69. Sereia e a concubina

36 17 46
                                        

No palácio, Mikha começou a notar que a rainha Miran às vezes a observava de maneira demasiadamente intensa. Inicialmente, achou que a soberana poderia estar irritada com a atenção que ela dava à concubina. Desde que chegara ao palácio, Mikha havia se afeiçoado à jovem e, sem pedir permissão a ninguém, usara sua magia para curá-la às escondidas enquanto ela dormia. Isso significava passar um bom tempo nos aposentos da concubina, em um nível de proximidade que poderia ser mal interpretado.

Com o passar dos dias, no entanto, Mikha começou a questionar novamente suas primeiras impressões. Havia algo mais nos olhares da rainha — não eram marcados por hostilidade ou desconfiança, mas por uma tristeza velada, quase nostálgica. Era um tipo de emoção que Mikha não sabia como interpretar. O mistério se aprofundou quando ela notou Miran lançando o mesmo olhar para a concubina nas raras ocasiões em que esta conseguia caminhar pelos corredores do palácio. O olhar carregado da rainha parecia guardar um segredo, um fragmento de uma história antiga que ninguém ousava mencionar. Aquilo deixou Mikha intrigada, e ela passou a observar Miran e a concubina com mais atenção, tentando juntar as peças de um quebra-cabeça invisível.

Uma noite, enquanto caminhava pelos corredores, Mikha finalmente decidiu confrontar a rainha.

— Majestade — ela chamou, hesitante.

Miran ergueu o olhar, surpresa com a abordagem.

— Mikha. O que deseja a esta hora?

— Preciso perguntar algo. — Ela hesitou por um instante, mas tomou coragem. — Percebi seus olhares. A senhora observa a concubina e a mim com certa frequência. Não creio que seja apenas por ciúmes ou desconfiança.

A rainha suspirou, desviando o olhar para a janela.

— Você é perspicaz. — Um leve sorriso triste apareceu em seus lábios. — A verdade é que me recordo de algo... algo que perdi.

Mikha franziu o cenho, intrigada.

— O que quer dizer?

Antes que Miran respondesse, o som de passos interrompeu a conversa. Uma criada se aproximava, era Maria o que forçou a rainha a se recompor e encerrar a conversa.

— Esqueça, Mikha. Algumas histórias são melhor deixadas no passado.

No entanto, a inquietação de Mikha não se resumia aos mistérios do palácio. Algo mais a corroía por dentro: a ausência de notícias do padre Joon. O prazo que ela havia estabelecido para sua missão estava se aproximando, e a ideia de retornar ao mar sem seu amado a deixava cada vez mais ansiosa. A incerteza sobre o futuro tornava cada dia mais difícil de suportar, e ela buscava distrações para manter a mente ocupada.

Foi em um desses momentos que Mikha notou algo peculiar. Conversando com a criadagem nos corredores, viu seu irmão Pablo saindo do castelo acompanhado de Taehyung. Embora não tivesse ideia de onde os dois haviam ido, não foi isso que despertou sua curiosidade. O que realmente chamou sua atenção foi um criado novato, de comportamento estranho, que saiu discretamente logo após os dois e voltou cerca de meia hora depois, agindo como se quisesse passar despercebido.

Movida pela curiosidade, Mikha resolveu segui-lo. O criado caminhou pelos corredores com passos apressados, olhando para os lados como se quisesse garantir que ninguém o notasse. Ele parou apenas quando chegou à entrada dos aposentos do rei. Mikha observou de longe enquanto o criado desaparecia lá dentro.

Seu coração acelerou, e ela sentiu um frio na barriga.

— Por que ele estaria indo diretamente aos aposentos do rei depois de seguir Pablo e Taehyung? — murmurou para si mesma, tentando controlar a enxurrada de pensamentos.

Destiny - Vmin MinvOnde histórias criam vida. Descubra agora