Capítulo 21

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Enquanto Piper esperava no apartamento, Alex agia como um camaleão, misturando-se ao ambiente. Era encantadora e agradável com os colegas, mas por dentro, suas entranhas estavam agitadas e sua mente longe. Teve que se forçar a comer e recusar bebida após bebida. Alex estava convencida de que voltaria para um apartamento vazio. Piper teria fugido.

Não seria surpreendente... Ela sabia que isso eventualmente aconteceria. Só não pensou que seria esse segredo que as separaria. Não a merecia por diversas razões, motivos que escondia como uma covarde. Não era uma questão de amor. Alex não acreditava que Piper pudesse amá-la. Não merecia ser amada. No entanto, esperava poder cortejá-la por tempo suficiente para que o carinho e a amizade as unissem, mesmo diante da escuridão. Agora era tarde demais.

Quando finalmente chegou em casa, ficou surpresa ao encontrá-la dormindo no sofá, o rosto refletindo uma paz perfeita. Tentou bravamente resistir à vontade de tocá-la, mas não conseguiu. Estendeu a mão e suavemente acariciou os cabelos longos e sedosos, murmurando tristes palavras em italiano.

Ela precisava de música. Naquele momento, sentia a necessidade de melodia e letra para aliviar a agonia. Mas a única música que correspondia àquele instante era Mad World, na versão de Gary Jules. E Alex não queria ouvir essa canção enquanto Piper a deixava.

De repente, os olhos de Piper se abriram. Ela viu que Alex a encarava e então a morena sorriu, mas sua expressão era cautelosa.

— Eu não queria te acordar.

— Está tudo bem. Eu só estava cochilando. — Ela bocejou e sentou-se lentamente.

— Pode voltar a dormir.

— Acho que isso não é uma boa ideia.

— Você comeu alguma coisa?

Ela balançou a cabeça.

— Vai comer agora? Posso fazer uma omelete.

— Eu estou um pouco enjoada, na verdade.

Alex ficou irritada, mas se recusou a argumentar. Havia uma discussão muito maior pela frente.

— Tenho um presente pra você.

— Alex, um presente é a última coisa que eu preciso agora.

— Eu discordo. Mas isso pode esperar. — Ela se moveu desconfortavelmente no sofá, sem tirar os olhos de Piper. — Você está usando um cachecol e está sentada em frente à lareira, mas está tão pálida. Está com frio?

— Não. — Piper alcançou sua pashmina para retirá-la, mas os longos e finos dedos de Alex pegaram sua mão.

— Posso?

Ela retirou a mão e acenou com cautela.

Alex se aproximou, e Piper fechou os olhos quando o perfume dela a alcançou. Ela gentilmente desenrolou o lenço do pescoço com ambas as mãos e o colocou no sofá entre elas. Então estendeu a mão e arrastou os dedos pela garganta de Piper.

— Você é tão linda — murmurou. — Não admira que todos os olhos estavam em você esta noite.

Piper ficou tensa com as palavras, e Alex se afastou, abafando um gemido.

Seus olhos encontraram os pés dela, e Piper percebeu que estava tão distraída que nem se preocupou em tirar as botas. Mas Alex não se queixou.

— Sinto muito por colocar minhas botas no seu sofá. Vou tirá-las. — Ela alcançou um dos zíperes, mas Alex se ajoelhou rapidamente sobre o tapete.

— O que você está fazendo? — Seus olhos se arregalaram em confusão.

— Estava admirando suas botas. Muito mesmo. — Ela roçou levemente os sapatos de salto alto com as mãos.

O Inferno de Alex VauseHistórias para pegar e não largar. Descubra agora