78. Obcessão Real

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O rei estava furioso. Mikha havia desaparecido na calada da noite, escorregando por entre seus dedos como areia. E sua concubina preferida... Ah, aquela mulher. Normalmente submissa e encantadora, agora não fazia outra coisa além de chorar e reclamar, tornando-se um lembrete irritante de sua incapacidade de manter o controle sobre aqueles ao seu redor.

A atmosfera no palácio era sufocante. Os servos caminhavam apressados, de cabeça baixa, temendo até respirar perto demais. Ele percebia. Sentia o medo no ar, e parte dele se deliciava com isso. Outra parte, porém, ardia em frustração. O medo dos outros não bastava. Nada parecia bastar.

— Parem com essa choradeira! — rosnou, lançando um olhar gélido para a concubina, que soluçava de forma irritante sobre almofadas bordadas a ouro. — Acha que seus lamentos vão trazê-la de volta?

A mulher encolheu-se, mas não ousou responder.

Ele se levantou abruptamente, empurrando a mesa diante de si com tanta força que taças e pratos caíram no chão com estrépito. O barulho ecoou pelos corredores, fazendo os criados prenderem a respiração. Mas ele não se importava.

Tudo estava escapando de seu controle.

Para piorar, havia Jimin.

O rapaz caminhava pelos corredores acompanhado de uma versão mais jovem de Joon. O impacto daquela visão era como um soco no estômago toda vez que os via, fantasmas, ele os via em toda parte. Jin e Joon. Imagens que deveriam estar enterradas no passado e, no entanto, surgiam diante dele sem piedade.

Como isso era possível? Como o destino ousava brincar com ele desse jeito? O passado que ele desejava reviver lhe escapava, enquanto as memórias que lutava para esquecer se tornavam mais vívidas do que nunca.

Ele passou as mãos pelos cabelos, exasperado, voltando a caminhar de um lado para o outro.

O maldito herdeiro bastardo de Yuna continuava iludindo sua vigilância, sempre protegido pelo mercador estrangeiro e pela ala do príncipe. Mikha, que deveria estar ao seu alcance, havia sumido na noite, como se nunca tivesse estado ali. Miran... nem valia a pena tentar. Seu escudeiro era como uma sombra, uma barreira impossível de ultrapassar.

E aquele bastardo... A simples ideia de sua existência o corroía. Ele era a prova viva de que Yuna não fora apenas sua. Que pertencera a outro homem e isso o deixava louco. Mas eliminá-lo não era uma opção. O garoto era um herdeiro de sangue importante, o filho perdido e amado de uma família influente. Se morresse dentro do palácio, as suspeitas e instabilidades políticas poderiam desmoronar tudo o que ele lutara para construir.

Ainda assim, apenas saber que aquele bastardo respirava o fazia querer destruir algo.

Mas nada, nada, o enfurecia tanto quanto Jimin. Pelos deuses, o rapaz era fisicamente muito parecido com ele em sua juventude. Quase um reflexo, mas apenas por fora. Por dentro, ele era Jin. Do jeito de falar tão polido, os gestos, o maldito brilho determinado no olhar. Tudo nele evocava a sombra do irmão, um lembrete constante das comparações e da frustração que carregava desde sempre.

E o pior: Jimin não carregava nada do que Jin tinha de bom. Não havia cumplicidade, não havia laços fraternos. Apenas a maldita semelhança que o fazia sentir como se estivesse sempre preso ao passado. Seu amor e ódio por Jin se projetaram em Jimin, transformando seu próprio herdeiro em uma maldição. Ele queria que Jimin sumisse. Que desaparecesse de sua vida para que pudesse, ao menos, fingir que não carregava essa culpa dentro de si.

Mas seu filho com a concubina... esse, sim, seria diferente. Ele seria criado corretamente. Não teria a interferência de Miran, nem de ninguém que pudesse desviá-lo do caminho certo e não teria nada de Jin—nem em personalidade ou em espírito. Seria forte, um verdadeiro sucessor e para isso acontecer dessa vez, Sung Hoon não falharia como aconteceu na ultima vez.

Destiny - Vmin MinvOnde histórias criam vida. Descubra agora