Urrea
Dois anos podem mudar muita coisa. Para mim, foram os dois melhores anos da minha vida. Desde que Sina entrou nela, tudo pareceu ganhar mais cor e propósito. Nossa rotina era tranquila, mas repleta de momentos que faziam meu coração acelerar — um sorriso dela ao me ver chegando em casa, a forma como ela reorganizava meu caos com tanto carinho, ou mesmo as noites em que ficávamos acordados apenas conversando sobre qualquer coisa.
Estávamos na casa da praia de Linsey e Ethan naquele fim de semana. O som das ondas ao fundo e o riso animado de Louis preenchiam o ar. Ele agora tinha dois anos e alguns meses, e estava no auge de sua energia e curiosidade. Ver como Sina lidava com ele era como assistir à mágica acontecendo. Ela tinha um jeito natural com crianças, como se fosse capaz de entrar no mundo delas sem esforço.
Da varanda, eu observava os dois brincando na areia, Sina completamente imersa na construção de um castelo com Louis. Ele estava tão concentrado que mal notava o vento bagunçando seus cachos castanhos. Então, com seu jeitinho desajeitado e fofo, ele olhou para Sina e disse:
— Sina! Brinca mais!
Ela riu, aquele riso que sempre parecia iluminar tudo ao redor, e respondeu:
— Claro, pequeno rei! Mas precisamos reforçar esse muro aqui.
A cena fez meu peito apertar de um jeito bom. Era ela. Sempre foi. E eu sabia que estava na hora de dar o próximo passo.
Enquanto eu estava perdido nesses pensamentos, senti Linsey se aproximar e sentar ao meu lado.
— Vai ser hoje, não vai? — ela perguntou com aquele sorriso cúmplice que só uma irmã pode dar.
Eu ri, nervoso, roendo o canto do polegar.
— Não sei, Lin. E se eu estragar tudo?
Ela balançou a cabeça, colocando a mão sobre a minha.
— Noah, você não vai estragar nada. Você e Sina passaram por tanta coisa juntos... Olha para ela. — Ela apontou para onde Sina e Louis estavam. — Ela ama você. E você merece isso, merece ser feliz.
Eu suspirei, ainda incerto, mas as palavras de Linsey traziam conforto.
— E se ela não estiver pronta?
Antes que Linsey pudesse responder, Ethan apareceu, segurando duas garrafas de água. Ele entregou uma a ela e sentou-se ao meu lado.
— Sina está pronta. Eu vejo isso toda vez que vocês estão juntos. — Ele olhou diretamente para mim. — Mas se ela não estiver, espere por ela. Você é bom para ela, Noah. E ela é boa para você. Se tem alguém que merece isso, são vocês dois.
Aquilo foi o suficiente. Eu respirei fundo e assenti, tentando ignorar o nó de nervosismo que se formava no meu estômago.
— Certo. Eu vou.
Desci até a areia, minhas mãos suando um pouco, apesar do vento fresco que vinha do mar. Sina estava de costas para mim, ajudando Louis a ajeitar a torre do castelo.
— Sina? — chamei, minha voz saindo mais suave do que eu esperava.
Ela se virou para mim, os olhos brilhando sob a luz do sol.
— Sim?
— Posso roubar você um segundo?
Ela olhou para Louis, que estava ocupado demais com um balde de areia, e sorriu.
— Acho que o rei vai sobreviver sem a arquiteta real por um tempinho. — ela beijou a bochecha de meu sobrinho.
Sina levantou-se, limpando as mãos na roupa. Eu peguei suas mãos, mesmo sujas de areia, e as segurei. Meu coração estava disparado, mas dessa vez era por uma boa razão.
— Sina, tem algo que eu preciso dizer.
Seus olhos se arregalaram ligeiramente, curiosos, ela pareceu levemente apreensiva.
— Diga. — ela tentou parecer encorajadora mesmo parecendo levemente aflita.
Respirei fundo, tentando colocar em palavras tudo o que estava preso no meu peito nos últimos dois anos.
— Você mudou a minha vida. Desde o momento em que você apareceu naquela rua escura, tudo ficou mais claro, mais... certo. E cada dia ao seu lado tem sido uma prova de que eu nunca mais quero estar sem você.
Sina abriu a boca para falar algo, mas eu continuei antes que ela pudesse.
— Você me fez querer ser uma pessoa melhor. Você me ensinou o que é o amor, eu nunca pensei ser um cara que faria de tudo por uma mulher que não fosse minha mãe ou a minha irmã, de tudo por um amor, mas eu sou, eu sou esse cara, por você e eu quero passar todos os dias da minha vida te mostrando o quanto eu te amo e o quanto eu estou disposto a ser quem você precisa que eu seja caso isso me garanta sentir seus lábios em minha bochecha todas as manhãs.
Tirei o anel do bolso, um que eu tinha escolhido com tanto cuidado por mais de duas semanas, e me ajoelhei na areia. O coração parecia que ia sair do peito, mas naquele momento tudo o que eu conseguia ver era ela.
— Sina, você quer casar comigo? Sei que não sou perfeito, mas prometo tentar me aproximar disso por você todos os dias, caso você queira. — beijei sua mão com cuidado. — Se aceitar, eu juro te respeitar e te amar para sempre, em qualquer hipótese, sei que as juras são feitas no altar, mas eu faço-as aqui para antecipar o meu compromisso e te mostrar que não será uma plateia, uma padre ou uma vestido branco que vão me fazer jurar aquilo que você merece e sempre mereceu.
Seus olhos estavam marejados, mas o sorriso que surgiu foi a coisa mais bonita que eu já vi. Ela assentiu, e as palavras vieram logo depois:
— Sim, Noah. Sim!
Eu me levantei, rindo de puro alívio e felicidade, e a abracei, me permitindo chorar em seu ombro, não acreditando na intensidade daquele momento, senti também a minha camiseta molhando.
— Eu disse que você merecia ser feliz acima de tudo, sempre te disse. — me desvencilhei segurando seu rosto molhado, o acariciando com o polegar. — Eu vou te fazer feliz, o tempo todo, seremos felizes de verdade, não o tempo todo, claro, mas o suficiente para resistir todos os problemas que surgirem e para nos lembrarmos do motivo de fazermos isso, todos os dias.
— Você ressignificou muitas coisas para mim, me ensinou um novo dicionário, um mundo novo. Não quero você perfeito, eu quero você real, você completo. — ela beijou meu rosto. — Foi o Noah real que entrou no meu coração, com todos os defeitos, e é com ele que eu quero ficar.
Passei a mão no meu rosto, o enxugando e ela se aproximou ainda mais de mim.
— Vou adorar acordar do seu lado todos os dias, e se tudo der certo, por muitos anos. — ela me beijou e senti como se tudo estivesse completo.
— ECA! MAMÃE ELES BEIJARAM. — ouvimos a voz de Louis que agora corria pela areia.
Nós dois rimos, ainda abraçados, e naquele momento eu soube que era o começo do "para sempre" que eu não sabia que sonhava.
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escape | noart
Fanficonde Sina é perseguida nas ruas de Paris e tenta escapar se misturando num grupo aleatório.
