Capítulo 31

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Nesse capítulo a Alex falará sobre a época em que usava drogas e há menção a aborto. Quem for sensível a esses assuntos, sugiro pular.

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Na sexta-feira, a professora Alex Vause estava de mau humor. Passara quase uma semana inteira sem Piper, e ainda teve que vê-la sair com Larry depois do seminário, sem que ela ao menos olhasse em sua direção.

Ela tinha que manter distância quando tudo que queria era tocá-la e dizer a todos que Piper era sua. Dormindo nua na escuridão, seus demônios a visitaram, e seus pesadelos a provocaram e oprimiram. Os pesadelos que normalmente se passavam na baía eram povoados pela presença dela, uma luminescência inigualável da estrela mais brilhante. Uma estrela que ela logo teria que viver sem.

Ela sabia que precisava contar seus segredos antes de embarcar no avião.

Assim, lamentou o fato de que sua semana fora, possivelmente, a última com Piper e a passou sozinha. Trocou seu bilhete e fez todas as reservas para que Piper a acompanhasse a Florença, mas o fez sem entusiasmo, e não deixou de investir no seguro em caso de cancelamento de viagem, já que realmente acreditava que ela poderia lhe deixar. Temia o momento em que os olhos arregalados e inocentes de Piper iriam escurecer, e ela a rejeitaria como alguém indigna. Mas não permitiria que Piper entregasse sua inocência a um demônio sem saber de tudo. Ela não seria um Cupido com sua Psiquê.

Por isso, foi com frieza indisfarçável que Alex a cumprimentou na sexta-feira, quando Piper chegou para o jantar. Beijou-lhe a testa e afastou-se fraternalmente, indicando que ela deveria entrar.

"Perca a esperança", pensou consigo mesma.

Piper sabia que algo estava errado, e não era apenas porque podia ouvir os acordes de Madame Butterfly de Puccini flutuando da sala de estar. Normalmente, Alex a saudava com um abraço e alguns beijos apaixonados antes de tirar seu casaco. Ao contrário, ela estava ali, e nem mesmo olhava para Piper, esperando que ela falasse.

— Alex? — Piper chegou até a tocar seu rosto. — Há algo de errado?

— Não — ela mentiu, virando o rosto. — Posso te oferecer uma bebida?

Piper resistiu ao impulso de pressioná-la por respostas e aceitou um copo de vinho. Esperava que Alex se aproximasse durante o jantar.

Ela não se aproximou. Serviu o jantar em silêncio, e quando Piper tentou iniciar uma conversa educada sobre o rosbife, Alex respondeu de maneira monossilábica.

Piper contou que havia completado todo o trabalho escolar do semestre e que Katherine Picton concordara em lançar suas notas antes do dia 8 de dezembro, mas Alex apenas balançou a cabeça em resposta, olhando para seu copo de vinho, que logo se encontrou vazio.

Piper nunca a tinha visto beber tanto. Alex já havia ficado bêbada na noite em que Piper a resgatou no lobby. Mas agora ela estava diferente. Não estava feliz e flertando, estava atormentada. A cada copo, Piper ficava mais preocupada, mas toda vez que abria a boca para dizer algo, percebia um vislumbre de tristeza passageira no rosto de Alex, fazendo com que ela refreasse. Alex foi ficando progressivamente mais fria e distante a cada copo, tanto que, no momento em que serviu a torta caseira de maçã que a governanta havia feito para sobremesa, Piper ignorou a sobremesa e exigiu que ela silenciasse a música de Maria Callas que estava tocando, para que pudessem conversar.

Isso chamou a atenção de Alex, uma vez que a torta era o ponto culminante de sua ceia. Sua Última Ceia.

— Nada está errado — ela bufou, caminhando até o aparelho de som e interrompendo a apresentação de ópera.

O Inferno de Alex VauseHistórias para pegar e não largar. Descubra agora