Quando a casa estava envolta na escuridão e parecia que todos dormiam, Alex e Piper ficaram se olhando na cozinha.
— Não tenho certeza se você está vestida com roupas quentes o suficiente. Está frio lá fora. — Ela apontou para o casaco.
— Não é tão frio quanto Toronto — Piper riu.
— Não vou mantê-la lá fora por muito tempo. Veja o que encontrei. — Alex ergueu um cachecol longo e largo, feito de grossas listras brancas e pretas. Envolveu-o em volta do pescoço dela, habilmente fazendo um laço na frente. — Isso é da minha antiga faculdade em Oxford.
Piper sorriu.
— Eu gosto dele.
— Combina com você. Encontrei outra coisa também. — Alex ergueu um cobertor velho que parecia estranhamente familiar.
Piper estendeu a mão para tocar sua borda.
— É aquele?
— Acho que sim. Mas não será quente o suficiente, então trouxe mais dois. — Ela pegou a mão de Piper e a levou para a varanda.
Estava mais frio e escuro agora, mas, de alguma forma, parecia como se o tempo não tivesse passado desde que Piper pegou a mão de Alex e seguiu para a floresta pela primeira vez. Ela inalou bruscamente com a lembrança, e enquanto atravessavam o quintal na escuridão, sentiu seu coração começar a esmurrar o peito.
Alex apertou a mão dela.
— O que há de errado?
— Nada.
— Você está nervosa, eu posso notar. Fale comigo.
Ela soltou a mão de Piper e passou o braço em volta da cintura dela, puxando-a para perto.
Piper abraçou sua cintura de volta.
— Na última vez que estive nessa floresta, eu me perdi. Você tem que prometer que não vai me deixar.
— Piper, eu não vou deixar você. Você não entende o quanto é importante pra mim. Não posso sequer imaginar como seria perder você. — O tom de voz de Alex mudou. Era baixo, tenso. Sua declaração pegou Piper de surpresa. — Se por algum motivo a gente se perder, quero que você espere por mim. Eu vou encontrar você, eu prometo.
Alex tirou uma lanterna do bolso e a acendeu, iluminando o caminho já gasto à frente delas, que desaparecia entre as árvores.
A floresta era fantasmagórica à noite: uma mistura de pinheiros verdejantes e árvores nuas esperando a primavera. Piper agarrou a cintura de Alex com mais força, preocupada se poderia tropeçar em uma raiz ou algo assim e cair. Quando chegaram à beira do pomar, Alex parou.
Parecia menor do que Piper se lembrava. O gramado parecia o mesmo, a rocha e as macieiras eram os mesmos, mas não tão grandes e significativos como eram em sua memória. E mais triste, como se tudo tivesse sido esquecido.
Alex a levou para o local que era delas por todos aqueles anos e cuidadosamente estendeu o velho cobertor no chão.
— Quem comprou a casa de vocês? — perguntou Piper.
— Por que pergunta isso?
— Estava pensando em quem comprou. Diga-me que não foi a Sra. Roberts. Ela sempre quis comprá-la.
Alex puxou-a para sentar ao lado dela no chão e encobriu as duas com os cobertores. Piper se enrolou ao seu lado e ela passou os braços sobre ela.
— Eu a comprei.
— Sério? Por quê?
— Não iria permitir que a Sra. Roberts morasse aqui e derrubasse todas as árvores.
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O Inferno de Alex Vause
FanfictionAVISO: Essa obra não me pertence. O enredo e conteúdo descritos são de autoria da escritora Sylvain Reynard. O que lerão a seguir é uma adaptação feita para o universo Vauseman, personagens fictícios da série Orange is the new black. Livro 01: Enig...
