59. Ciumes

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Taehyung assim que chega no palacio é apresentado e logo a seguir já caminhava pelos corredores do local, seus passos apressados ecoando nas paredes de pedra. Ele mal conseguia conter a preocupação que lhe consumia. As últimas notícias que tivera de Jimin não eram boas, o rapaz estivera doente, inconsciente por dias. Ele não podia esperar mais. Precisava vê-lo, cuidar dele e garantir que melhorasse..

À medida que andava pelos corredores, Taehyung tentava se lembrar do caminho até o quarto onde havia dividido com Jimin da última vez. Seus olhos percorriam os detalhes familiares dos cômodos, tentando se agarrar a qualquer pista que o levasse até ele. Quando finalmente encontrou o quarto, a porta estava entreaberta. Ele hesitou por um momento, a tensão tomando conta de seu corpo, mas a necessidade de saber como Jimin estava o impulsionou a entrar.Ao abrir a porta, Taehyung parou imediatamente e o que viu fez seu sangue ferver de imediato.

Jimin estava sentado em uma potrona perto da laleira do quarto, parecendo forte o suficiente para estar acordado, embora a fragilidade em seu corpo ainda fosse visível. Perto dele com o braço apoiado na poltrona, um rapaz alto, de aproximadamente 1,80m, com cabelos dourados e uma postura imponente, estava inclinando-se ligeiramente para mais perto Jimin. O loiro olhava para Jimin de cima para baixo, sua cabeça levemente inclinada enquanto falava com ele, o foco de seus olhos claramente na boca do menor naquele momento.

A visão fez Taehyung engolir em seco, um nó de ciúmes e raiva se formando em seu peito. O rapaz à sua frente era familiar, ele o reconhecia do baile, o mesmo que não desgrudava de Jimin durante boa parte da festa. E agora, mesmo vendo Jimin acordado, vivo, a cena diante dele parecia mais do que ele conseguia suportar. Cada movimento do loiro ao redor de Jimin, sua proximidade com o menor, fazia a sensação de impotência e frustração se intensificar, queimando-lhe a pele.

Jimin percebeu sua presença e ao vê-lo, seu rosto se iluminou com um sorriso. Sem dar explicações, ele se levantou e se afastou do loiro, indo em direção a Taehyung o mais rapido que sua condição permitia. E quando o alcançou, Jimin o abraçou com força, como se estivesse tentando se refugiar nos braços do tritão. Taehyung, por instinto, sentiu o cheiro familiar do pescoço de Jimin, seu corpo foi relaxando um pouco, mas a tensão em seu peito não desapareceu. Taehyung voltou o olhar para o loiro, ele tinha um olhar afiado, uma fúria silenciosa nos olhos. O que ele estava fazendo ali? Por que estava tão próximo de Jimin?

— Taehyung, esse é o Cristian, meu amigo da nobreza — disse Jimin, sorrindo enquanto puxava Taehyung mais para perto do rapaz. — Ele estava viajando para ajudar uma amiga em comum e trouxe novidades sobre ela.

Cristian inclinou levemente a cabeça, analisando Taehyung com atenção. Perspicaz, percebeu de imediato a tensão no ar. As engrenagens de sua mente começaram a girar, tentando deduzir quem era o rapaz à sua frente. Então, uma lembrança surgiu em sua mente: o último baile antes de sua viagem.

O jovem só podia ser o enigmático membro do misterioso clã Mangjeol, aquele que Cristian avistara durante o baile da rainha. Na ocasião, seu foco estava em Lady Choi, observando-a à distância, mas não pôde ignorar os rumores que surgiram após a confusão. O nome desse rapaz já circulava nas fofocas da nobreza desde sua chegada ao castelo, muitos afirmando que ele seria o primeiro membro da corte real de Jimin, agora que sua ancestralidade estava confirmada. Uma pontada incômoda atravessou o peito de Cristian. Ele sempre fora o amigo mais próximo de Jimin dentro da nobreza, e agora sentia que seu espaço estava sendo usurpado.

— Ele é confiável? Posso contar a ele? — perguntou Cristian, ainda com a expressão neutra, mas mantendo o tom calculadamente casual.

— Sim! Ele pode saber, mas eu conto pra ele depois — respondeu Jimin, claramente contente com a presença de Taehyung e alheio à tensão no ar.

Taehyung, tentando manter as aparências, fez uma breve apresentação em língua de sinais. Cristian retribuiu com um sorriso educado e fez o mesmo, acrescentando verbalmente algumas informações sobre sua família e explicando que seria um lorde futuramente. Taehyung, no entanto, não se impressionou com o futuro status nobre de Cristian, permanecendo impassível.

Mas, quando Cristian se virou para Jimin e depositou um beijo na bochecha do príncipe como despedida, o sangue de Taehyung ferveu novamente. Jimin ficou surpreso, quase paralisado. Não era a primeira vez que Cristian fazia algo assim, mas já fazia tempo que ele havia parado com esses gestos, especialmente depois que ficou noivo de Lady de uma familia abastada os Choi. O toque inesperado deixou Jimin claramente constrangido. Ele olhou rapidamente para Taehyung, quase como se quisesse pedir desculpas, pelo ato do outro mas não conseguiu formular as palavras.

Cristian, por sua vez, manteve uma expressão neutra e elegante, mas seus olhos estavam atentos a cada detalhe. Ele não precisava de mais nada. A reação de Taehyung, o olhar afiado, a postura tensa, o punho levemente cerrado ao lado do corpo dizia mais do que o suficiente. A intensidade nos olhos do ruivo entregava a última peça que Cristian precisava para entender tudo, os dois tinham claramente mais do que uma amizade.

Cristian saiu do quarto com passos firmes, mas sua mente fervilhava. Para ele, aquele beijo havia sido uma forma clara de marcar território. Tudo bem, o ruivo seria oficialmente o primeiro membro da corte real de Jimin, mas Cristian não estava disposto a ser completamente substituído. Com passos leves e calculados, Cristian se afastou pelo corredor, certo de que havia plantado uma semente de dúvida e desconforto. Se aquele rapaz queria o título de confidente mais próximo de Jimin, teria que lutar por ele, porque Cristian não pretendia abrir mão de sua influência sobre o futuro rei tão facilmente.

Taehyung permaneceu imóvel por um instante, as mãos cerradas ao lado do corpo, enquanto Jimin olhava para ele com uma expressão de leve confusão. Para Taehyung, no entanto, a única coisa clara naquele momento era que Cristian representava uma ameaça que ele não estava disposto a ignorar. Então ele permaneceu em silêncio, os olhos ainda fixos na porta por onde Cristian havia saído. O cheiro familiar de Jimin, que antes o tranquilizava, agora parecia carregado de uma mistura de emoções confusas. Ele respirou fundo e finalmente olhou para Jimin, seu olhar ainda intenso, mas dessa vez menos furioso e mais... ferido.

Destiny - Vmin MinvHistórias para pegar e não largar. Descubra agora