A festa estava no auge quando o céu começou a escurecer. O calor do dia transformava as bebidas roubadas da loja em combustível para as risadas, enquanto a música alta, conectada a uma velha caixa de som que Ethan jurava ser "vintage", pulsava com energia. Tudo parecia um clipe de verão que ninguém queria que acabasse.
Eu estava encostado em uma árvore, observando a fogueira crepitar, enquanto Anny dançava com Mia e Sarah. Meu peito apertou por um segundo ao perceber como o sorriso dela era lindo, iluminado pelas chamas, como se nada no mundo pudesse tocar aquele momento.
— Ei, Blake! Vem pra cá! — Mia gritou, puxando Sarah pela mão e girando de um jeito desengonçado, fazendo todos rirem.
— Já vou! — respondi, levantando minha cerveja meio vazia, mas sem me mover. Eu preferia assistir, pelo menos por enquanto.
Luke estava no centro da roda, encenando uma dança tão ridícula que até Nathan, que normalmente ficava encolhido em algum canto, estava gargalhando sem parar. Alguns casais se formavam e desapareciam no meio das árvores. Era como se todo mundo estivesse em um filme adolescente e eu fosse apenas o espectador.
Kyle, o namorado da Mia, não estava por perto. Fazia sentido agora que ela parecia tão... livre. Ela tinha um jeito de disfarçar suas mágoas com risos e sarcasmo, mas bastava observá-la por um tempo para notar que algo estava fora do lugar.
Do outro lado, Ethan me olhou e ergueu o copo, um sorriso desafiador no rosto.
— Vai ficar aí, parado? Que porra, Blake, até o Nathan já tá dançando!
Antes que eu pudesse responder, senti mãos puxando meu braço. Anny.
— Sem desculpas. Hoje você dança. — Ela sorriu daquele jeito que fazia o mundo parecer mais leve, e eu simplesmente não consegui dizer não.
A festa durou até as primeiras gotas de chuva começarem a cair. No início, ninguém deu importância. Afinal, era só água. Mas em poucos minutos, a garoa virou um dilúvio, e todos correram para se abrigar.
A cabana principal estava cheia de vozes altas, roupas molhadas e pessoas procurando algo para fazer até a chuva passar.
— Estou morrendo de fome — Mia anunciou, passando os dedos pelos cabelos ensopados. — Alguém mais quer um lanche?
— Eu topo — Ethan respondeu.
— Vamos também — Anny disse, segurando minha mão sem pedir permissão.
Nos juntamos a Mia, Sarah e Ethan, e seguimos até a cozinha da cabana. Era um lugar pequeno, mas confortável, com cheiro de madeira velha e o leve aroma de pão amanhecido.
Ethan abriu a geladeira.
— Bingo. Sobrou pizza de ontem.
Enquanto ele mexia nas prateleiras, algo me fez parar. Uma sensação estranha, como se houvesse algo... errado. Eu olhei para a janela, mas só vi a chuva torrencial batendo contra o vidro, criando padrões caóticos de água.
— Blake? Tá tudo bem? — Anny perguntou.
Eu balancei a cabeça.
— Tá. Só achei que vi alguma coisa lá fora.
— Deve ser a enfermeira ou o segurança — Ethan disse, distraído, enquanto enchia a boca com um pedaço de pizza.
Foi então que as luzes piscaram.
Primeiro uma vez. Depois outra. Até que, de repente, tudo ficou escuro.
— Ah, merda — Mia resmungou. — E agora?
O silêncio tomou conta da cozinha. Só o som da chuva lá fora preenchia o ambiente.
— Isso é normal, né? — Sarah perguntou, com a voz um pouco trêmula.
— Com certeza. Tempestades fazem isso o tempo todo. — Ethan tentou soar confiante, mas até ele parecia inquieto.
Foi então que ouvimos o som.
Um arrastar lento, pesado, vindo do corredor.
— É só o vento — Ethan disse, quase automaticamente.
Mas sabíamos que não era.
— Blake... — Anny sussurrou, apertando minha mão com força.
O som ficou mais próximo. Passos. Lentos e deliberados.
— Quem tá aí? — gritei, tentando soar mais corajoso do que me sentia.
A resposta foi um silêncio ainda mais profundo.
Então, algo caiu. Um estrondo alto, vindo da sala principal.
— Vamos embora daqui — Mia disse, já puxando Sarah pelo braço.
Corremos pelo corredor, tropeçando nas sombras e tentando ignorar o som dos nossos próprios corações batendo acelerados.
Quando chegamos à porta da cabana do segurança, descobrimos que estava trancada.
— Ei! Abra a porta! — gritei, batendo com todas as forças.
Não houve resposta.
— Ele tem que estar aqui — Ethan disse, olhando ao redor.
— Talvez ele esteja dormindo? — Sarah sugeriu, embora soubéssemos que era improvável.
Foi quando a porta se abriu, mas não por dentro.
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Silêncio Mortal
HorrorEm uma cidade pequena marcada por segredos e tragédias, uma série de assassinatos brutais transforma o cotidiano em um pesadelo. Enquanto o medo se espalha, um grupo de jovens tenta desvendar a identidade de um assassino mascarado que parece sempre...
