Na noite de terça-feira, Piper teve uma conversa tensa, embora cuidadosamente precisa, com seu pai sobre os acontecimentos do fim de semana anterior. Ela ligou de seu novo celular, explicando por que precisou mudar de número. Ele havia tentado, em vão, falar com ela durante três dias, mas só ouvira sua caixa postal. Estava irritado.
— Pai, tive que mudar meu número porque Simon me ligou.
— Ah, é mesmo? — A voz de Bill estava hesitante, o que fez Piper suspeitar.
— Sim, é sério. Ele disse que você deu meu número pra ele. E então me ligou e me assediou!
— Filho da puta! — murmurou.
— Vou te passar meu número novo, mas não quero que compartilhe com ninguém. Especialmente com a Deb. Ela vai acabar entregando pra Tiffany.
Bill continuou falando consigo mesmo, como costumava fazer, até perceber que havia alguém do outro lado da linha.
— Não se preocupe com a Deb.
— Sim, papai, eu me preocupo com ela! Sua filha ainda fala com Simon. E se ela disser que estou voltando pra casa? Ele pode aparecer aí!
— Você está exagerando. Ele não vai dirigir até aqui. Tivemos uma conversa agradável na semana passada. Foi educado, só disse que você tinha algumas coisas dele. Não queria incomodar, então dei seu número e disse que seria bom ele ligar.
— Eu não tenho nada dele! E mesmo que tivesse, você sabe que não quero falar com ele. Ele age de um jeito com você. Comigo... — Piper balançou ligeiramente.
— Tem certeza que não foi um mal-entendido?
— Não é difícil interpretar ameaças e perseguições, pai. Ele não consegue falar comigo. Não é meu amigo. E nenhum pedido de desculpas vai compensar o que ele me fez.
Bill suspirou ao telefone.
— Tudo bem, Piper. Sinto muito. Não vou dar seu número pra ninguém. Mas tem certeza que não quer dar uma segunda chance? Ele vem de uma grande família. Todo mundo comete erros.
Piper revirou tanto os olhos que quase rolaram da cabeça. Naquele momento, ela queria ser vingativa. Queria perguntar ao pai se ele teria pegado sua mãe de volta se tivesse visto o que ela viu aos doze anos, Carol debruçada sobre a mesa da cozinha com um dos namorados. Mas Piper não era vingativa. Então, não disse nada.
— Pai, ele pode ser filho de um senador, mas é um filho da puta. E o que foi quebrado nunca pode ser corrigido. Confie em mim.
Ele exalou alto.
— Ok. Quando você volta pra casa?
— Quinta-feira.
— Vai vir dirigindo com Lorna e Nicky?
— Esse é o plano. Alex também está indo. — Piper tentou tornar a mentira convincente.
— Fique o mais longe possível de Alex.
— Por quê?
— Porque ela é uma maçã podre. Surpreso que não esteja na cadeia. Só posso dizer que teve sorte de se mudar pro Canadá.
Piper sacudiu a cabeça.
— Se ela fosse criminosa, os canadenses não teriam concedido um visto de trabalho.
— Os canadenses deixam qualquer um entrar. Até terroristas.
Piper revirou os olhos para o preconceito anti-Canadá do pai e começou a planejar a visita, torcendo para que ele mantivesse suas promessas.
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O Inferno de Alex Vause
Fan-FictionAVISO: Essa obra não me pertence. O enredo e conteúdo descritos são de autoria da escritora Sylvain Reynard. O que lerão a seguir é uma adaptação feita para o universo Vauseman, personagens fictícios da série Orange is the new black. Livro 01: Enig...
