41. Belladona

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Alguns dias depois, no palácio, Jimin começou a adoecer de forma súbita e misteriosa. Nenhum médico conseguia compreender o mal que o afligia. Ele parecia definhar a cada dia, ficando mais magro e frágil. A pele que antes exalava vitalidade agora estava pálida, quase translúcida, e os olhos, sempre brilhantes, estavam afundados em um semblante cansado.

Desesperada, a rainha mandava cartas a reinos vizinhos, suplicando por ajuda e conselhos médicos. Ela mobilizava todos os recursos disponíveis, mas nada parecia surtir efeito. A doença de Jimin era tão inexplicável quanto implacável.

O rei, que recentemente havia se aproximado muito do jovem, parecia igualmente abatido com o estado do príncipe. Ele passava horas ao lado do filho, conversando com os médicos ou simplesmente segurando sua mão em silêncio, a preocupação parecia evidente em cada linha de seu rosto.

Essa mudança na atitude do rei não passou despercebida no palácio. Muitos empregados cochichavam sobre como o rei, antes tão distante, agora se mostrava um pai zeloso e dedicado. A transformação era notável, e alguns criados arriscavam até um sorriso tímido ao vê-lo tentando alimentar Jimin com suas próprias mãos ou murmurando palavras de conforto ao pé da cama do rapaz.

Apesar de todo o esforço da família real e da equipe médica, o estado de Jimin só piorava. A fragilidade do príncipe era palpável, e um sentimento de impotência pairava sobre o palácio. A cada dia que passava, o medo de perder o herdeiro do reino crescia como uma sombra, envolvendo a todos em uma atmosfera de tensão e tristeza que começou a se espalhar pelo reino. 

As notícias sobre a saúde cada vez mais frágil do príncipe Jimin se espalharam como fogo, alcançando cada canto do reino. Desde as humildes vilas de pescadores até as distantes terras do clã Mangjeol, o rumor de que o herdeiro estava à beira da morte gerava comoção e medo. O povo, que admirava o príncipe, acendia velas em preces e oferecia presentes simbólicos às igrejas e templos, na esperança de um milagre.

Miguel, que havia passado alguns dias afastado do castelo devido à folga, retornou às pressas assim que soube da situação. Porém, desta vez, ele não estava sozinho. Ao seu lado estava Pablo, que conseguira acompanhar o escudeiro graças à boa impressão que o rapaz causara na rainha por sua bravura durante o desastre da enchente. Pablo, sempre atento e estrategista, não deixou passar a oportunidade de entrar no palácio.

— É estranho — comentou Miguel, enquanto caminhavam pelos corredores do castelo. — A saúde dele nunca foi motivo de preocupação, e agora, de repente, ninguém consegue explicar o que está acontecendo. Até o rei está abatido.

Ao entrar no salão onde as notícias sobre o estado de Jimin eram debatidas, Pablo permaneceu em silêncio, absorvendo cada detalhe da conversa. Ele sabia que precisava se aproximar de Jimin, descobrir se ele era o humano que estava com Taehyung no oceano e entregar os desenho e talvez pode-se ajuda-lo com magia de cura. Pensado nisso, ele pediu uma audiência com a rainha.

Quando finalmente esteve diante dela, Pablo sentiu-se impressionado. Apesar da aparência cansada e abatida pela preocupação com o filho, a rainha ainda exibia uma beleza impressionante que parecia resistir ao tempo.

— Bom dia, Vossa Majestade. — Ele curvou-se levemente, mantendo a compostura. — Soube do estado do príncipe e gostaria de oferecer minha ajuda. Sou um mercador de terras distantes. Trabalho com pérolas, sal e outros itens retirados do mar, mas também herdei o conhecimento de remédios tradicionais que têm curado doenças misteriosas por gerações em minha família. — Sua voz era firme e convincente, seus olhos transmitindo uma falsa sinceridade que ele havia aperfeiçoado ao longo dos anos. — Com sua permissão, gostaria de dar uma olhada no príncipe.

