Joon não sabia como conseguira, mas de alguma forma, conseguiu. Engoliu o próprio choro e focou em acalmar Miguel, que claramente amava o pai e ainda sentia sua falta de forma dolorosa. Ofereceu os presentes, compartilhou histórias e o ouviu com paciência. Mas assim que o jovem se afastou, algo dentro dele rompeu-se.
Sem pensar duas vezes, ele foi atrás de Miran.
— Por que não me contou? — Sua voz saiu carregada e Miran imediatamente percebeu que algo estava errado. — Era a primeira coisa que deveria ter me dito!
Miran sustentou o olhar e Joon viu algo ali que o enfureceu ainda mais: pena e algo mais talvez culpa ou arrependimento.
— Faz anos, Miran! — A indignação transbordava, mas sua voz já começava a falhar. — Anos que ele morreu e você nunca me contou!
O peso das palavras esmagou qualquer autocontrole que ainda tinha. As lágrimas vieram antes que pudesse segurá-las.
— Rejeição eu aguento... Você sabe que eu aguento — a voz embargada, o peito subindo e descendo em respirações irregulares. — Mas isso... Isso eu não sei como suportar...
Joon desabou. Sempre soubera que Angelo fora muito importante para ele, mas só agora compreendia o quanto. Só agora percebia a real profundidade dos sentimentos que passara anos enterrando.
Miran se aproximou e sem hesitar, o envolveu em um abraço apertado.
— Eu não contei porque sabia que isso te destruiria — sua voz era baixa. — Joonie, eu sabia o quanto você gostava dele... Como eu poderia simplesmente escrever isso em uma carta e jogar essa dor sobre você? Eu... Eu também não podia ir até lá sem um bom motivo .
Joon apertou Miran contra si e um novo desespero tomou conta dele. A viagem deveria ter sido o ponto final em suas esperanças infundadas, não só por Angelo, sua paixão de juventude, mas também por Miran, sua primeira paixão. Mas agora, tudo parecia se partir dentro dele de novo. A dor da perda de Angelo queimava como uma ferida exposta e o calor do abraço de Miran só piorava sua dor e confusão.
Nada estava realmente no passado. Nada.
Os sentimentos sempre estiveram ali, apenas camuflados.
Ele se afastou apenas o suficiente para encarar Miran nos olhos.
— Eu sou amaldiçoado, Miran? — sua voz saiu rouca, desesperada. — Por que eu nunca consigo amar? Sempre fico preso na tortura da paixão, sem nunca experimentar o amor de verdade... Como você experimentou. Como Angelo experimentou. Até aquele desgraçado do Sung Hoon!
Suas mãos tremiam ao apertar os braços de Miran.
— Por que eu não posso ter isso? — sua respiração veio entrecortada, a dor quase transbordando. — Eu não aguento mais essa paixão... Ela queima, Miran. Dói. Dói demais...
Miran sentiu um peso esmagador no peito. Ver Joon sofrendo daquela forma a fez lembrar da última vez que o vira assim. Anos atrás, ele estava igualmente despedaçado. Os dois estavam. Por motivos diferentes, mas igualmente quebrados. Foi naquele dia que Joon desistiu do amor pela primeira vez.
Ela respirou fundo antes de responder, escolhendo bem suas palavras.
— Você não é amaldiçoado, Joon — sua voz era carregada de uma tristeza latente.
Joon prendeu a respiração.
— Mas se quiser, pode tentar de novo — continuou Miran, hesitante. — Eu... eu não sei como funciona o sacerdócio, mas você pode renunciar. Se decidir voltar a procurar o amor, eu ajudaria você e facilitaria o processo de sair do sarcedorcio.
Houve um silêncio pesado entre os dois. Miran sentiu um gosto amargo na boca ao dizer aquelas palavras, mas sabia que faria de tudo para ajudar Joon. Mesmo que isso significasse vê-lo partir para outra vida, outro destino.
Ao seu lado, Joon já não sabia mais o que sentir.
Mikha havia reacendido um coração que estivera frio por anos. Mas agora esse mesmo coração parecia ter sido arrancado e pisoteado. Como poderia sequer pensar em um futuro ao lado de Mikha quando era ainda tão assombrado pelo passado?
Era isso que o destino reservava para ele? Um ciclo interminável de dor?
A morte de Angelo. O destino cruel de Miran, casada com um homem perverso. E Mikha, doce Mikha, que havia se apaixonado por alguém tão confuso e quebrado quanto ele.
Por quem ele chorava, afinal?
Não sabia.
Só sabia que chorava, como uma criança pequena nos braços de Miran.
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Destiny - Vmin Minv
FanfictionNos confins do oceano e no coração de um reino terrestre, dois mundos colidem através de um amor proibido. Jimin, o príncipe herdeiro de um reino humano, luta contra a opressão de um rei cruel e os perigos de uma corte cheia de intrigas. Por outro l...
