Minha noite foi péssima, não dormi direito e quando finalmente consegui dormir, Joana me acorda aos gritos e pra completar eu cai da cama.
Meu dia já começou ruim, e eu ainda nem tinha levantado do chão. Termino de fazer minha higiene pessoal e tomar banho, escolho uma roupa simples, uma calça jeans, uma camiseta preta sem detalhes e faço um coque frouxo.
Minha segunda aula hoje é de história, quando chego na sala não tem mais lugar e Ellie não iria vir hoje, então não iria guardar um lugar pra mim. Encontro na última fileira um lugar vazio, ao lado dele tem um garoto de cabelos castanhos estilo desarrumado de cabeça baixa, não o reconheço à primeira vista.
O professor chega na sala e manda todo mundo sentar e vou em direção ao assento vazio. Depois de uns 5 minutos, o professor já tinha começado a aula, o garoto ao meu lado levanta a cabeça e o reconheço como sendo Thomas, ele me olha, pega o caderno em baixo da mesa, sem explicações, escreve algo e mostra pra mim.
"Porque não está com seu pessoal?" Assim que termino de ler olho para o seus olhos e não vejo malícia neles, então resolvo responder. Pego o caderno e começo à escrever.
" Oi dorminhoco, só tenho uma amiga nessa sala, ela não veio então não guardou lugar pra mim. E eles não são meu pessoal."
Ele lê e escreve algo no caderno.
"Eu não estava dormindo. E como não são seu pessoal, se você sempre anda com eles? "
Leio e fico um pouco chocada com a péssima ideia que ele tem de mim, não é à toa que não confiava em mim. Escrevo uma só palavra.
" Jack..."
Ele faz uma cara de quem entendeu e volta à escrever no caderno de novo.
"Vou te ver no intervalo ou vai fugir de mim de novo? "
Eu preciso mudar a imagem que esse garoto tem de mim! Quando olho em seu rosto tem um sorriso discreto.
"Não fugi de você. E sim podemos conversar"
Ele dá um aceno de cabeça e nossos recados acabam ali.
Chegou a hora do almoço, fui em direção ao pátio, dou uma olhada em volta e não encontro Thomas e resolvo sentar em uma mesa qualquer.
Os meus 'amigos' não vieram falar comigo, acho que é por causa da minha briga com Jack.
Estou com os pensamentos longe, quando Thomas se senta ao meu lado, ele está com uma calça jeans preta e uma camiseta da mesma cor não muito folgada.
- Oi!
- Oi, olha você está sozinha. - ele fala como se estivesse pensando alto.
- Estava esperando você.
- E eles? - ele fala indicando com a cabeça para os populares, Jack estava entre eles e olhava para nós de um jeito que dava medo, pelo menos em mim, por que Thomas parecia bem calmo.
- Briguei com meu namorado e os nossos amigos são mais amigos dele do que meus...
- Entendi, agora me fala o que Jack tem haver com o fato da gente não ter se falado nos últimos dias? - ele fala curioso.
- Jack é um namorado muito ciumento - ele faz uma careta, como se isso fosse algo que esperado.
- Hum... - ele fala, pensativo por um segundo.
- E você tem namorada em New York ou ainda está tentando lidar com os bilhetes do armário? - me sentindo mal logo que pergunto,por ser tão invasiva, mas não demonsto isso à ele - Tenho que jogar pelo menos uns cinco bilhetes no lixo todos os dias. - ele fala um pouco frustrado mas fiquei com a impressão de que havia outra emoção na voz dele só não consegui identificar.
- Lembra o que falei da última vez que nos vimos? - ele falou mudando de assunto muito rápido.
- Lembro, você iria fazer as perguntas hoje, não é? - falo tentando adivinhar o que ele vai perguntar.
- Você tem irmãos? - assim que ele pergunta me surpreendo por ser tão fácil, ele deve ter visto minha expressão porque logo voltou a falar. - Não se preocupe, com o tempo elas vão ficando mais difíceis! - ele dá um sorriso malicioso.
