O fim de semana de Piper com Alex foi, talvez, um dos mais felizes de sua vida.
Ela carregou essas lembranças como talismãs durante toda a semana. Durante o seminário na quarta-feira, nas tentativas persistentes de Sylvia de humilhá-la e embaraçá-la, e nos incentivos bem-intencionados, mas indesejáveis, de Larry para apresentar uma queixa contra a Professora Singer.
A semana de Alex, por outro lado, foi um inferno. Foi difícil manter os olhos longe de Piper durante o seminário, e o esforço a deixava irritada e mal-humorada. Sylvia quase esgotou sua paciência, implorando por reuniões extraordinárias para discutir supostamente sua proposta de dissertação. Alex rejeitou todos os pedidos com um gesto seco da mão, o que só fez redobrar os esforços da aluna.
E Singer... Ela enviou um e-mail para Alex:
alex,
Foi bom ver você de novo. Senti falta das nossas conversas.
Sua palestra foi tecnicamente competente, mas decepcionantemente conservadora. Você costumava ser aventureira. Livre. Talvez a professora proteste demais...
Você precisa abraçar sua verdadeira natureza e sair do tradicional. Eu posso te dar exatamente o que você almeja.
— sra. anna
Alex leu a mensagem da Professora Dominadora Singer como uma provocação. A ausência de letras maiúsculas no nome e nos pronomes era intencional, um jogo de poder. Mas tudo o que ela sentiu foi repulsa. Ficou claro o quanto havia mudado desde o último encontro com Anna. Não havia mais fascínio. Nenhuma atração.
Talvez, mesmo antes de Piper voltar para sua vida, Alex já estivesse caminhando em direção à luz, uma jornada alimentada e incentivada pela presença dela. A ideia lhe agradava.
Ela não respondeu nem excluiu o e-mail. Fez o mesmo que com as mensagens anteriores: imprimiu e arquivou em uma pasta no escritório. Não estava disposta a apresentar uma queixa formal, já que o envolvimento inicial havia sido consensual. Mas não descartava a possibilidade de usar as palavras de Anna contra ela, se necessário. Só esperava que o fascínio da professora se voltasse exclusivamente para ela e que esquecesse Piper.
Em um esforço para se distrair, Alex passou a maior parte do tempo livre preparando o aniversário de Piper ou praticando esgrima no clube da universidade. Qualquer uma das opções era mais saudável do que seus antigos hábitos.
Todas as noites, ela ficava acordada olhando para o teto, pensando em Piper e desejando que o corpo quente e suave dela estivesse ao seu lado. Estava começando a ter dificuldade para dormir sem ela e nenhuma forma de liberação de tensão era suficiente para aliviar essa ausência.
Fazia muito tempo desde que Alex tivera um namoro formal, desde Harvard pelo menos. Ela se amaldiçoava por ter acreditado que suas depravações eram uma substituição adequada, ou até preferível, a algo real. Algo puro.
Ela sentia falta do sexo, sim. Às vezes se perguntava como conseguiria manter o regime de castidade, se o desejo ameaçava rasgá-la por dentro. Mas estava trabalhando suas habilidades de sedução na doçura de Piper. Não tinha intenção de se afastar dela. Não sentia falta da alienação de voltar para casa sozinha depois de estar no apartamento de uma amante e lavar os vestígios do corpo como se fossem contagiosos. Não sentia falta da auto-repulsa que vinha ao refletir sobre os antigos casos, mulheres que jamais teria apresentado a sua mãe.
Piper era diferente.
Com ela, Alex queria paixão e emoção, mas também carinho e companheirismo. E essa percepção, embora nova, continuava a assustá-la tanto quanto a excitava.
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O Inferno de Alex Vause
Fiksi PenggemarAVISO: Essa obra não me pertence. O enredo e conteúdo descritos são de autoria da escritora Sylvain Reynard. O que lerão a seguir é uma adaptação feita para o universo Vauseman, personagens fictícios da série Orange is the new black. Livro 01: Enig...
