24

271 27 9
                                        

Urrea

Eu estava no escritório do canteiro de obras, inclinado sobre a mesa cheia de plantas e cálculos. Bailey, meu parceiro de projetos, estava ao meu lado, discutindo os ajustes finais para a fundação do prédio. A manhã tinha começado agitada, como sempre, e meu celular estava em silêncio no bolso, para evitar distrações.

— Então, se ajustarmos os pilares aqui, podemos reduzir os custos sem comprometer a estrutura — Bailey apontou para o desenho, franzindo a testa enquanto calculava mentalmente.

— Faz sentido — concordei, riscando algo no papel. — Mas vamos precisar confirmar com o fornecedor se o material suporta a carga.

Bailey assentiu, mas algo atrás de mim chamou sua atenção. A pequena televisão presa na parede do escritório estava sintonizada em um noticiário, e a apresentadora tinha uma expressão séria que instantaneamente atraiu nossos olhares.

— Espera aí, o que é isso? — Bailey murmurou, largando a caneta e focando na tela.

Olhei para a TV e senti meu estômago afundar.

"Cameron Hoffman, ex-jogador de futebol, escapa da prisão em uma fuga audaciosa na madrugada desta terça-feira. Autoridades locais alertam que ele pode ser perigoso. Mais detalhes a seguir."

Meu coração começou a martelar no peito. Cameron. Ele. Como isso era possível? Eu sabia que ele era uma ameaça para Sina, e o fato de ele estar solto me deixou gelado.

Bailey olhou para mim, confuso.

— Esse cara é o ex da sua namorada, não é? O abusador?

Assenti, sentindo o suor frio na testa. Minha cabeça já estava a mil. Sina estava em casa com Diana, creio eu, e eu não sabia como ela reagiria a essa notícia. Peguei meu celular rapidamente, o coração batendo tão forte que parecia ecoar pelos meus ouvidos.

Disquei o número dela. Chamou uma vez, duas vezes... e nada.

— Droga — murmurei, tentando de novo.

— Ela não atendeu? — Bailey perguntou, a preocupação começando a surgir em seu tom.

— Não. — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. — Ela nunca demora pra atender.

Tentei mais uma vez, cada segundo parecendo uma eternidade. Nada.

Minha mente estava em caos. Sina não sabia que ele tinha fugido, e se ele fosse atrás dela? Ele sabia onde ela morava. E Diana, mesmo eu não a conhecendo, sei que ela é tão nova e indefesa... A ideia de que algo pudesse acontecer às duas me fez levantar tão rápido que minha cadeira tombou para trás.

— Noah, calma. — Bailey tentou intervir.

— Calma? Como eu vou ficar calmo? Ele é perigoso, Bailey. Sina tá com a irmã mais nova, e ele... — Minha voz falhou. — Ele destruiu a vida dela uma vez, eu não vou deixar ele ter a chance de fazer isso de novo.

— Tá, entendi. Mas a polícia tá atrás dele. Eles não vão deixar ele chegar perto de ninguém.

— Isso não é garantia. — Passei a mão pelos cabelos, tentando pensar. — Eu preciso ir.

— Vai fazer o quê? — Bailey perguntou, cruzando os braços. — Sair correndo sem saber onde ele tá?

— Eu vou pra casa dela. — Peguei minha jaqueta. — Eu preciso garantir que as duas estão bem.

Bailey suspirou, mas assentiu.

— Tá certo. Vai atrás delas, mas me mantém informado, não podemos sair ao mesmo tempo. Mas se precisar de ajuda, me liga que eu posso tentar dar um jeito por aqui.

escape | noartOnde histórias criam vida. Descubra agora