36. Boto

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Pablo caminhava pela praia na metade da manhã, os detalhes meticulosamente planejados de sua viagem refletindo em sua elegância. Ele vestia-se de maneira impecável, com um pequeno saco de pérolas em uma das mãos e varias escondidas na suas roupas. A brisa fresca no rosto trazia uma sensação revigorante, e seus olhos brilhavam com uma mistura de curiosidade e fascínio, captando cada detalhe ao seu redor. Sua beleza exótica e expressão confiante não passaram despercebidas, atraindo olhares de vários banhistas com os quais conversou e colheu informações.

Foi então que, à distância, uma jovem chamou sua atenção. Ela estava acompanhada de alguns rapazes, mas isso não foi um obstáculo para Pablo. Com um sorriso despreocupado, aproximou-se dela, intrigado e encantado pela naturalidade que ela emanava.

Liliana ajudava os irmãos a se prepararem para pescaria, uma atividade que servia tanto como uma fonte de renda quanto de alimento. Sua pele bronzeada casava com o cabelo cacheado, bagunçado pelo vento, e ela demorava um pouco para notar o jovem rapaz se aproximando.

Quando finalmente levantou o olhar, encontrou-se com a figura de Pablo, que se destacava entre os outros banhistas. Algo nele parecia familiar, como se tivesse visto um primo de um amigo ou algo assim.

— Oi, bela moça. Será que poderia me dar uma informação? — perguntou Pablo, com uma voz tranquila.

Antes que Liliana pudesse responder, seu irmão mais velho se interpôs entre os dois, observando Pablo com uma expressão de cautela.

— Infelizmente, ela não pode — respondeu David, mantendo um tom sério. — Não é de bom tom moças comprometidas conversarem com estranhos. Mas qualquer coisa, pode perguntar a mim.

Pablo arqueou as sobrancelhas, surpreso, mas manteve o sorriso. Ele realmente só queria uma informação, mas a reação defensiva do rapaz despertou seu lado provocador.

— Ah, então é com você que ela está comprometida? — disse Pablo, deixando o tom levemente venenoso. — Não precisa ser tão inseguro. Eu só queria algumas informações sobre a família real dessas terras.

O outro irmão riu, e Liliana revirou os olhos, mas respondeu com um sorriso.

— Na verdade, somos irmãos. E, sinceramente, sabemos o que todo mundo sabe sobre a família real. Nada além disso — explicou ela, tentando descontrair a situação.

Pablo inclinou a cabeça, ainda curioso.

— E o que todo mundo sabe? Sou novo por essas bandas — insistiu Pablo, deixando escapar um brilho astuto no olhar. — E pagarei pela informação. — Com um movimento teatral, tirou uma pérola negra do saco e a mostrou a Liliana.

Liliana hesitou, ansiosa. A ideia de vender informações da família real para um estrangeiro, ainda que fossem apenas boatos, a deixava desconfortável. Mas antes que pudesse responder, seu irmão caçula, sempre mais impulsivo, pegou a pérola e começou a falar, claramente encantado com a oportunidade.

— Bem, o rei tem um herdeiro, muito amado pelo povo, sabe? Herdou a popularidade da mãe — contou José, examinando a pérola de perto. — Só que andam dizendo por aí que o rei quer um segundo casamento com sua concubina favorita que está grávida. 

Pablo ergueu uma sobrancelha, interessado.

— É mesmo? Fofoca de palácio, hein? — sorriu, divertindo-se. — Bom, se tiverem mais dessas histórias, vou precisar de mais pérolas aqui.

Liliana lançou um olhar repreensivo para o irmão, mas o rapaz apenas deu de ombros, deixando claro que estava mais do que disposto a seguir o jogo. Observando a cumplicidade entre os irmãos, Pablo viu a chance de levar a interação um pouco além.

Destiny - Vmin MinvHistórias para pegar e não largar. Descubra agora