ANNY

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A escuridão da mata parecia engolir tudo à nossa volta. A chuva, agora mais forte, nos encharcava por completo, mas nada se comparava à dor que eu sentia dentro de mim. Cada passo que eu dava parecia mais pesado, como se o peso do mundo tivesse caído sobre meus ombros. Meu coração estava esmagado, dilacerado, e tudo o que eu conseguia ouvir era o som de minhas próprias respirações ofegantes misturadas com o choro baixo de Mia ao meu lado.

Ela não conseguia mais falar. Mia apenas andava, os olhos perdidos no vazio, como se já tivesse morrido por dentro. Ela perdeu Sarah. E eu... eu perdi uma amiga, uma pessoa que eu nunca imaginei que fosse perder dessa forma, tão brutalmente. Quando vimos Sarah cair, sua vida escorrendo pela faca daquele monstro, eu senti um pedaço de mim sendo arrancado.

Não importa o quanto você tente se preparar para a dor, nada te prepara para ver a morte de perto, ainda mais de alguém que você ama. E a raiva... a raiva que começou a crescer dentro de mim, uma chama que queimava mais forte a cada segundo, me consumia. Como ele ousa? Como ele pode fazer isso? Ele destruiu nossa amiga, nossa confiança, nossas esperanças. E agora... agora ele estava nos caçando. O assassino... aquele maldito assassino.

O silêncio entre nós era aterrador, ninguém tinha forças para falar. A chuva batia contra as árvores, mas o som mais alto, mais presente, era o bater rápido dos nossos corações, o eco da nossa dor. Cada passo que dávamos era mais um passo longe do que éramos antes. Agora éramos apenas sombras, assombrados pela perda e pela angústia de não termos conseguido salvar Sarah.

Eu olhei para Mia, seu rosto pálido, as lágrimas se misturando com a chuva. Ela estava em estado de choque. Eu queria dizer algo, consolá-la, mas as palavras não vinham. Nada poderia aliviar a dor dela, nada poderia curar aquele vazio que se instalou em nossos corações.

Blake estava à frente, tentando liderar, mas até ele estava quebrado. O rosto dele estava contorcido de raiva, seus olhos tão cheios de dor quanto os nossos. Ele sabia, assim como nós, que não havia nada mais importante agora do que nos mantermos vivos, mas, ao mesmo tempo, sabíamos que a dor da perda de Sarah nunca iria embora. Nada mais seria como antes. Nada mais seria leve.

E então, o ódio. A revolta tomou conta de mim, como se uma força invisível tivesse invadido meu corpo. O assassino tinha que pagar. Ele tinha que pagar por tudo o que fez. Tinha que pagar pela dor, pela perda, pela morte de Sarah. Não iria mais permitir que ele nos causasse mais sofrimento. Aquele homem... aquele monstro... tinha que ser detido, e eu não descansaria até vê-lo caído. Não havia mais espaço para medo, apenas raiva e desejo de justiça.

Mia finalmente falou, sua voz baixa e quebrada, mas ainda assim cheia de dor.

— Eu... não... não posso acreditar que ela se foi... — As palavras de Mia eram dolorosas, mas as suas lágrimas foram como lâminas afiadas cortando o silêncio. — Como... como isso foi acontecer? Ela... ela merecia mais.

Eu senti a dor dela em cada palavra. E a raiva. A raiva se misturava à dor, tornando tudo mais insuportável. O assassino havia arrancado Sarah de nós, como se ela fosse apenas uma peça descartável. Eu queria que ele sentisse tudo o que estávamos sentindo. Cada lágrima, cada suspiro, cada pedaço de dor que ele havia nos causado.

E foi então que, como uma facada, a lembrança de Sarah invadiu minha mente. O jeito como ela sorria, como sua risada preenchia o ambiente. Eu a via diante de mim, sua expressão alegre, cheia de vida, e agora ela não estava mais aqui. Tudo foi arrancado de nós de forma tão abrupta, tão brutal. Eu queria gritar, mas as palavras se perderam em minha garganta.

— Nós vamos fazer ele pagar... — Luke murmurou, sua voz baixa e grave, mas cheia de determinação. — Não vamos deixar ele escapar. Ele vai pagar por isso.

Eu não sabia se aquelas palavras eram para ele mesmo ou para nós, mas ele tinha razão. O assassino não poderia sair impune. A dor nos consumia, mas também nos impulsionava. A perda de Sarah havia nos transformado em algo mais. Agora não éramos apenas sobreviventes, éramos caçadores.

A nossa jornada pela mata foi tortuosa. Cada árvore que se movia com o vento, cada sombra que surgia de repente, fazia nossos corações acelerarem. A chuva batia forte, mas o que realmente nos encharcava era a sensação de que ele estava perto, que o assassino estava sempre à espreita. A tensão era insuportável.

O tempo passou, mas o peso da perda de Sarah nunca deixou de nos acompanhar. Quando chegamos à cabana de segurança, entramos em silêncio, um silêncio denso e pesado. Eu sabia que, no fundo, nenhum de nós queria falar sobre Sarah. Não podíamos. Era como se, de alguma forma, falar sobre ela tornasse a perda ainda mais real.

E o assassino... ele ainda estava lá fora, vigiando, esperando pela nossa próxima jogada. Eu sabia disso. A raiva, a dor e a necessidade de justiça queimavam dentro de mim, e eu não tinha intenção de deixar ele escapar. Mas, por enquanto, tínhamos que nos proteger. O monstro estava à espreita, e nós seríamos a próxima presa.

Mas uma coisa era certa: não pararíamos até ver ele morto. Ele pagaria por cada segundo de dor que causou a Sarah. E nós seríamos a justiça que ela nunca pôde ter.

Silêncio MortalOnde histórias criam vida. Descubra agora