ANNY

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A noite era densa, o frio cortava o ar e transformava o silêncio  em algo sufocante. As ruas, iluminadas apenas por postes de luz amarelados, pareciam mais desertas do que nunca. Blake havia me contado que uma garota havia visto o mascarado já faz três dias que isso aconteceu e o clima da cidade está cada vez mais tenso. Ele e eu havíamos saído de uma reunião às escondidas, longe de olhares curiosos, havia um toque de recolher a cidade estava apreensiva a polícia tentava fazer a sua parte de uma forma precária os detetives particulares da nossa escola se reúne em foruns on-line para tentar solucionar o caso, de forma frustrante o quebra-cabeça não estava encaixando. A sensação de que alguém nos seguia era constante, mas tentávamos ignorar. Estávamos acostumados a viver sob uma tensão invisível, mas, naquela noite, parecia mais pesada. agente da condicional de Blake não dava sossego para ele ele fugia de todas as formas dela mas estava cada vez mais difícil nos encontrar.

"Vamos cortar caminho pela fábrica," Blake sugeriu, segurando minha mão. A fábrica de tijolos abandonada era um lugar que todos evitavam. Era uma espécie de monumento mórbido da cidade, conhecido por ser o cenário de tragédias do passado.

"Tem certeza? Não parece uma boa ideia..." falei, mas meu tom hesitante foi abafado pelo vento. Antes que pudesse protestar mais, ele já estava me puxando.

O eco de nossos passos preenchia o vasto espaço vazio da fábrica. Poeira e ferrugem dominavam cada canto, e as sombras das máquinas antigas criavam formas ameaçadoras. Foi quando ouvimos o som.

Um estalo.

"Ouviu isso?" perguntei, o coração acelerado. Blake parou, olhando ao redor.

"Deve ser o vento," ele disse, mas seu tom não convencia nem a ele mesmo.

Então, de repente, veio a voz. Uma risada baixa, arranhada, ecoando pelas paredes. Não era o vento.

Blake puxou uma barra de ferro enferrujada que estava no chão, assumindo uma postura defensiva. "Quem está aí? Apareça!" ele gritou.

E ele apareceu. A figura mascarada emergiu das sombras com uma lâmina reluzente na mão. Os olhos por trás da máscara eram frios, calculistas. O assassino que aterrorizava Green Valley estava ali, a poucos metros de nós.

"Corram," ele disse, a voz distorcida pela máscara, mas claramente sarcástica.

Sem pensar, puxei Blake pela mão e começamos a correr, mas não fomos rápidos o suficiente. A figura saltou à nossa frente com agilidade sobrenatural, e antes que eu pudesse reagir, Blake foi atingido no ombro pela lâmina. O grito dele ecoou pelo lugar, rasgando meu coração.

"Blake!" gritei, tentando ajudá-lo, mas fui empurrada para trás com força. Meu corpo colidiu contra uma das velhas máquinas, e senti a dor irradiar pelas minhas costas.

O assassino ergueu Blake, agora com sangue escorrendo do ombro, e o jogou contra o chão como se ele fosse um brinquedo. Blake tentou reagir, mas o agressor o imobilizou com um golpe certeiro na perna, que o fez gritar novamente.

"Por que vocês correm? Isso é divertido," o assassino zombou, enquanto me puxava pelos cabelos e me arrastava para perto de Blake.

Eu me debatia, mas ele era forte. Me amarrou a uma viga enferrujada, com os braços presos acima da cabeça, enquanto Blake, ferido, estava no chão, tentando se levantar.

"Por favor, não faça isso," implorei, lágrimas já escorrendo pelo rosto.

"Ah, mas eu já comecei," ele respondeu, virando-se para Blake com a lâmina na mão.

"Annie, não olhe! Fecha os olhos!" Blake gritou, mas como eu poderia? Ele estava prestes a morrer na minha frente.

O assassino fez um corte profundo na perna de Blake, o suficiente para fazê-lo gritar novamente. O som do sangue pingando no chão era nauseante. "Por que ele é tão importante para você?" o assassino perguntou, me encarando.

"Porque... porque ele é tudo o que eu tenho," confessei, a voz falhando. "Eu o amo."

Blake levantou o rosto, mesmo coberto de dor, e olhou para mim. "Annie... Eu... sinto muito por tudo. Por ser tão impulsivo, por sempre te colocar em risco. Eu te amo também. Você é tudo para mim."

"Que romântico," o assassino zombou. "Será que o amor sobrevive a isso?" Ele ergueu a lâmina novamente, mas desta vez Blake conseguiu reagir. Com uma força que eu nem sabia que ele tinha, Blake agarrou a barra de ferro ao lado e acertou o assassino na lateral do corpo.

O impacto o fez recuar, e a máscara caiu. Eu vi o rosto, mas foi rápido demais para processar. Ele pegou a lâmina e correu, desaparecendo nas sombras.

Blake se arrastou até mim, soltando as cordas que me prendiam. Estávamos ambos sangrando, exaustos, mas vivos. Ele caiu nos meus braços, e eu o segurei enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto.

"Precisamos sair daqui," ele sussurrou.

naquele instante sirene se ouviam ao fundo esse era o lado bom de ter alguém da condicional na sua cola.

E saímos, cambaleando, com o peso do terror ainda nos rondando. O assassino não havia terminado conosco. Isso era apenas o começo.

Silêncio MortalOnde histórias criam vida. Descubra agora