As duas amantes estavam quase enroladas uma na outra, suas pernas nuas entrelaçadas em uma grande cama sob um edredom de seda azul-gelo e lençóis brancos da Frette. Piper murmurava em seu sono, movendo-se inquieta, enquanto Alex permanecia imóvel, desfrutando o prazer silencioso de sua companhia.
Ela poderia tê-la perdido. Deitada ao lado de Piper, Alex estava consciente de que a noite poderia ter terminado de forma muito diferente. Piper não precisava perdoá-la. Não precisava aceitá-la. Mas ela o fez. Talvez Alex pudesse se atrever a ter esperança...
— Alex?
Ela não respondeu de imediato, achando que Piper ainda dormia. Eram três da manhã, e o quarto estava envolto em escuridão, uma escuridão suavemente quebrada pelas luzes da cidade filtradas pelas persianas.
Piper se virou para ver seu rosto.
— Alex? — sussurrou. — Você está acordada?
— Sim. Está tudo bem, querida. Volte a dormir. — Alex beijou-a levemente e acariciou seus cabelos.
Piper apoiou-se sobre um cotovelo.
— Estou bem acordada agora.
— Eu também.
— Posso falar com você?
Alex rapidamente imitou sua posição.
— Claro. Há algo errado?
— Você está mais feliz agora do que era antes?
Alex a olhou por um momento e gentilmente bateu em seu nariz com o dedo.
— Por que uma pergunta profunda no meio da noite?
— Você disse que não estava feliz no ano passado. Eu queria saber se está feliz agora.
— Felicidade é algo que eu conheço muito pouco. E você?
Piper torceu a beira do lençol entre os dedos.
— Eu tento ser feliz. Tento me concentrar nas pequenas coisas e encontrar prazer nelas. Sua torta me fez feliz.
— Se eu soubesse que te faria feliz, teria feito antes.
— Por que você não está feliz agora?
— Eu trocaria meu direito de primogenitura por um prato de lentilhas.
— Você está citando a Bíblia? — Piper estava incrédula.
Alex eriçou.
— Eu não sou uma pagã, Piper. Fui criada na tradição episcopal. Lee e Diane eram muito devotos. Você não sabia?
Ela assentiu. Tinha esquecido.
O rosto de Alex assumiu uma expressão extremamente séria.
— Eu ainda acredito, mesmo sem viver como deveria. Sei que isso me torna uma hipócrita.
— Todos os crentes são hipócritas, porque nenhum de nós vive plenamente o que acredita. Eu também acredito, mas não sou muito boa nisso. Só vou à missa quando estou triste, ou no Natal e na Páscoa. — Ela estendeu a mão e apertou a de Alex com força. — Se você ainda acredita, então deve ter esperança. Deve acreditar que a felicidade é possível pra você também.
Alex soltou sua mão e rolou de costas, olhando para o teto.
— Eu perdi minha alma, Piper.
— Por que diz isso?
— Você está olhando para uma daquelas infelizes que cometeram um pecado mortal.
— Como?
Alex suspirou.
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O Inferno de Alex Vause
FanfictionAVISO: Essa obra não me pertence. O enredo e conteúdo descritos são de autoria da escritora Sylvain Reynard. O que lerão a seguir é uma adaptação feita para o universo Vauseman, personagens fictícios da série Orange is the new black. Livro 01: Enig...