A rainha, desesperada e disposta a tentar qualquer coisa, hesitou por um instante antes de assentir.

— Se você realmente pode ajudar, farei o que for necessário. Por favor, faça o possível pelo meu filho. — Sua voz estava carregada de emoção, refletindo a esperança que ela tinha, mesmo que desconfiada do estranho.

Pablo entrou no quarto acompanhado de Miguel, mantendo uma postura calma e profissional. Quando seus olhos pousaram no príncipe, um lampejo de reconhecimento passou por ele. Era realmente o humano de antes. Uma sensação de triunfo o tomou — completar sua autoproclamada missão parecia agora inevitável.

Aproximando-se de Jimin, Pablo observou o príncipe com cuidado. Ele estava deitado, frágil, com a respiração lenta e irregular, quase inconsciente. Para Pablo, a situação era clara: Jimin não estava doente. Ele estava sendo envenenado. Um sorriso satisfeito surgiu por um breve momento em seus lábios, mas ele o disfarçou rapidamente antes de Miguel perceber.

Enquanto examinava Jimin, o príncipe abriu os olhos por alguns instantes, encarando-o com dificuldade. Seus lábios se moveram lentamente enquanto ele murmurava com voz rouca:

— Tritão...

Logo em seguida, Jimin desmaiou novamente.

Miguel, que estava ao lado, arregalou os olhos ao ouvir aquilo. Sua mente se encheu de perguntas e desconfiança enquanto encarava Pablo.

— O que ele disse? — Miguel perguntou, cruzando os braços. Sua voz era firme, quase desafiadora. Embora os ciúmes em relação a Pablo tivessem diminuído, suas outras desconfianças sobre o rapaz só aumentavam, mesmo com o início de uma amizade entre eles.

Pablo olhou Miguel por um momento, antes de responder, desviando o foco da pergunta.

— Acho que sei o que ele tem, mas preciso observá-lo por alguns dias e, para isso, só eu posso ter acesso a ele. E você sabe cozinhar?

— Sei, mas o que isso tem a ver? — Miguel perguntou, confuso.

— Tenho uma teoria sobre o que está deixando o príncipe assim e você vai me ajudar a testá-la. Vai me ajudar? — Pablo falou, sua voz séria e direta.

Miguel, ainda sem entender completamente, respondeu, seu tom mais suave agora.

— Claro, Jimin é importante para mim... Ele pode ser um pouco sem noção em algumas coisas, mas o vejo como um irmão caçula. Ver ele assim é assustador. — Pela primeira vez, Miguel parecia visivelmente abalado pela situação, a preocupação claramente visível em seus olhos.

 — Acho que a doença que ele tem não é natural. Alguém está colocando algo em sua comida ou bebida. Preciso de acesso contínuo a ele para monitorar de perto, mas também preciso de um pouco de ajuda para confirmar minhas suspeitas. — começa a explicar — Preciso que você prepare todas as refeições dele. Mas com um detalhe: sem nada que seja comprado ou trazido por outros do palacio só de pessoas de sua confinça. Preciso que seja algo que você mesmo prepare, para ter certeza de que não há mais elementos contaminantes. Isso me ajudará a entender melhor a natureza do que está acontecendo.

— Eu posso fazer isso, mas... isso vai realmente ajudar? Como vai saber o que fazer depois? — Sua voz estava carregada de dúvidas, mas ele estava disposto a tentar qualquer coisa.

Pablo assentiu, sua expressão séria.

— Confie em mim. Eu sou bom nisso. E quanto a Jimin... Eu sei que ele é importante para você. Vou fazer o que for preciso. — Ele lançou um olhar breve para Miguel, tentando transmitir confiança.

Destiny - Vmin MinvHistórias para pegar e não largar. Descubra agora