Capítulo 26

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Quando a casa estava envolta na escuridão e parecia que todos dormiam, Alex e Piper ficaram se olhando na cozinha.

— Não tenho certeza se você está vestida com roupas quentes o suficiente. Está frio lá fora. — Ela apontou para o casaco.

— Não é tão frio quanto Toronto — Piper riu.

— Não vou mantê-la lá fora por muito tempo. Veja o que encontrei. — Alex ergueu um cachecol longo e largo, feito de grossas listras brancas e pretas. Envolveu-o em volta do pescoço dela, habilmente fazendo um laço na frente. — Isso é da minha antiga faculdade em Oxford.

Piper sorriu.

— Eu gosto dele.

— Combina com você. Encontrei outra coisa também. — Alex ergueu um cobertor velho que parecia estranhamente familiar.

Piper estendeu a mão para tocar sua borda.

— É aquele?

— Acho que sim. Mas não será quente o suficiente, então trouxe mais dois. — Ela pegou a mão de Piper e a levou para a varanda.

Estava mais frio e escuro agora, mas, de alguma forma, parecia como se o tempo não tivesse passado desde que Piper pegou a mão de Alex e seguiu para a floresta pela primeira vez. Ela inalou bruscamente com a lembrança, e enquanto atravessavam o quintal na escuridão, sentiu seu coração começar a esmurrar o peito.

Alex apertou a mão dela.

— O que há de errado?

— Nada.

— Você está nervosa, eu posso notar. Fale comigo.

Ela soltou a mão de Piper e passou o braço em volta da cintura dela, puxando-a para perto.

Piper abraçou sua cintura de volta.

— Na última vez que estive nessa floresta, eu me perdi. Você tem que prometer que não vai me deixar.

— Piper, eu não vou deixar você. Você não entende o quanto é importante pra mim. Não posso sequer imaginar como seria perder você. — O tom de voz de Alex mudou. Era baixo, tenso. Sua declaração pegou Piper de surpresa. — Se por algum motivo a gente se perder, quero que você espere por mim. Eu vou encontrar você, eu prometo.

Alex tirou uma lanterna do bolso e a acendeu, iluminando o caminho já gasto à frente delas, que desaparecia entre as árvores.

A floresta era fantasmagórica à noite: uma mistura de pinheiros verdejantes e árvores nuas esperando a primavera. Piper agarrou a cintura de Alex com mais força, preocupada se poderia tropeçar em uma raiz ou algo assim e cair. Quando chegaram à beira do pomar, Alex parou.

Parecia menor do que Piper se lembrava. O gramado parecia o mesmo, a rocha e as macieiras eram os mesmos, mas não tão grandes e significativos como eram em sua memória. E mais triste, como se tudo tivesse sido esquecido.

Alex a levou para o local que era delas por todos aqueles anos e cuidadosamente estendeu o velho cobertor no chão.

— Quem comprou a casa de vocês? — perguntou Piper.

— Por que pergunta isso?

— Estava pensando em quem comprou. Diga-me que não foi a Sra. Roberts. Ela sempre quis comprá-la.

Alex puxou-a para sentar ao lado dela no chão e encobriu as duas com os cobertores. Piper se enrolou ao seu lado e ela passou os braços sobre ela.

— Eu a comprei.

— Sério? Por quê?

— Não iria permitir que a Sra. Roberts morasse aqui e derrubasse todas as árvores.

O Inferno de Alex VauseHistórias para pegar e não largar. Descubra agora