Capítulo 33

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Às oito horas da noite, Srta. Piper Chapman deu os últimos retoques em seu cabelo enquanto sua namorada a observava de longe na porta do banheiro. Alex a adorava. Era evidente em cada olhar, cada toque, e na maneira como ela olhava, sem piscar, para os gestos mais simples de Piper.

Ela havia ondulado o cabelo e o prendeu, deixando alguns poucos cachos caírem suavemente sobre o rosto, os cachos que Alex desejava envolver em torno de seus dedos. Seu esteticista em Toronto lhe dera um pequeno tubo de uma poderosa maquiagem corretiva, concebida para cobrir até mesmo as piores cicatrizes. Foi tão eficaz que Piper já não precisava usar um lenço para esconder a mordida de Simon. Apenas o fato de poder esquecer a cicatriz a deixava feliz, especialmente porque o adorável cachecol de Diane não teria combinado com seu vestido novo.

Seu vestido era de seda verde esmeralda de mangas compridas e com decote em V, como ela preferia, e a bainha tocava a parte superior dos joelhos. Para completar, usava meias pretas com uma surpresa atachada e estava prestes a entrar em seus scarpins Prada de salto alto preto. Quando Alex a viu inclinar-se para calçar os sapatos, prometeu comprar mais deles. Eles faziam coisas incríveis pelas pernas de Piper, e pelo decote, quando ela se inclinava.

— Permita-me — disse Alex, agachando-se em frente a ela em seu terninho azul-marinho recém-prensado. Pegou a mão de Piper e colocou-a em seu ombro, para ajudá-la a se equilibrar, enquanto calçava os scarpins em seus pés.

— Obrigada — Piper murmurou.

Alex sorriu e beijou sua mão.

— Qualquer coisa por você, Cinderela.

Piper tirou seu casaco preto três quartos do armário e estava prestes a vesti-lo quando Alex o tirou de sua mão.

— Deixe-me — disse ela. — Quero pô-lo em você.

— É apenas um casaco, Alex. Não se preocupe.

— Sim, eu sei que é um casaco. Mas é uma oportunidade para me comportar como uma cavalheira e honrá-la. Por favor, não me prive, Piper.

Ela corou de leve e balançou a cabeça lentamente. Não estava acostumada com esse tipo de atenção, é claro, com exceção da de Alex. Queria ser gentil e deixá-la ajudá-la, mas era muito mais do que jamais esperou ou achava que merecia. Chegou até a beijá-la e sussurrou seus agradecimentos contra seus lábios. Alex a pegou pelo braço e levou-a para baixo em direção ao restaurante.

Piper e Alex caminhavam lentamente pelas ruas de paralelepípedo do Palazzo Vecchio até o Palazzo dell'Arte dei Giudici e Notai, rindo e relembrando visitas anteriores a Florença. Tinham que andar devagar, pois caminhar em Florença de salto alto era mais do que um pouco desafiador. Felizmente, Alex tomou o braço de Piper para acompanhá-la corretamente, permitindo-lhe andar ereta e também para evitar grande parte dos assobios e uivos de jovens florentinos. A cidade não mudou muito desde os dias de Dante.

O restaurante que Alex havia escolhido chamava-se Murate Alle. Estava localizado em um salão do século XIV, a um curto espaço do Duomo, e ostentava afrescos de época incríveis, incluindo um retrato do próprio Dante.

Piper ficou impressionada com a beleza das obras de arte e viu-se ligeiramente distraída enquanto o maître as conduzia à mesa.

Alex havia reservado um espaço tranquilo no sótão, com vista para a sala principal, logo abaixo do teto abobadado. Era a melhor mesa da casa, pois oferecia uma visão melhor e mais próxima das ilustrações medievais. Quatro anjos congelados em afrescos flutuavam acima delas quando Piper pegou na mão de Alex e apertou-a. Ela estava em êxtase.

— É lindo. Obrigada. Não tinha ideia de que havia afrescos aqui.

Alex sorriu perante o entusiasmo dela.

O Inferno de Alex VauseHistórias para pegar e não largar. Descubra agora