possível mandante da tentativa de homicídio contra Jimin. A desculpa era sempre a mesma: sua natureza impulsiva poderia levá-lo a agir de forma precipitada e descarregar sua raiva em alguém inocente.

Ele tentava ignorar o incômodo causado pela falta de confiança dos amigos, embora soubesse que, no fundo, eles não estavam totalmente errados. Taehyung tinha uma tendência a agir antes de pensar, embora estivesse se esforçando para mudar isso nos últimos tempos. Decidido a não se deixar levar por pensamentos negativos, ele caminhou em direção à ala onde ficava o quarto de Jimin, ansioso para vê-lo.

Ao se aproximar, porém, algo chamou sua atenção. A porta estava entreaberta, e ao espiar discretamente, viu Jimin segurando as mãos de um rapaz loiro — Cristian, que reconheceu de imediato. O ciúme surgiu, quente e desconfortável, fazendo seu peito apertar. Mas antes que pudesse ser dominado pela emoção, resolveu ouvir o que estava sendo dito.

As palavras que chegaram até ele não eram o que esperava. Não havia flerte da parte de Cristian como na última vez. Pelo contrário, o conteúdo da conversa o abalou de outra maneira. Eles falavam sobre escolhas difíceis, sobre responsabilidades, sobre sacrifícios que Jimin poderia precisar fazer. Taehyung sentiu uma pontada de preocupação misturada com tristeza; parecia que, mesmo sem perceber, Jimin estava lidando com mais do que ele deixava transparecer.

Respirando fundo, Taehyung decidiu entrar no quarto, tentando não demonstrar o turbilhão de sentimentos que o consumia. Ele sabia que Jimin sempre demonstrava sua lealdade e que seria injusto brigar ou criar qualquer conflito por sua própria insegurança. Assim que passou pela porta, Jimin percebeu sua presença e, com um sorriso que iluminava o ambiente, foi ao seu encontro. Sem hesitar, Jimin o abraçou com força, como se tivesse esperado por aquele momento durante todo o dia.

Cristian, por sua vez, revirou os olhos discretamente, bagunçou o cabelo de Jimin com um gesto quase fraternal e disse:

— Não faça loucuras, meu príncipe.

E com isso, deixou o quarto, caminhando pelo corredor do palácio.

Quando ficaram sozinhos, Jimin não conseguiu afastar a inquietação que sentia. Lembrou-se de como Taehyung reagira da última vez que o encontrou com Cristian. Naquela ocasião, o tritão ficara visivelmente irritado, demonstrando ciúmes. Agora, no entanto, ele parecia calmo, quase distante. Essa aparente tranquilidade apenas alimentava a paranoia de Jimin.

"Ele não está com ciúmes? Será que não me deseja mais?", pensou, enquanto uma sensação de insegurança voltava a tomar conta.

— Me beija... — pediu, quase como uma súplica.

Taehyung, que estava perdido em seus próprios pensamentos, tentando não agir de forma impulsiva e ciumenta, atendeu ao pedido com um selinho rápido, suave, mas sem a intensidade que Jimin desejava.

A reação deixou Jimin ainda mais frustrado.

— Você não me deseja mais? — murmurou, sua voz falhando, enquanto olhava para Taehyung com ansiedade. — Você mal me toca e sempre para quando eu tento!

Taehyung ficou surpreso com as palavras de Jimin, mas logo começou a rir, não de maneira debochada, mas genuína, como se achasse aquilo completamente absurdo. Não desejar Jimin? Para ele, a ideia era tão inconcebível que parecia uma piada. Ele precisava lutar contra cada fibra do seu ser todos os dias para não ultrapassar os limites, enquanto Jimin ainda estava vulnerável. Mas, ao ver a frustração nos olhos do outro, percebeu que havia passado do ponto.

Jimin, sentindo-se rejeitado e ainda mais irritado pela risada de Taehyung, começou a bater no peito dele com força.

— Você é um idiota! — gritou

Taehyung pegou Jimin com cuidado , interrompendo o rapaz e o puxou para cama. Ele sentou e colocou o menor para sentar-se em seu colo.

— [Desculpa, se dei a entender algo tão absurdo] — Taehyung sinalizou com as mãos, o sorriso brincalhão suavizado pela expressão carinhosa.

— Você riu da minha cara, seu idiota! — Jimin respondeu, indignado voltando a bater no peito do rapaz

— [Você falou um absurdo tão grande que não aguentei!] — Taehyung sinalizou novamente, o sorriso bobo ainda no rosto.

Ele segurou as mãos de Jimin e levou até aos lábios e beijou os dedos dele devagar, como se tentasse dissipar qualquer dúvida ou insegurança.

— E está doendo, sabia? Você não é nem de longe tão fraco quanto imagina — Taehyung reclamou, se fazendo de coitado ainda segurando as mãos de Jimin

— Certeza que nem doeu, nem botei força... — Jimin resmungou, revirando os olhos, mas o tom de sua voz já não era tão irritado.

— [Doeu sim, você subestima sua força!] — Taehyung solta as mãos de Jimin e sinaliza, com uma expressão exagerada de dor e um sorriso travesso logo em seguida, claramente tentando aliviar a tensão entre eles.

Jimin bufou, mas o canto de sua boca ameaçava formar um sorriso. Ele odiava como Taehyung sempre sabia exatamente o que fazer para desarmá-lo.

— Você é impossível, sabia? — Jimin disse, cruzando os braços, mas permanecendo sentado no colo de Taehyung.

— [Impossível de resistir, talvez?] — Taehyung sinalizou, o sorriso provocador voltando enquanto ele inclinava a cabeça, observando Jimin com carinho. - [Deve ser isso né, já que ficou tão afetado por alguns dias sem me tocar]

— Idiota. — Jimin murmurou, mas dessa vez não havia raiva em sua voz, apenas um tom carinhoso e levemente embaraçado.

Taehyung riu baixinho, passando os braços ao redor da cintura de Jimin,

- Daqui a alguns dias vai vai está totalmente recuperado, só tenha mais um pouco de paciencia.

Jimin sorriu finalmente, sentindo uma onda de alívio. Tudo ficaria bem. Eles ficariam bem.


Destiny - Vmin MinvOnde histórias criam vida. Descubra agora