A rodovia que levava a Green Valley serpenteava como um rio entre as colinas. As árvores começavam a florescer, pontilhando o cenário com tons suaves de rosa e branco. Para mim, era só mais um cenário bucólico, um lembrete de que minha vida estava mais uma vez sendo recomeçada.
"Você vai adorar Green Valley, Ethan. É uma cidade tranquila", disse minha mãe pela milésima vez. Ela apertou o volante com força, como fazia sempre que tentava esconder sua própria ansiedade.
"Tranquila, mas com um histórico recente de assassinatos", murmurei, sem conseguir resistir à provocação.
Ela me lançou um olhar de advertência. "Isso foi há meses. As coisas estão calmas agora."
Calmas. Claro. O que quer que tenha acontecido aqui nos últimos meses parecia mais interessante do que qualquer lugar onde já vivi. Mas, ao mesmo tempo, eu sabia que Green Valley seria só mais um lugar que eu chamaria de lar por um breve período. Era sempre assim: eu chegava, fazia um ou dois amigos, e, quando começava a me sentir confortável, já estávamos arrumando as malas de novo.
Quando entramos na cidade, tudo parecia exatamente como eu imaginava. Uma rua principal alinhada com lojas locais, um café com toldo vermelho que anunciava "O melhor cappuccino da cidade", e adolescentes vagando de bicicleta como se estivessem saídos de um filme antigo.
A escola, Green Valley High, ficava no topo de uma pequena colina. Era um prédio de tijolos desgastados, cercado por campos esportivos. Eu suspirei. Já era primavera, e o ano letivo acabava em poucas semanas. A ideia de começar do zero tão perto do fim era uma piada cruel.
"Você vai se sair bem", minha mãe disse enquanto estacionava. "É só questão de se adaptar."
Na escola, o cheiro de tinta fresca e desinfetante me recebeu. O diretor, um homem baixo e careca chamado Sr. Holcomb, me guiou pelos corredores enquanto me dava uma explicação detalhada sobre horários, normas e a importância de "se envolver na comunidade escolar".
"Ah, ali está um grupo de estudantes da sua turma. Venha, vou apresentá-lo."
No final do corredor, um grupo de adolescentes conversava em voz baixa, alguns encostados nos armários. Uma garota de cabelo curto e óculos redondos foi a primeira a me notar. Ela parou de falar e me encarou, como se estivesse analisando cada detalhe meu.
"Ethan, este é o seu grupo de colegas. Pessoal, este é Ethan Ross. Ele é novo aqui, vindo de Portland."
"Legal", disse um garoto alto, de cabelos castanhos desgrenhados, enquanto estendia a mão. "Eu sou Adam. Bem-vindo ao lugar mais excitante do mundo."
O tom sarcástico me fez rir. "Valeu."
Conforme fui me apresentando ao grupo, percebi que havia uma tensão no ar. Era sutil, mas estava ali. Eles me tratavam bem, mas havia algo nos olhares, nos sorrisos contidos, que me fez sentir que eu estava entrando em um clube exclusivo com segredos que não seriam compartilhados facilmente.
À noite, minha mãe insistiu em que fôssemos jantar fora, como uma forma de comemorar o "novo começo". Escolhemos uma lanchonete chamada Rusty's, famosa pelos milkshakes. Era um lugar clássico, com mesas de vinil vermelho e uma jukebox que tocava músicas antigas.
"Você já fez amigos?" perguntou minha mãe enquanto mexia no cardápio.
"Alguns. Eles parecem legais." Não contei a ela sobre a estranha tensão que senti.
De repente, um grupo de adolescentes entrou na lanchonete. Reconheci alguns rostos do corredor mais cedo. Adam estava entre eles, acompanhado de outros estudantes. Eles riam, mas havia algo em suas expressões que parecia... forçado. Como se estivessem tentando desesperadamente fingir normalidade.
Eles me notaram e acenaram de forma educada, mas não se aproximaram. Eu observei enquanto ocupavam uma mesa no canto e começavam a conversar em sussurros.
"Eu já volto", disse à minha mãe, levantando-me.
Caminhei até o balcão para pedir outro refrigerante, mas não pude evitar ouvir a conversa deles.
"Eu só estou dizendo", disse uma garota loira, olhando ao redor como se tivesse medo de ser ouvida. "Ele pode ter sumido, mas isso não significa que acabou."
"Ele está morto", insistiu Adam, mas sua voz não parecia convincente.
"Você não viu o que eu vi", ela respondeu, quase sussurrando.
Mais tarde naquela noite, enquanto estava deitado na cama do meu novo quarto, as palavras da garota loira ecoavam na minha cabeça. Quem era "ele"? O que eles sabiam que eu não sabia?
Abri a janela, deixando o ar fresco da primavera entrar. O silêncio de Green Valley era quase opressor. Por um momento, pensei ter visto algo se mover na floresta além da minha casa.
Balancei a cabeça, tentando afastar a paranoia. Era só a minha mente pregando peças, certo?
Ainda assim, um calafrio percorreu minha espinha. Algo me dizia que Green Valley não era tão tranquila quanto parecia.
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Silêncio Mortal
HorrorEm uma cidade pequena marcada por segredos e tragédias, uma série de assassinatos brutais transforma o cotidiano em um pesadelo. Enquanto o medo se espalha, um grupo de jovens tenta desvendar a identidade de um assassino mascarado que parece sempre...
