49. Mitologias

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Miguel estava confuso. Era muita informação para processar de uma só vez. Depois de se certificar de que Jimin estava dormindo e trancar o quarto para evitar interrupções, ele foi atrás de Pablo, determinado a obter mais respostas.

Encontrou o tritão casualmente encostado em uma parede, brincando com uma pedra que rolava entre os dedos. 

— O Taehyung... — Miguel começou, hesitando. — Ele tem mesmo poder para afundar um continente?

Pablo parou de brincar com a pedra e olhou para Miguel com uma expressão indecifrável, meio divertida, meio séria.

— Sim, mas ou menos, talvez um reino inteiro. — Respondeu com simplicidade, mas com um brilho afiado no olhar. — A família dele é a mais poderosa entre as famílias reais por... algumas razões.

— Que razões? — Miguel pressionou, cruzando os braços. — Tipo, você poderia fazer isso também?

Pablo riu suavemente, afastando-se da parede e colocando as mãos nos bolsos.

— Não, afundar um reino inteiro não, mas alagar boa parte dele sim. — Ele deu de ombros. — E nossa espécie é... diferente. é uma especie híbridos, sabe? Meus ancestrais vieram de uma linhagem misturada, mas não somos como a familia dele, pois a família do Taehyung é especial.

Miguel estreitou os olhos, cada vez mais intrigado.

— Especial como?

— Mestiçagem. — Pablo respondeu com naturalidade, como se estivesse falando sobre o clima. — A linhagem da família do Taehyung vem de gerações de cruzamentos com humanos. Isso fez a magia deles ficar mais forte. E pelo que o Jimin disse, Taehyung é mestiço. Isso o torna ainda mais poderoso.

Miguel piscou, processando a explicação.

— Então, você está dizendo que... eles são assim por causa de humanos?

Pablo suspirou, balançando a cabeça como se estivesse lidando com uma criança curiosa.

— Sim. — Ele começou a caminhar pelo ambiente. — Há muito tempo, o deus do mar teve filhos com humanas. Esses filhos nasceram híbridos: metade humanos, metade criaturas do mar. Eram poderosos, tinham magia mas viviam entrando em guerra uns com os outros.

— E o que aconteceu? — Miguel perguntou, inclinando-se para frente, completamente envolvido.

— O deus do mar resolveu o problema transformando peixes em sirenes e deu a cada filho um reino. Depois, isolou os mares por centenas de anos. — Pablo fez uma pausa, olhando para Miguel por cima do ombro com um sorriso irônico. — Mas, assim que o isolamento terminou, as guerras voltaram.

Miguel franziu o cenho.

— Por quê?

— Porque, no fundo, ainda somos muito humanos. — Pablo respondeu, sua voz carregada de amargura. — Não importa se temos caudas, tentáculos ou magia. Somos movidos pelos mesmos desejos, fraquezas e futilidades que vocês.

Miguel ficou em silêncio, absorvendo as palavras de Pablo. Era difícil acreditar em tudo aquilo, mas a naturalidade com que ele falava fazia parecer real. E, no fundo, Miguel sabia que já havia visto coisas demais para continuar negando.

— Então, vocês estão sempre em guerra? — Ele perguntou, hesitante.

Pablo riu, balançando a cabeça.

— Não somos tão ruins assim. Aprendemos com vocês. — Ele abriu os braços, como se apresentasse uma peça teatral. — Fazemos casamentos, alianças, acordos de paz entre os reinos. Claro, isso só funciona até alguém decidir quebrar o acordo.

Destiny - Vmin MinvOnde histórias criam vida. Descubra agora