- Tenho dois meio irmãos, eles são gêmeos, Mat e Cody, de 6 anos. - falo meio à contra gosto, se ele continuar com essas perguntas vai chegar em uma parte delicada.
Ele me estuda por um tempo como se estivesse tentando ler meus pensamentos, logo desvia o olhar, então não dá pra saber o que está sentindo.
- Acho que temos o mesmo problema. - ele diz mais pra si mesmo do que pra mim.
- O que quer dizer com isso? - pergunto com um misto de medo e dúvidas , medo do que ele vai falar e dúvidas do tipo: será que vou ter coragem de contar tudo a ele? Será que ele vai guardar segredo? Será que ele é confiável?
- Pelo que parece nós dois temos problemas em falar da família.
- Como pode ter certeza? - falei com a raiva tomando conta da minha voz, o que um filhinho de papai com a vida perfeita poderia ter de errado.
- Pode não parecer mas a minha vida não é fácil, você não é a única que tem problemas no mundo sabia?
- E o que é tão difícil na sua vida, o carro novo que vai comprar hoje à tarde? Ou a festa que precisa dar pros seus amigos riquinhos também? Você não sabe o que é ter uma vida difícil! - eu falo estourando de raiva, sem me dar conta do que estou fazendo.
Ele abriu a boca como se quisesse falar algo, mas fechou logo em seguida, ele se recompôs e falou em um tom baixo e contido de raiva.
- Eu estava certo, esquece o que já te contei sobre mim, e nosso trato acabou!
Ele vai embora e eu um segundo depois entendo o que ele quis dizer, mas não tive muito tempo pra me entregar a estes pensamentos, pois o sinal toca e todos, inclusive eu, vão para suas salas.
As aulas acabaram e não encontrei com Thomas, vou para casa à pé perdida em pensamentos. Como eu pude ser tão idiota? Estraguei tudo? Se arrependimento matasse...
Quando percebo já estou com a chave na porta de casa. Assim que entro vou em direção as escadas com a mochila apoiada em um só ombro, mas só consigo ir até o terceiro degrau, pois sou jogada no chão com força, consequentemente batendo a cabeça e ficando tonta, tudo fica borrado e eu não conseguia ver direito, mas consegui distinguir Joana. Ela estava gritando algo sobre limpar e sacrifício, logo depois apontou para algo próximo ao meu rosto, mas não me deixou ver o que era, pois me arrastou para o armário debaixo da escada. Eu queria empurra-la e fugir dali, mas estava fraca e muito tonta.
Ela me jogou dentro do armário, eu tentei impedir que ela fechasse a porta mas não fui rápida o bastante. Eu sabia que se gritasse ela me deixaria ali por mais tempo, então encostei na parede com um pouco de dificuldade e chorei baixinho. Depois de algum tempo fiquei com frio, puxei meus joelhos até ficarem da altura do meu rosto. Então uma onda de dor misturada com raiva e compreensão me invadiu, Joana tinha me jogado naquele armário úmido, escuro e frio porque meu tênis estava sujando o piso.
Não sei quanto tempo passei presa naquele armário, assim que ela o abriu eu sai correndo pro meu quarto, tranquei a porta, me joguei na cama e me entreguei à um choro baixo, que durou quase que a noite toda, mas que doía muito.
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Olá leitores do meu coração, me desculpem pela demora, eu estou numa semana muito agitada.
Obrigado pelos votos, comentários e pela atenção!
Amo vocês, bjs.
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Você Mudou A Minha Vida
RomanceThomas e Bianca são dois adolescentes aparentemente normais, porém os dois tem assuntos inacabados em seus passados. Ele tem um passado confuso é misterioso, nunca superou a morte da mãe. Ela nunca fala da família. Essa é a história de como Bianca...
