BLAKE

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chuva batia forte no vidro do carro enquanto eu olhava pela janela. O som das gotas me distraiu por um momento, mas a tensão no ar logo me fez voltar à realidade. O que estava acontecendo em Green Valley? A cidade parecia estar em um caos silencioso, e eu sabia que estava no centro disso. A morte de mais uma pessoa, o assassinato cruel de um amigo. Tudo parecia se entrelaçar de forma que eu não podia mais ignorar. A sensação de perigo estava em cada esquina.

Meu corpo estava tenso. Eu podia sentir o cheiro da chuva misturado com o mofo do velho ginásio enquanto o carro parava na frente da entrada. O lugar estava abandonado, mas meu instinto me dizia que havia algo muito errado ali. A cidade estava em constante tensão, mas ninguém imaginava o quanto eu me sentia vulnerável. Mesmo com todos os meus problemas e minha atitude, algo dentro de mim sabia que era só uma questão de tempo até eu ser o próximo alvo.

Desci do carro e caminhei até a porta lateral do ginásio. O vento gelado cortava minha pele, e a sensação de estar sendo observado me consumia. Olhei para os lados, mas as ruas estavam desertas. O lugar estava quieto demais, e esse silêncio me incomodava. Entrei sem hesitar, forçando a porta de madeira rangente.

A escuridão dentro do ginásio era completa. Não havia uma luz acesa, e eu mal conseguia enxergar à minha frente. Cada passo ecoava, e eu tentei me manter calmo, embora algo estivesse me dizendo que eu não deveria estar ali. Mas a curiosidade — e o impulso de resolver de uma vez por todas o que estava acontecendo em Green Valley — me puxavam para dentro.

Então, eu ouvi. Um sussurro baixo, vindo da escuridão.

— Eu sabia que você viria.

A voz era familiar, mas estava distorcida, como se estivesse sendo falada de trás de uma máscara. Eu congelei no lugar. A luz fraca que penetrava pela janela quebrada refletia em algo metálico — uma faca. O brilho do aço me fez acelerar o coração, mas eu não recuei. A raiva dentro de mim falava mais alto. Eu estava farto de correr.

— Quem é você? — perguntei, minha voz saindo mais firme do que eu me sentia.

A figura mascarada apareceu na minha frente, a lâmina reluzindo. Ela não falava mais, mas o som da respiração pesada e os passos lentos ao redor de mim diziam tudo. Era uma luta de nervos. Eu precisava ser mais rápido, mais esperto. O que quer que fosse aquela coisa na minha frente, ela não era humana — pelo menos não de um jeito normal.

Com um movimento rápido, a faca cortou o ar, indo na direção do meu pescoço. Eu me esquivei com um giro rápido, sentindo o risco de morte passar perto demais. Cada movimento era uma questão de vida ou morte, e eu sabia que estava prestes a enfrentar meu maior pesadelo. Mas algo dentro de mim me impedia de desistir.

— Você não vai me matar. — Eu disse, quase como um desafio.

A figura mascarada deu um passo para trás, como se estivesse esperando algo. Talvez me ver vacilar. Mas eu não iria. Não agora.

Eu joguei meu corpo para a frente, tentando desarmá-lo, mas a lâmina da faca cortou meu braço, fazendo sangue jorrar. A dor foi instantânea, mas eu não gritei. Eu só continuei lutando, sentindo que, se eu caísse agora, não levantaria mais.

Mas então, em um movimento inesperado, a faca caiu no chão. A figura mascarada tentou recuar, mas eu estava rápido demais. Em um reflexo, empurrei o homem contra a parede, ouvindo o impacto do corpo contra a superfície de madeira velha.

— Acabou. — Eu disse, ainda sem saber quem era aquele homem, mas sabendo que a luta ali tinha terminado.

A risada. Era baixa, cruel. O som de algo que não fazia sentido, uma ameaça velada. Ele não estava derrotado. Ele sabia algo que eu não sabia, e isso me deixou alerta.

Mas antes que pudesse pensar mais, a porta do ginásio se abriu. Eu olhei rapidamente para a entrada e vi uma silhueta. Alguém estava vindo, alguém que eu reconheceria. O som de passos apressados se aproximando. Era Blake.

Eu vi o medo nos olhos dele antes de qualquer coisa. O que ele estava fazendo ali? Ele não sabia o que estava acontecendo. Ou sabia?

Ele parou na porta, observando o homem mascarado encurralado contra a parede, a faca caída no chão.

— O que está acontecendo aqui? — Blake perguntou, sua voz carregada de tensão.

Eu me virei para ele, tentando entender o que ele queria dizer. Ele não sabia a verdade ainda. Nenhum de nós sabia. O assassino, agora sem a faca, apenas olhava para nós com uma calma ameaçadora. Sua máscara parecia mais um símbolo de zombaria, e ele estava esperando por algo.

E então, a resposta chegou. A risada do assassino ecoou no ginásio, baixa e estranha. Eu percebi que a luta estava apenas começando. Green Valley ainda guardava segredos, e o que quer que fosse esse jogo, eu estava dentro dele até o fim.

Mas o fim estava longe de ser claro.

Silêncio MortalOnde histórias criam vida. Descubra agora