50. Despertar

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Taehyung passou o dia inteiro fingindo-se de abatido, enganando a todos com sua atuação impecável. Sua expressão sombria e os suspiros ocasionais pareciam convencer até os mais atentos de que ele estava profundamente abalado. No entanto, havia alguém que não caiu na encenação.

Seu priminho, com os braços cruzados e uma expressão irritada, observava Taehyung à distância.

— Você acha que engana quem? — Resmungou o menino, chutando uma pedra no chão enquanto lançava um olhar furioso na direção do mais velho.

Taehyung manteve a máscara de melancolia, mas seus olhos brilharam com um toque de cansaço ao encarar o garoto.

[Por que está tão bravo, pequeno?] — Sinalizou, com um olhar calmo que só aumentou a irritação do garoto.

O rapazinho bufou, balançando a cabeça como se a paciência estivesse no limite.

— Porque você sabe muito bem por que Mikha foi embora! — Ele apontou um dedo acusador. — Ela percebeu que você não a amava de verdade. E agora está magoada por sua causa!

As palavras do menino atingiram Taehyung, mas ele não deixou sua expressão se alterar. Ele apenas suspirou, desviando o olhar.

[Mikha tomou suas próprias decisões. Eu nunca prometi nada que não pudesse cumprir.] — Sinalizou, com um olhar firme.

— Mas você a deixou acreditar que era algo mais! — O garoto insistiu, sua voz subindo uma oitava. — E agora está aí, fingindo que está triste, quando na verdade você não sente nada por ela!

Taehyung apertou os lábios, evitando responder imediatamente. Ele sabia que o menino estava certo em parte, mas não podia admitir. Afinal, suas ações faziam parte de algo maior, algo que Mikha entendia melhor do que qualquer outra pessoa.

[Ela vai ficar bem.] — Sinalizou finalmente. — [E um dia você também vai entender.]

Mas o menino apenas bufou novamente, virando-se de costas e se afastando com passos pesados, ainda carregando sua raiva infantil contra o primo.

Momentos depois, uma criada aproximou-se de Taehyung, trazendo uma correspondência selada. Ele franziu a testa ao recebê-la. Era do palácio real, Taehyung estranhou imediatamente, pois ele e Jimin haviam combinado que não trocariam cartas enquanto estivesse longe. Além disso, ele tinha um motivo pessoal para o incômodo: não sabia ler ou escrever.

Sentiu um aperto no peito, temendo que o conteúdo da carta fosse revelador demais. Ansioso, voltou apressadamente para a casa grande, pensando no que fazer.

Assim que entrou, sua bisavó, a matriarca da família, notou a carta em suas mãos. Antes que Taehyung pudesse sinalizar qualquer coisa, ela pegou o envelope com surpreendente agilidade para alguém da sua idade.

— Oh, isso é muito ruim... — murmurou a idosa enquanto lia, seus olhos se estreitando com preocupação. — Pensei que ele já teria melhorado a essa altura.

[O que foi?] — Sinalizou Taehyung, os movimentos rápidos denunciando sua aflição.

A senhora parou de ler, levantando os olhos para encará-lo. Ela hesitou por um momento, como se ponderasse a melhor forma de responder.

— Eu não queria te contar... — começou, com um tom quase maternal. — Você é muito apegado a ele. E estava tão feliz com sua noiva que achei melhor não azedar o ambiente.

["Apegado"? Vovó, me diga o que aconteceu!] — Sinalizou Taehyung, os movimentos mais desesperados agora.

Ela suspirou, claramente relutante, mas sabia que não podia mais esconder a verdade.

Destiny - Vmin MinvOnde histórias criam vida. Descubra agora