44. Volta

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Pablo e Miguel caminhavam em direção ao quarto de Jimin.

— Ele vai acordar logo — disse Pablo, animado. — Se eu estiver certo, eles estavam envenenando ele com belladona há dias!

— Como você sabia? Tipo, você só olhou para ele por alguns minutos — Miguel respondeu, impressionado.

Pablo, sempre muito esperto, aproveitou para explicar.

— Ele estava em delírios — riu. — Estava fraco, com febre, pupilas dilatadas... E me chamou de tritão, claramente em delirio!

Jimin, ainda na escuridão, observava os dois e começava a entender a situação. Pensou por um momento se deveria continuar escondido para descobrir mais sobre o que estava acontecendo, especialmente sobre o tritão que agora estava em forma humana, ou se deveria sair e falar com eles.

— Que bom — disse Miguel, aliviado. — Eu já estava começando a achar que ele ia morrer... Ele sempre foi tão saudável.

As palavras de Miguel tocaram Jimin e ele logo tomou a decisão. Resolveu se revelar e acalmar o amigo antes de conversar com o tritão em particular. Com isso, saiu de seu esconderijo e, em silêncio, seguiu os rapazes até tocar sutilmente o ombro de Miguel.

Miguel deu um salto, assustado, e, por instinto, quase bateu em Jimin. Em uma situação normal, o rapaz provavelmente conseguiria desviar, , já tinha feito isso antes, mas no estado em que se encontrava, ele sabia que não teria forças para reagir e seria atingido, o que teria acontecido se Pablo não o tivesse impedido Miguel com a agilidade de um gato.

— Que isso? Pensei que estava preocupado comigo — provocou Jimin, com um sorriso fraco.

Miguel, aliviado, se solta de Pablo e o abraça Jimin com força, mas rapidamente soltou-o ao perceber o suspiro de dor de Jimin.

— Desculpa! — disse Miguel, com um sorriso constrangido.

Pablo, observando a cena com um sorriso discreto, falou:

— Bem, já que você está bem, tenho algo para te entregar. Vão para o quarto, eu encontro vocês lá.

Pablo se afastou, indo até o quarto onde estavam as suas coisas e pegou os desenhos que trouxe.

Jimin observou Pablo sair com um olhar desconfiado, e logo Miguel começou a falar:

— Ele vai tentar te vender pérolas, eu acho. Quer fazer negócios com coisas do mar — deduziu Miguel, com uma expressão de leve.

— Duvido que seja isso... — Jimin respondeu, indo à frente com um passo determinado.

Miguel estranha o tom que Jimin usou e o segue. Já Jimin sabia que de alguma forma aquele tritão tinha o ajudado mas uma birra em relação a ele crescia em seu coração por causa dos acontecimentos no mar.

Pouco depois, Pablo voltou, trazendo consigo um caderno. Jimin olhou desconfiado, mas quando abriu o caderno e viu os próprios desenhos, algo lhe chamou a atenção. O material onde estavam feitos era diferente, muito mais resistente que o papel comum de onde originalmente haviam sido desenhados.

— Como? Eu perdi eles no mar durante o naufrágio — Jimin murmurou, incrédulo. — Deveriam estar destruídos!

Miguel olhou os desenhos, reconheceu a assinatura de Jimin mas não quem era retratado nos desenhos e, com isso, a desconfiança em Pablo voltou com força total.

— Quando eu estava chegando, encontrei um baú boiando, e esses desenhos estavam lá dentro. Fiquei procurando o dono para devolver ainda bem que tinha a sua assinatura — Pablo explicou, usando aquele tom de voz que sempre usava quando tentava ser convincente.

— Baus não boiam — disse Miguel, cético.

— Meus desenhos não eram feitos nesse tipo de material — Jimin murmurou, sem desviar o olhar do caderno.

Pablo, aparentemente nervoso, virou-se rapidamente para a janela e apontou.

— O que é aquilo?

Jimin e Miguel olharam na direção que ele indicava, mas antes que pudessem entender, Pablo fez um gesto rápido com a mão e, num piscar de olhos, o material dos desenhos mudou para o tipo de papel que originalmente tinham.

Miguel, desconfiado, olhou em volta, mas não viu nada de anormal. Voltou-se para Pablo com um olhar desafiador.

— Não tem nada ali! Para de desviar das perguntas!

Pablo deu um sorriso travesso e se aproximou de Miguel.

— Tá, a verdade é que sou um tritão e achei isso aí no fundo do mar. Usei magia para salvar os desenhos e vim atrás do dono deles, como uma espécie de jogo — disse ele, rindo levemente.

Miguel demorou alguns segundos para processar o que acabara de ouvir. Então, de repente, ele começou a rir, a desconfiança desaparecendo, pelo menos momentaneamente.

— Seu idiota! Tá bom, talvez baús flutuem, dependendo do tipo de madeira — Miguel disse, aceitando a primeira história, agora rindo da situação. Ele aparentemente decidiu ignorar a segunda parte como uma brincadeira.

Enquanto isso, Jimin observava os desenhos de um jovem Taehyung na forma de tritão, que ele havia feito durante anos. Ele sabia, que o que Pablo dissera era a verdade, disfarçada de exagero e brincadeira. Sua birra com o rapaz havia diminuído, mas ainda queria falar a sós com ele para descobrir os motivos que o haviam levado a ajudá-lo e por que estava ali na superfície.

— Bem, indo ao ponto principal — começou Miguel, interrompendo os pensamentos de Jimin. — Alguém estava tentando te matar com belladona. Conseguimos te salvar ao fiscalizar tudo o que você come por dias, mas você não está seguro aqui.

— É, sabe de alguém que te odeia? Algum desafeto que queira sua morte? — perguntou Pablo, atento.

Jimin pensou por um momento, seu pensamento se voltando para a concubina. Se ele morresse, o filho dela seria o próximo herdeiro do reino.

— A concubina... Ela é sonsa e gananciosa. Se me tirar da cena, o filho dela pode ocupar o trono no futuro — respondeu.

— Não pode ser ela, ela está muito mal há dias! Soube pela criadagem que estava assim antes de você adoecer — retrucou Pablo, com um tom cético.

— Ela pode estar fingindo para ficar acima das suspeitas — disse Miguel, com uma expressão de desgosto. Ele também não gostava da concubina e, sempre que podia, preferia pensar o pior dela — Bem, de qualquer forma, o ideal é você continuar aqui no quarto sem sair — falou Miguel, tentando ser firme.

— Por quê? Eu já estou bem, não preciso mais de descanso — retrucou Jimin, impaciente.

— Bem, você não está. Ainda precisa de descanso até estar 100% — respondeu Pablo

— Vamos fingir que você ainda está muito mal, para quem esteja tentando te matar pensar que já fez um grande estrago. Talvez assim a gente descubra algo — sugeriu Miguel, com uma determinação em sua voz. O rapaz se sentia na obrigação de pegar quem atentou contra a vida de Jimin.

Destiny - Vmin MinvOnde histórias criam vida. Descubra agora