CAPITULO 22 - O COMEÇO DO FIM

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Cheguei ao meu apartamento e eu já não mais chorava. Em algum momento entre eu ter saído do apartamento do Roberto, a parada no posto de gasolina para reabastecer depois de ter rodado por umas três horas pelas ruas e mais duas horas rodando após isso e vir para o meu apartamento eu provavelmente tenha secado minhas lágrimas.

Passei no hall e peguei as correspondências. Havia algumas revistas e algumas correspondências. Subi pelo elevador e senti meu celular vibrando novamente. Já havia o deixado sem som após algumas milhares de ligações, mas quem quer que fosse que queria tanto falar comigo, queria muito e insistia mais ainda. Eu queria que me deixassem em paz. Pelo menos por uma noite para que eu conseguisse colocar as minhas ideias em ordem.

Entrei no elevador e o meu único companheiro era o zunido do celular. Eu estava prestes a jogar o celular no chão e pisar nele.

Quando o elevador chegou ao meu andar sai e fui direto em direção ao meu apartamento. Entrei e não me dei ao trabalho de acender as luzes. Eu precisava apenas de um banho e da minha cama.

Fui em direção ao banheiro ainda com tudo escuro e a única luz que acendi foi a local. Tirei as minhas roupas e entrei embaixo da água.

A agua tinha o efeito desejado em mim. O jato forte e constante vinha para me acalmar e eu fiquei ali por tempo suficiente até começar a sentir frio.

Sai do box e comecei a me secar. Busquei no guarda-roupas algum pijama confortável o suficiente.

Ursinhos cor-de-rosa. Perfeito pra fossa.

Deitei na cama e fiquei ali encolhida ali avaliando meu dia.

Ex-namorado que transa com ex-amigas enquanto eu estou na sala com os meus pais. Checado.

Mesmo que eu esteja lá e eles também porque o ex-namorado em questão estava tentando me reconquistar. Checado.

Ir ao apartamento do atual-ex-namorado fazer uma surpresa e apresentar os meus pais e ver o seu atual-ex-namorado golpeado pelo meu pai e caído no chão. Checado.

Descobrir que o meu atual-ex-namorado saia com a minha mãe e que ele foi o motivo de ela quase ter se separado do meu pai e por consequência quase ter me deixado para trás. Checado.

Eu me sentia desolada com tudo.

Muita coisa e muita informação pra uma pessoa só em um único dia.

Sobre o Jonas eu já não tinha muito mais o que pensar, eu apenas tinha que seguir em frente e dar um jeito de excluir ele e todo o resto da minha vida. Eu iria começar do zero e isso incluía meu rol de amigos.

Sobre o Roberto a coisa era mais difícil. Eu estava totalmente dentro daquele relacionamento. Eu o amava. Estava afundada até o ultimo fio de cabelo em todo o sentimento que eu sentia por ele. E pelo sentimento que eu achava que ele sentia por mim.

Quem poderá me garantir que ele não estava projetando em mim o sentimento mantido para a minha mãe?

Quem poderá me provar que ele não se aproximou de mim com o intuito de voltar com a minha mãe?

Quem me garante que eu não era uma ponte fácil para ele provar para a minha mãe que o amor dele na verdade era por ela e não por mim?

São tantos questionamentos que eu não me dou conta quando as lágrimas me invadem.

Eu realmente amo aquele homem e não entendo como ele pode jogar tão baixo comigo e com tanto sentimento. É uma forma suja de se jogar.

Não se brinca com sentimentos assim.

Tem que ser elaOnde histórias criam vida. Descubra agora