Eu sempre ouvi dizer que o verão era a estação das promessas. Promessas de diversão, de liberdade, de flertes sem compromisso, e, claro, de momentos que a gente lembra para o resto da vida. Para ser sincero, eu estava contando os dias para sair da escola e respirar ar fresco. Não aguentava mais os corredores abafados e a pressão constante de sempre parecer perfeito. Então, quando anunciaram o acampamento de verão para os seniors, parecia o escape perfeito.
Agora, aqui estou eu, sentado no banco de trás da van alugada, com o sol brilhando tão forte que é quase impossível manter os olhos abertos. O ar está pesado com o cheiro de protetor solar e salgadinhos, e o rádio toca alguma música pop grudenta que Mia insiste em cantar em plenos pulmões. Nathan está no banco da frente, com um livro nas mãos, tentando fingir que não odeia cada segundo dessa viagem. E Blake? Bem, ele está na janela, com um braço para fora, deixando o vento bagunçar ainda mais o cabelo. Parece que ele finalmente está relaxando.
E a Anny... Ok, ela merece uma menção especial. Ela está no banco do meio, rindo de algo que Mia acabou de dizer. Seus cabelos castanhos estão soltos pela primeira vez em meses, e há algo diferente no seu sorriso. Talvez seja o verão, ou talvez seja o fato de que, pela primeira vez em muito tempo, a gente não tem que olhar por cima do ombro.
— Ei, Luke, tá dormindo aí? — a voz de Mia corta meus pensamentos. Ela joga um pacote vazio de Doritos na minha direção. — Bora animar, a gente tá quase lá!
Dou um sorriso preguiçoso.
— Só estou economizando energia pra quando tiver que carregar vocês no lago.
Mia revira os olhos e joga o cabelo de lado dramaticamente.
— Você fala como se tivesse alguma chance contra mim.
O acampamento Crystal Creek — sim, o nome é quase o mesmo do filme, só que menos assustador, espero — é exatamente como eu imaginei: um lugar no meio do nada, cercado por árvores tão altas que quase escondem o céu. As cabanas são simples, de madeira, com telhados inclinados e janelas pequenas. Tem uma fogueira enorme no centro do acampamento, cercada por troncos que servem de bancos, e, claro, o lago. O lago é o que dá o toque mágico. A água é cristalina, refletindo o céu azul, e um pequeno deck se estende até o meio, perfeito para pular.
Assim que chegamos, todo mundo já está em modo "verão épico". Alguns caras já tiraram a camisa e estão correndo em direção ao lago, enquanto as meninas estão colocando seus biquínis, exibindo os corpos bronzeados e os sorrisos perfeitos. O cheiro de grama recém-cortada mistura-se ao da madeira úmida, e a brisa quente é cortada por risadas e gritos.
— Isso sim é o paraíso. — Blake diz, jogando sua mochila no chão e tirando a camisa de uma vez só. Claro que ele faz isso como se fosse uma cena de um filme, deixando a luz do sol brilhar nos ombros dele. Eu reviro os olhos, mas, no fundo, admito que ele sabe como chamar atenção.
Enquanto descarregamos nossas coisas, Nathan solta uma observação.
— Vocês perceberam que não tem sinal de celular aqui, né?
— Isso é tipo o básico de um acampamento, Sherlock. — respondo, enquanto coloco minha mochila no ombro.
— Não, mas pensa só. — Ele continua, ajustando os óculos. — Se algo acontecer, estamos completamente desconectados.
— Relaxa, Nathan, a única coisa perigosa aqui é você com um livro na mão enquanto todo mundo tá se divertindo. — digo, tentando aliviar o clima.
As primeiras horas são um caos organizado. Todo mundo corre para escolher as cabanas, e eu acabo dividindo a minha com Blake, Nathan e dois outros caras da escola que eu mal conheço. As meninas ficaram na cabana ao lado, e dá pra ouvir a risada da Mia atravessando as paredes de madeira fina.
Depois de guardar nossas coisas, fomos para o lago. A água estava gelada, mas, no calor sufocante do verão, isso era quase um alívio. Pulei do deck, sentindo a adrenalina subir enquanto meu corpo mergulhava na água. Ao emergir, vi Mia e Anny sentadas na beira, com os pés na água.
— Vocês deviam entrar! — gritei, sacudindo a água para todo lado.
Mia cruzou os braços, me olhando com um sorriso provocador.
— E estragar essa obra-prima de cabelo? Nem pensar!
Blake, claro, não perdeu a chance. Ele saiu correndo do deck e, antes que Mia pudesse reagir, mergulhou na água, levantando uma onda que encharcou as duas. Mia gritou, mas, em vez de ficar brava, ela começou a rir. Anny, por outro lado, apenas ficou lá, olhando para o lago como se estivesse em outro lugar.
Mais tarde, à noite, nos reunimos em volta da fogueira. Alguém trouxe um violão, e as pessoas começaram a cantar músicas que todos conheciam. A luz da fogueira iluminava os rostos, enquanto faíscas subiam em direção ao céu. Era um momento perfeito, quase cinematográfico.
Mas, no fundo, havia uma inquietação que eu não conseguia ignorar. Talvez fosse o jeito como as sombras das árvores pareciam mais escuras do que deveriam. Ou o fato de que o silêncio entre as risadas era mais pesado do que o normal. Talvez fosse só minha imaginação.
Ou talvez fosse um sinal de que o verão, apesar de todas as promessas, não seria tão perfeito assim.
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Silêncio Mortal
TerrorEm uma cidade pequena marcada por segredos e tragédias, uma série de assassinatos brutais transforma o cotidiano em um pesadelo. Enquanto o medo se espalha, um grupo de jovens tenta desvendar a identidade de um assassino mascarado que parece sempre...
