Capítulo 32

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Piper acordou na manhã seguinte completamente nua. Ou assim pensava.

Ela estava na cama de Alex, e seus corpos permaneciam enlaçados. A cabeça dela repousava no ombro de Piper, enquanto o braço esquerdo rodeava seu quadril direito, com as pernas entrelaçadas e quadris rigorosamente pressionados.

Piper deslizou a mão pelas costas de Alex até encontrar um macio algodão cobrindo a mais bela de suas curvas, que ela havia explorado clandestinamente. Então olhou por entre elas e percebeu que ainda usava seu sutiã rosa e uma calcinha.

Em seu sonho, elas tinham se jogado nuas na cama e feito amor durante horas.

Alex estava debruçada sobre ela, sustentando seu olhar como um ímã enquanto se perdia nela, lentamente, até que as duas se tornaram uma. Um círculo eterno, sem fim ou começo. Ela a havia venerado com corpo e palavras, e fora muito mais passional e encantadora do que Piper jamais pensou ser.

Mas fora apenas um sonho.

Ela suspirou e fechou os olhos enquanto os acontecimentos da noite anterior vinham à tona. Dor e alívio juntos, alastrados em seu coração; dor pela perda, desespero e tortura de Alex, e alívio por todos os seus segredos terem sido contados.

Alex murmurou o nome dela, enquanto seus olhos se moviam debaixo das pálpebras cerradas, durante o sono profundo. Ela estava tão cansada na noite anterior. Tão devastada. Piper beijou sua bochecha e silenciosamente se desvencilhou de seus braços, caminhando sorrateiramente até o banheiro.

Quando se mirou no espelho, viu os cabelos selvagens e amassados, os olhos manchados pela maquiagem e os lábios inchados pelos beijos. Várias mordidas de amor, levemente marcadas em sua pele e completamente indolores, espalhadas pelo pescoço e pelos seios. Alex tinha sido uma amante gentil, mas entusiasmada.

Piper lavou o rosto e escovou os cabelos, domando sua juba num rabo de cavalo alto. Provocantemente, trocou o roupão roxo que usava por uma das camisetas de Alex. Foi buscar o Globe and Mail no corredor e murmurou um tímido "bom dia" ao nervoso, mas não totalmente desagradável, vizinho de Alex, que olhava através dos óculos sem aro para suas pernas torneadas e nuas, antes de fugir como um rato assustado para seu apartamento. Ele não estava acostumado a ver tanta beleza assim no início da manhã, e estava vestido apenas com calças de pijama do Superman de origem duvidosa.

Quando Piper entrou na cozinha, se deparou com uma bagunça. Elas não haviam limpado nada depois do jantar, já que suas mãos e mentes estavam cheias demais para preocupações tão prosaicas. Depois de se entregar a uma fatia de torta de maçã com Vermont Cheddar, Piper começou a deixar o apartamento de Alex na condição que estava anteriormente. Demorou mais tempo do que esperava.

Quando a cozinha estava impecável e Alex ainda não tinha saído da cama, Piper serviu-se de uma grande caneca de café e sentou em sua poltrona favorita, em frente à lareira com o jornal. A visão da camisa Oxford de Alex no chão, sobre sua blusa de seda, trouxe um rubor às suas bochechas e um sorriso aos lábios.

E isso, infelizmente, foi o máximo que chegamos a fazer.

Alex a tinha parado. Piper teria se entregado com alegria porque a amava. Para ela, não era uma questão de "se" faria amor com Alex, e sim uma questão de "quando". Mas Alex tinha murmurado alguma coisa contra seu peito nu e parou.

Ela estava tão temerosa de que Piper a abandonasse ao descobrir sobre Paulina e a perda trágica de Maia. Mas, de alguma maneira, sua confissão as tinha aproximado. Pelo menos Piper tinha deixado isso claro.

Em dois dias, elas iriam para a Itália, e Piper acompanharia Alex em sua palestra como sua namorada. E quando o tempo em Florença acabasse, talvez viajassem para Veneza ou Úmbria.

O Inferno de Alex VauseHistórias para pegar e não largar. Descubra agora