É um pouco depois do almoço quando ouço meu pai batendo na porta do meu quarto, depois de ter tentado abrir e não ter conseguido (nunca deixo a porta aberta, nunca se sabe o que Joana vai fazer). Destranco a porta e volto para a cama, ele entra e sei que está me observando.
- Sabe que não gosto de portas trancadas na minha casa. - Não esboço uma reação então ele passa para outro assunto - Eu, Joana e os gémeos já estamos de saída, você vai sair hoje?
- Provavelmente não, tchau pai! - Ele me olha torto, mas responde já saindo do meu quarto.
O que eu poderia fazer? Quero que eles saíam logo de casa, quero parar de falar com a sombra que ele se tornou depois que se casou com Joana.
- Tchau, Bianca.
Depois que meu pai saiu, ainda fiquei deitada um tempo, pensando em muitas coisas e me preparando para falar com Jack, quando meu celular começa a vibrar ao meu lado: Tom
- Oi, todo mundo saiu? - Ele está com a voz calma, mas posso sentir seu nervosismo.
- Sim, saíram à uns 20 minutos. Você está vindo?
- Na verdade, estou em frente a sua casa. Liguei só para ter certeza. Pode abrir a porta?
- Estou indo.... - Desligo o telefone e desço correndo para abrir a porta.
Fico vidrada em seus olhos por um segundo, a verdade é que aqueles olhos me fascinaram a partir do momento em que os encontrei pela primeira vez. Ele está com um jeans e casaco pretos, uma camiseta branca e coturnos escuros.
Ele me dá um sorriso de canto, ele está calmo, quase feliz e isso me deixa calma. Dou passagem pra ele entrar e percebo que carrega uma sacola.
- Eu saí mais cedo do que precisava, quando parei pra ver a hora percebi que estava com tanta fome, que resolvi parar e comprar algo, espero que goste de comida chinesa. - Eu não consigo acreditar que ele fez isso, mas ao mesmo tempo parece ser o mais certo possível.
- Eu não posso te dar certeza, porque vai ser minha primeira vez...apesar de eu não estar com fome. - Ele me olha indignado enquanto eu fecho a porta.
- Você está me dizendo que em todos os seus 16 anos, você nunca comeu a melhor comida do mundo? - Seu rosto é indignado, mas ainda existe um sorriso em seu rosto.
- Não. - Falo um pouco tímida. Ele coloca a comida em cima da mesa de centro.
- Então eu faço questão de te apresentar a melhor comida do mundo. - Ele diz fazendo uma pequena reverência como se me apresentasse a comida.
Eu não consigo segurar e gargalho alto. Quando finalmente consigo me recuperar falo ainda com um sorriso.
- Vem, vou te mostrar onde ficam os pratos. - Ele balança a cabeça em negação, sorrindo, mas me segue até a cozinha.
Enquanto colocamos a comida nos pratos, conversamos de tudo e nada ao mesmo tempo, ele é engraçado, porém percebo que não deixa as pessoas verem esse lado dele, esse lado que cativa a todos.
Quando sentamos a mesa, ele me olha com expectativa, esperando que eu prove "a melhor comida do mundo", que descobri ser yakisoba. Porém quando o garfo está a centímetros da minha boca, alguém bate na porta.
Meu sorriso se desmorona um pouco quando olho em direção a porta, não preciso de confirmação, pois já sei quem é.
Thomas percebendo meu nervosismo pega minha mão por cima da mesa.
- Vai dar tudo certo. - O sorriso não está mais em seu rosto, mas ele permanece com o semblante calmo, o que automaticamente me deixa calma também. Eu só balanço a cabeça confirmando, respiro fundo procurando coragem.
Assim que abro a porta, Jack abre um sorriso cafajeste, pensando em retrospecto não entendo porque quis me envolver com ele, eu sabia que ele era mulherengo e mesmo assim acreditei que ele fosse mudar por mim, porque estava apaixonado, mas vejo nitidamente que me enganei. Abro passagem para ele passar, em um recado mudo para ele entrar.
- Oi gata. - No fundo da minha mente repasso toda a nossa "história" juntos e não fico surpresa ao perceber que ele nunca me chama pelo nome.
Assim que ele passa, para um pouco mais a frente. Fecho a porta e olho para ele, que está encarando de forma confusa,Thomas.
- O que está acontecendo aqui? Você estava almoçando com esse Zé Ninguém, eu não mandei você ficar longe dele? - Enquanto ele fala me afasto um pouco ficando entre ele e Thomas, porém ainda no meio dos dois.
