Respirei fundo, tentando não deixar o pânico me dominar. O som das gotas de chuva caindo pesadamente no telhado da cabana do segurança parecia marcar o ritmo frenético do meu coração. Cada segundo parecia se esticar, arrastando-se enquanto esperávamos alguma resposta.
A porta se abril sozinha, como se a cabana nos convidasse a entrar.
— EI! Alguém aí?
O silêncio que respondeu foi mais ensurdecedor do que qualquer som. Apoiando uma mão no ombro dele, eu dei um passo à frente.
— Deixa comigo — murmurei, tentando manter a calma, mesmo sentindo minha garganta seca.
Um cheiro forte atingiu nossas narinas assim que entramos: ferro e... algo podre.
— Merda... — Ethan murmurou atrás de mim, cobrindo o nariz.
— Tem alguma coisa errada — Anny sussurrou, a voz quase inaudível.
Tentei ignorar o nó no estômago e avancei. A cabana estava mergulhada na penumbra, iluminada apenas pelas luzes fracas de nossos celulares. O cômodo principal estava vazio, mas um som baixo, como se algo gotejasse, ecoava de um canto.
E então o vimos.
O corpo do segurança estava caído de bruços no chão, rodeado por uma poça escura e pegajosa que se espalhava lentamente. Havia várias facadas nas costas dele, algumas tão profundas que cortaram até o tecido grosso do uniforme.
— Não pode ser... — Mia sussurrou, dando um passo para trás, mas tropeçando em Sarah.
— Ele tá morto — Blake confirmou, embora ninguém precisasse ouvir isso.
Meu instinto era sair correndo, mas sabia que isso seria pior. Olhei ao redor, procurando algo, qualquer coisa que pudesse nos ajudar. Uma arma, um bastão, qualquer coisa que o segurança tivesse usado para se defender.
— Ele não tem nada? — Ethan perguntou, vasculhando os cantos.
— Nada — respondi, frustrado. — O assassino já esteve aqui. Ele limpou tudo.
Blake puxou as gavetas de uma mesa próxima, mas estavam vazias.
— Isso não faz sentido — ele murmurou, a mandíbula tensa. — O cara era um segurança. Ele deveria ter algo.
— Vamos sair daqui — Anny insistiu, a voz trêmula. — Não faz sentido ficar aqui.
Quando saímos da cabana, o vento frio nos atingiu em cheio, carregando consigo o cheiro de chuva e terra molhada. As baterias dos celulares estavam quase acabando. O brilho fraco das telas iluminava pouco mais do que nossos próprios rostos.
— Precisamos ir para a cabana da enfermaria — disse, tentando soar decidido.
— Isso é loucura — Mia rebateu. — E se ele estiver lá?
— A enfermeira tem um rádio via satélite, lembra? — Sarah respondeu. — Foi isso que disseram quando chegamos. É nossa única chance.
— Mas a cabana dela fica do outro lado do acampamento — Anny lembrou, olhando nervosamente para a escuridão à nossa volta.
Blake olhou para mim.
— Então damos a volta. Pela mata atrás do lago.
— Você sabe que é mais perigoso, né? — Ethan perguntou, mas já sabia a resposta.
— É isso ou cruzar o acampamento e nos colocar na mira dele — respondi.
Com as lanternas quase apagando, começamos a nos mover. A mata parecia mais densa do que durante o dia, como se as sombras estivessem vivas, nos observando. Cada som — um galho quebrando, folhas balançando — fazia nossos corações saltarem.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Silêncio Mortal
TerrorEm uma cidade pequena marcada por segredos e tragédias, uma série de assassinatos brutais transforma o cotidiano em um pesadelo. Enquanto o medo se espalha, um grupo de jovens tenta desvendar a identidade de um assassino mascarado que parece sempre...
