O vento frio de Green Valley corta meu rosto enquanto atravesso o estacionamento vazio do colégio. É tarde demais para alguém estar aqui, mas as luzes do ginásio ainda estão acesas. Outra noite de treino de basquete que acabei deixando para trás. Minha mente está um caos desde a morte da Sarah.
Pego o celular no bolso e olho para a tela. Nada. Nenhuma mensagem de Blake ou Anny. Eles têm agido estranho desde aquela noite na fábrica. Estou me sentindo isolado, como se eles soubessem de algo que não estão me contando. Mas não vou pressioná-los. Por enquanto.
O silêncio ao meu redor é denso, interrompido apenas pelo som de meus próprios passos no asfalto. E é aí que sinto. Não ouço nada, mas a sensação é clara. Estou sendo observado.
Paro. Olho ao redor, tentando parecer casual, mas meus sentidos estão alertas. As sombras das árvores balançam com o vento, mas não há nada... ou ninguém. Mesmo assim, meu coração dispara.
Continuo andando, agora mais rápido. A adrenalina cresce em meu peito enquanto me aproximo da entrada lateral do ginásio. A porta está entreaberta, balançando levemente como se alguém tivesse acabado de passar por ela.
Empurro a porta e entro, os sons ecoando no espaço vazio. As luzes fluorescentes piscam, como se estivessem prestes a apagar.
— Tem alguém aqui? — minha voz soa mais firme do que eu esperava, mas meu estômago está um nó.
Nenhuma resposta. Apenas o som das minhas botas contra o piso do ginásio. O silêncio aqui dentro é ainda mais sufocante. Dou alguns passos para o meio da quadra e olho ao redor.
Então eu o vejo.
Na arquibancada, do outro lado da quadra, está ele. Ou aquilo. Um homem mascarado, vestido completamente de preto, com a cabeça inclinada levemente para o lado, me observando como um predador observa sua presa.
Meu corpo congela. A máscara é simples, branca e sem expressão, mas de alguma forma mais aterrorizante do que qualquer rosto humano poderia ser.
— Quem é você? — grito, tentando soar confiante.
Ele não responde. Nem se move. Apenas me observa.
Dou um passo para trás, e é nesse momento que ele se levanta lentamente. Algo brilha em sua mão. Uma faca.
— Olha, se isso é algum tipo de brincadeira, não tem graça! — digo, minha voz quebrando no final.
Ele começa a descer as arquibancadas, cada passo deliberado, calculado. Meu coração está martelando no peito, e minha mente grita para eu correr, mas meus pés parecem colados ao chão.
Quando ele chega ao piso da quadra, algo dentro de mim finalmente desperta. Viro-me e corro, disparando pelo corredor em direção à saída.
O som de suas botas ecoando atrás de mim é ensurdecedor. Ele está correndo agora, cada passo mais próximo do que o anterior.
Dobro uma esquina e me vejo em um corredor estreito, com portas fechadas de ambos os lados. Tento uma delas, mas está trancada. Outra. Também trancada.
— Merda! — sussurro, o pânico tomando conta.
Ouço seus passos se aproximando. Minha única opção é me esconder. Encontro uma pequena sala de limpeza, empurro a porta e me esgueiro para dentro, fechando-a o mais silenciosamente possível.
Minha respiração está descontrolada, e tento abafar o som com as mãos. Através da fresta da porta, vejo a sombra dele passar. Ele para bem em frente à sala. Meu coração parece que vai explodir.
A maçaneta se move.
Seguro a respiração, rezando para que ele não consiga entrar. A porta range, abrindo-se lentamente, e então vejo o brilho da lâmina.
Ele entra, os passos pesados ressoando no pequeno espaço. Não consigo ver seu rosto, mas sinto sua presença, como se ele estivesse se alimentando do meu medo.
Enquanto ele examina a sala, encontro um esfregão no canto. É a única coisa ao meu alcance. Quando ele se vira para o outro lado, agarro o cabo com toda minha força e o golpeio no ombro.
Ele tropeça, mas não cai. Grita algo ininteligível, e eu corro para fora da sala, quase escorregando no piso.
Agora estou em modo de sobrevivência. Preciso sair daqui. Dou a volta pelo corredor e vejo a saída de emergência à frente. Ouço seus passos novamente, mas desta vez ele está mais distante.
Empurro a porta com força, saindo para o lado de fora. O ar frio me atinge, mas não paro. Corro até meus pulmões queimarem, até estar longe o suficiente para me sentir seguro.
Finalmente paro atrás de um carro no estacionamento, tentando recuperar o fôlego. Olho ao redor, mas ele não está em lugar nenhum.
Pego o celular com mãos trêmulas e ligo para Blake. Ele atende no segundo toque.
— Blake, precisamos falar. Agora.
— O que aconteceu?
— Eu vi ele. O cara. O assassino.
Blake fica em silêncio por um momento antes de responder, sua voz grave.
— Onde você está?
— No colégio. Ele... ele me seguiu.
— Fique onde está. Estou indo para aí.
Desligo e olho ao redor
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Silêncio Mortal
HorrorEm uma cidade pequena marcada por segredos e tragédias, uma série de assassinatos brutais transforma o cotidiano em um pesadelo. Enquanto o medo se espalha, um grupo de jovens tenta desvendar a identidade de um assassino mascarado que parece sempre...