- Não é sobre isso que eu quero falar com você Jack. - Ele tenta argumentar, mas levanto a minha mão em sinal para ele me deixar falar. - Aonde esteve na sexta a noite?
Ele me olha desconfiado, mas mantenho minha expressão composta e controlada.
- Eu fui a uma festa, eu te convidei lembra? - Balanço a cabeça confirmando. É verdade ele me convidou, mas não sou muito de festas.
- Eu vou te fazer uma pergunta, que apesar de eu já saber a resposta, quero ouvir da sua boca, mas eu quero a verdade. - Falo olhando atentamente em seus olhos. - É verdade que você beijou a Lindsay nessa festa que teve na sexta?
Ele parece surpreso, e depois de um tempo passando o olhar de mim pra Thomas várias vezes, ele parece ter um insight, fica vermelho de raiva e fico estatica quando ele dá um soco em Thomas. O mesmo virá um pouco o rosto pela força do golpe, mas quando vejo sua mão se fechar em punho e percebo o que pretende entro no meio dos dois, impedindo Thomas no meio do caminho. Não vejo raiva em seu a olhos apenas o instinto de se proteger.
Toco em seu peito com o intuito de afasta-lo um pouco, sua mão se abaixa assim que percebe o que iria fazer, se afastando do meu toque. No fundo da minha mente faço uma observação: ele é forte, provavelmente tão forte quanto Jack.
Me viro, querendo com toda a minha força de vontade enfrentar Jack, mas me surpreendo ao vê-lo com uma expressão indignada. Com toda a certeza era eu ou Thomas que deveríamos ter esse semblante e não ele! Não consigo pensar em mais nada antes dele gritar enquanto vai em direção a porta.
- Quer saber, Thomas, - Ele fala o nome de Thomas de modo debochado - fica com essa vagabunda, você nem imagina quantas vezes ela já deu pra mim... - Não vejo Thomas passar por mim, só percebo o que aconteceu quando Jack está no chão levando o que julgo ser o segundo soco que Thomas desfere em seu rosto.
Passado o susto vou até Thomas e tento empurra-lo, mas é praticamente a mesma coisa que empurrar uma parede.
- Thomas! Para, por favor! Para! - Ele não para porque quis, mas porque quando entrei em sua frente, Jack aproveitou a chance e se afastou um pouco. Thomas está ofegante e olhando em seus olhos percebo que está fervilhando de raiva, mas não sei se é uma raiva atrasada pelo soco recebeu ou pelas ofensas dirigidas a mim.
- Ele está te xingando e você ainda está defendendo ele? - Ele me olha incrédulo. Não consigo responder porque estou atordoada por dois motivos: 1) Ele está me defendendo, está disposto a levar outro soco porque quer me defender. 2) Ele vira de costas e passa a mão no cabelo deixando o mais bagunçado que o normal. Me viro e Jack está passando a mão no lábio que sangra. Me abaixo a sua frente e falo em um tom que não reflete nem um milímetro do que sinto por dentro.
- Acabou! Você vai sair por aquela porta e não vai chamar ninguém do time pra bater nele, entendeu? - Ele balança a cabeça confirmando porém ainda parece confuso ao olhar pra Thomas.
Quando fico de pé, sinto Thomas atrás de mim. Ele toca meu ombro e relaxo automaticamente, (nem sequer tinha percebido que estava tensa) ele me empurra com delicadeza para o lado e chega mais perto de Jack do que acho seguro, mas confio nele mesmo assim.
- Você nunca mais vai falar uma vírgula que seja sobre ela, entendeu? E se por acaso eu ficar sabendo que você andou espalhando boatos que não devia sobre ela, você vai se arrepender. - Ele fala sem demostrar nenhum tipo de emoção, o que só torna seu tom de voz mais sinistro.
Jack balança a cabeça, parece estar se controlando muito. Thomas levanta calmamente e vai pra cozinha enquanto o acompanho com o olhar ouço Jack sair sem fazer muito barulho.
Respiro fundo, faço uma nota mental: pensar em tudo o que aconteceu quando eu estiver sozinha, vou em direção a cozinha, com algumas dúvidas e com a intenção de tira-las à limpo o quanto antes.
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Você Mudou A Minha Vida
RomanceThomas e Bianca são dois adolescentes aparentemente normais, porém os dois tem assuntos inacabados em seus passados. Ele tem um passado confuso é misterioso, nunca superou a morte da mãe. Ela nunca fala da família. Essa é a história de como Bianca...
