EP 38

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CHISHIYA

Estava trabalhando, era hora do almoço, havia comprado sushi para mim e pra Kaito. Peguei o sushi e caminhei para fora do hospital, já sabia onde o encontrar. Ele gostava de sentar em um banco perto do jardim, pegando um pouco de sol, como se não estivesse preso a uma realidade tão dura.

Lá estava ele, mexendo em seu carrinho de polícia, com os olhos fixos no chão.
Assim que me viu, o rosto dele se iluminou. Era impressionante como ele conseguia sorrir tão genuinamente, mesmo com tudo que passava.

Chishiya - trouxe sushi.

Disse, entregando enquanto me sentava ao lado dele.

Kaito - oba!

Ele respondeu, animado, pegando os hashis e abrindo a embalagem.

Observei enquanto ele dava a primeira mordida, satisfeito, como se fosse o melhor prato do mundo.

Kaito - sabe, doutor Chishiya...

Ele começou, com a boca ainda cheia.

Kaito - quando eu sair daqui, quero ser policial.

Chishiya - é, você já comentou antes, mas... Por quê?

Perguntei, mantendo o tom leve.

Kaito - quero prender ladrões.

Ele respondeu, com uma convicção quase inocente.

Kaito - meu pai sempre dizia que o mundo precisa de pessoas boas pra ajudar os outros, sabe?

Chishiya - parece um bom plano.

Respondi com um leve sorriso.

Kaito - os médicos disseram que eu estou melhorando muito.

Ele continuou, com um brilho de esperança nos olhos.

Kaito - acho que logo vou poder sair daqui.

Meu olhar desviou para o horizonte, incapaz de encará-lo por muito tempo.
Palavras assim sempre me deixavam desconfortável, porque eu sabia que, muitas vezes, uma melhora repentina não era sinal de recuperação.

Chishiya - é, você parece bem.

Respondi, evitando qualquer sinal de pessimismo na minha voz.

Kaito - mas ontem doeu muito... Muito mesmo.

Ele confessou, e pela primeira vez naquele dia, o sorriso dele desapareceu.

Kaito - eu chorei, doutor. Chorei muito.

Meu peito apertou com as palavras dele. Eu sabia o quanto a dor do câncer poderia ser insuportável, especialmente para alguém tão novo quanto ele.

Chishiya - e o que você fez?

Perguntei, tentando manter a conversa, mesmo que aquilo me matasse por dentro.

Kaito - minha mãe ficou comigo até eu dormir.

Ele respondeu, a voz baixa, como se quisesse esquecer aquilo.

Com amor, Chishiya Onde histórias criam vida. Descubra agora